sábado, 31 de março de 2012

Accademia Vivarium Novum - Escolas de Verão


A Accademia Vivarium Novum abre as inscrições para as Escolas de Verão de Latim. Os cursos existem em três modalidades, destinados a três públicos diversos;

1. O curso básico, destinado a quem nunca estudou Latim, ou muito pouco.

2. O curso avançado, a quem já possui as noções fundamentais de gramática, e deseja adquirir mestria da língua escrita e falada.

3. E o curso destinado a professores, focado em métodos didáticos especialmente focados na aprendizagem através do uso activo da língua latina.

O site da Accademia encontra-se aqui. Dúvidas que existam podem ser tiradas em info@vivariumnovum.it, ou colocadas neste mesmo blog.

Escolas de Verão (Scholae Aestivae Latinitatis)

sexta-feira, 30 de março de 2012

A Natureza dos Athenienses

Os Athenienses nunca deixam de tentar novas coisas; são ágeis quer a conceber aquilo que desejam, quer depois a pô-lo em prática. Vocês, Espartanos, só sabem preservar aquilo que já têm, e nunca ousam agir para além do estritamente necessário. De novo nos apercebemos como eles diferem, como eles ousam sempre enfrentar os perigos cheios de esperanças para além das suas próprias forças, para além mesmo do que seria sequer concebível. Enquanto que vocês querem fazer apenas aquilo que a vossa força vos permite, e nem ousam acreditar naquilo que teriam todos os motivos para acreditar, sempre com receio de ser destruídos pelos perigos que vos assolam. Contraste-se a ausência de hesitação da parte deles com as vossas constantes preocupações; contraste-se como eles nunca estão verdadeiramente em casa, e como vocês nunca passam a ombreira da porta. Eles agem assim porque acreditam que com a sua ausência poderão crescer; vocês têm sempre medo de perder aquilo que já tinham garantido se ousarem sair. Quando vencem os seus inimigos lançam-se sobre a nova oportunidade, e quando são vencidos recuam o menos possível. Dedicam os seus corpos à sua cidade como se não lhes pertencessem; e aquilo que realmente os define, a sua inteligência, põem-na em prática ao serviço de todos. Quando não conseguem atingir aquilo que se tinham proposto, agem como se tivessem perdido algo de extremamente pessoal; e quando o conseguem atingir, depreciam-no, já na saudade do que estará para vir. Sempre que falham, preenchem a precaridade que daí tiver surgido com novas esperanças: são os únicos para quem querer e desejar são a mesma coisa, graças à rapidez com que se dedicam a executar aquilo que concebem. Esforçam-se por levar tudo a cabo sem jamais interromper os perigos e os trabalhos em que incorrem, e pouco se comprazem do que já tiverem adquirido, porque têm sempre como alvo o crescer ainda mais. Para eles festejar não é outra coisa se não fazer aquilo que é necessário, e é-lhes uma desgraça maior o ócio do que a fadiga. De modo que, para resumir, teria razão quem dissesse que eles existem para não se permitirem descanso nem a si nem aos outros.

Thucýdides. História da Guerra do Peloponeso. 1.70.2-9. Tradução minha.

οἱ μέν γε νεωτεροποιοὶ καὶ ἐπινοῆσαι ὀξεῖς καὶ ἐπιτελέσαι ἔργῳ ἃ ἂν γνῶσιν: ὑμεῖς δὲ τὰ ὑπάρχοντά τε σῴζειν καὶ ἐπιγνῶναι μηδὲν καὶ ἔργῳ οὐδὲ τἀναγκαῖα ἐξικέσθαι. αὖθις δὲ οἱ μὲν καὶ παρὰ δύναμιν τολμηταὶ καὶ παρὰ γνώμην κινδυνευταὶ καὶ ἐν τοῖς δεινοῖς εὐέλπιδες: τὸ δὲ ὑμέτερον τῆς τε δυνάμεως ἐνδεᾶ πρᾶξαι τῆς τε γνώμης μηδὲ τοῖς βεβαίοις πιστεῦσαι τῶν τε δεινῶν μηδέποτε οἴεσθαι ἀπολυθήσεσθαι. καὶ μὴν καὶ ἄοκνοι πρὸς ὑμᾶς μελλητὰς καὶ ἀποδημηταὶ πρὸς ἐνδημοτάτους: οἴονται γὰρ οἱ μὲν τῇ ἀπουσίᾳ ἄν τι κτᾶσθαι, ὑμεῖς δὲ τῷ ἐπελθεῖν καὶ τὰ ἑτοῖμα ἂν βλάψαι. κρατοῦντές τε τῶν ἐχθρῶν ἐπὶ πλεῖστον ἐξέρχονται καὶ νικώμενοι ἐπ᾽ ἐλάχιστον ἀναπίπτουσιν. ἔτι δὲ τοῖς μὲν σώμασιν ἀλλοτριωτάτοις ὑπὲρ τῆς πόλεως χρῶνται, τῇ δὲ γνώμῃ οἰκειοτάτῃ ἐς τὸ πράσσειν τι ὑπὲρ αὐτῆς. καὶ ἃ μὲν ἂν ἐπινοήσαντες μὴ ἐπεξέλθωσιν, οἰκείων στέρεσθαι ἡγοῦνται, ἃ δ᾽ ἂν ἐπελθόντες κτήσωνται, ὀλίγα πρὸς τὰ μέλλοντα τυχεῖν πράξαντες. ἢν δ᾽ ἄρα του καὶ πείρᾳ σφαλῶσιν, ἀντελπίσαντες ἄλλα ἐπλήρωσαν τὴν χρείαν: μόνοι γὰρ ἔχουσί τε ὁμοίως καὶ ἐλπίζουσιν ἃ ἂν ἐπινοήσωσι διὰ τὸ ταχεῖαν τὴν ἐπιχείρησιν ποιεῖσθαι ὧν ἂν γνῶσιν. καὶ ταῦτα μετὰ πόνων πάντα καὶ κινδύνων δι᾽ ὅλου τοῦ αἰῶνος μοχθοῦσι, καὶ ἀπολαύουσιν ἐλάχιστα τῶν ὑπαρχόντων διὰ τὸ αἰεὶ κτᾶσθαι καὶ μήτε ἑορτὴν ἄλλο τι ἡγεῖσθαι ἢ τὸ τὰ δέοντα πρᾶξαι ξυμφοράν τε οὐχ ἧσσον ἡσυχίαν ἀπράγμονα ἢ ἀσχολίαν ἐπίπονον: ὥστε εἴ τις αὐτοὺς ξυνελὼν φαίη πεφυκέναι ἐπὶ τῷ μήτε αὐτοὺς ἔχειν ἡσυχίαν μήτε τοὺς ἄλλους ἀνθρώπους ἐᾶν, ὀρθῶς ἂν εἴποι.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mau Negócio

Greek police have recovered an ancient statue worth €12m (£10m) that was illegally excavated and hidden in a goat pen near Athens, and arrested the goat herder and another man who were allegedly trying to sell the work for €500,000. The marble sculpture of a young woman dates to about 520BC and belongs to the kore type, a police statement said on Wednesday. The 120cm (4ft) work was largely intact, except for a missing left forearm and plinth. Although dozens of examples of the kore statue and its male equivalent, the kouros, are displayed in Greek and foreign museums, the type is considered important in the development and understanding of Greek art. New discoveries in good condition are uncommon.

ler mais aqui.

domingo, 25 de março de 2012

Eu a aprender grego.

Imperfection? I'm in!

    Sentado numa rocha, na ilha de Ogígia, com a barba enterrada entre as mãos, donde desaparecera a aspereza calosa e tisnada das armas e dos remos, Ulisses, o mais subtil dos homens, considerava, numa escura e pesada tristeza, o mar muito azul que, mansa e harmoniosamente, rolava sobre a areia muito branca. (...) Sete anos, sete imensos anos, iam passados desde que o raio fulgente de Júpiter fendera a sua nave de alta proa vermelha, e ele, agarrado ao mastro e à carena, trambolhara na braveza mugidora das espumas sombrias, durante nove dias, durante nove noites, até que boiara em águas mais calmas, e tocara as areias daquela ilha onde Calipso, a deusa radiosa, o recolhera e o amara!
   E durante esses imensos anos, como se arrastara a sua vida, a sua grande e forte vida, que, depois da partida para os muros fatais de Tróia, abandonando entre lágrimas inumeráveis a sua Penélope de olhos claros, o seu pequenino Telémaco enfaixado no colo da ama, andara sempre tão agitada por perigos, e guerras, e astúcias, e tormentas, e rumos perdidos? (...) Deusa, há oito anos que não olho para uma sepultura... Não posso mais com esta serenidade sublime! Toda a minha alma arde no desejo do que se deforma, e se suja, e se espedaça, e se corrompe... Oh deusa imortal, eu morro com saudades da morte!
   -Quantos males te esperam, oh desgraçado! Antes ficasses, para toda a imortalidade, na minha ilha perfeita, entre os meus braços perfeitos...
   Ulisses recuou, com um brado magnífico:
   - Oh deusa, o irreparável e supremo mal está na tua perfeição!
   E, através da vaga, fugiu, trepou sôfregamente à jangada, soltou a vela, fendeu o mar, partiu para os trabalhos, para as tormentas, para as misérias - para a delícia das coisas imperfeitas!
Eça de Queirós, "A Perfeição", in Contos, Edição Livros do Brasil, Lisboa 2002, pp.221-244

quinta-feira, 22 de março de 2012

em Hydra: a realidade divina de Sophia

Em Hydra, evocando Fernando Pessoa

Quando na manhã de Junho o navio ancorou em Hydra
(E foi pelo som do cabo a descer que eu soube que ancorava)
Saí da cabine e debrucei-me ávida
Sobre o rosto do real - mais preciso e mais novo do que o imaginado

Ante a meticulosa limpidez dessa manhã num porto
Ante a meticulosa limpidez dessa manhã num porto de uma ilha grega
Murmurei o teu nome
O teu ambíguo nome

Invoquei a tua sombra transparente e solene
Como esguia mastreação de veleiro
E acreditei firmemente que tu vias a manhã
Porque a tua alma foi visual até aos ossos
Impessoal até aos ossos
Segundo a lei de máscara do teu nome

Odysseus - Persona

Pois de ilha em ilha todo te percorreste
Desde a praia onde se erguia uma palmeira chamada Nausikaa
Até as rochas negras onde reina o cantar estridente das sereias

O casario de Hydra vê-se nas águas
A tua ausência emerge de repente a meu lado no deck deste barco
E vem comigo pelas ruas onde procuro alguém

Imagino que viajasses neste barco
Alheio ao rumor secundário dos turistas
Atento a rápida alegria dos golfinhos
Por entre o desdobrado azul dos arquipélagos
Estendido à popa sob o voo incrível
Das gaivotas de que o sol espalha impetuosas pétalas

Nas ruínas de Epheso na avenida que desce até onde esteve o mar
Ele estava à esquerda entre colunas imperiais quebradas
Disse-me que tinha conhecido todos os deuses
E que tinha corrido as sete partidas
O seu rosto era belo e gasto como o rosto de uma estátua roída pelo mar

Odysseus

Mesmo que me prometas a imortalidade voltarei para casa
Onde estão as coisas que plantei e fiz crescer
Onde estão as paredes que pintei de branco

Há na manhã de Hydra uma claridade que é tua
Há nas coisas de Hydra uma concisão visual que é tua
Há nas coisas de Hydra a nitidez que penetra aquilo que é olhado por um deus
Aquilo que o olhar de um deus tornou impetuosamente presente -

Na manhã de Hydra
No café da praça em frente ao cais vi sobre as mesas
Uma disponibilidade transparente e nua
Que te pertence

O teu destino deveria ter passado neste porto
Onde tudo se torna impessoal e livre
Onde tudo é divino como convém ao real

Hydra, Julho de 1970

Sophia de Mello Breyner in Cem poemas de Sophia, Editorial Caminho, Colecção Visão 2004.

quarta-feira, 21 de março de 2012

o Tempo, disse Austerlitz, é de longe a mais artificial de todas as nossas criações



para o João

Houve uma altura em que o dia era, junto dos povos Itálicos, a mais curta divisão do tempo, e o mês a mais longa. Apenas mais tarde se começou a dividir o dia e a noite, cada um deles em quatro partes, e ainda se tardou mais a aplicar a divisão das horas. Isto vai de encontro ao facto que no estabelecimento do princípio do dia há tribos consanguíneas que utilizam sistemas diversos, e ademais os Romanos iniciavam-no com a meia-noite, os Sabéllios e os Etruscos com o meio-dia.

Theodor Mommsen. História da Roma Antiga. I.14. Versão minha a partir da versão italiana de Antonio Garibaldo Quattrini.

fotorama de Megalexandros (1980). Theodoros Angelopoulos
(mas eu queria era a cena que se seguia a esta)

terça-feira, 20 de março de 2012

sob o olhar de deuses sem vergonha

 Minotauromaquia, Picasso, 1935






Em Creta com o Minotauro

I

Nascido em Portugal, de pais portugueses,
e pai de brasileiros no Brasil,
serei talvez norte-americano quando lá estiver.
Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem,
se usam e se deitam fora, com todo o respeito
necessário à roupa que se veste e que prestou serviço.
Eu sou eu mesmo a minha pátria.
A pátria de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações
nasci. E a do que faço e de que vivo é esta
raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo
quando não acredito em outro, e só outro quereria que
este mesmo fosse.
Mas, se um dia me esquecer de tudo, espero envelhecer
tomando café em Creta com o Minotauro,
sob o olhar de deuses sem vergonha.

II

O Minotauro compreender-me-á.
Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
Violava e devorava virgens, como todas as bestas.
Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,
que Valéry, o cretino, achava um dos mais belos da "langue".
Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou.
Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,
riu-lhe no focinho respeitável.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto
o sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,
cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida.

III

É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado
a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia
aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque,
como toda a gente, não sabe português.
Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações.
Conversaremos em volapuque, já
que nenhum de nós o sabe. O Minotauro
não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia,
de toda esta merda douta que nos cobre há séculos,
cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos
os escravos de outros. Ao café,
diremos um ao outro as nossas mágoas.

IV

Com pátrias nos compram e nos vendem,
à falta de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha
de não pertencer a elas. Nem eu, nem o Minotauro, teremos nenhuma pátria.
Apenas o café,
aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil,
da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café
contudo e que eu, com filial ternura, verei escorrer-lhe do queixo de boi
até aos joelhos de homem que não sabe
de quem herdou, se do pai, se da mãe, os cornos retorcidos que lhe ornam a
nobre fronte anterior a Atenas, e, quem sabe,
à Palestina, e outros lugares turísticos,
imensamente patrióticos.

V

Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida,
sem pátrias e sem espírito,
sem nada, nem ninguém,
que não o dedo sujo,
hei-de tomar em paz o meu café.


Jorge de Sena, Antologia Poética, Guimarães Editores 2010.

Hino a Eros

Éros, invencível inimigo 
Éros, que sobre a abundân
cia te lanças
Que guardas de noite à rapari
ga as suas feições suaves
Lanças-te para lá do mar
e das searas
Nenhum dos imortais
te escapa e nenhum
dos efémeros mor
tais Quem te tem
desvaria.

Tu esquartejas o juízo
dos justos até à in
justiça E agora conjuras esta dis
córdia entre familiares perplexos
O desejo fulgurante triunfa
nas feições da noiva
abençoada, tão poderoso
quanto as maiores
das leis Invencível tró
ça de nós Aphrodita.

Sóphocles. Antígona. 781-801. Tradução minha.


Ἔρως ἀνίκατε μάχαν,
Ἔρως, ὃς ἐν κτήμασι πίπ-
τεις, ὃς ἐν μαλακαῖς παρει-
αῖς νεάνιδος ἐννυχεύεις,
φοιτᾷς δ' ὑπερπόντιος ἔν τ'
ἀγρονόμοις αὐλαῖς·
καί σ' οὔτ' ἀθανάτων
φύξιμος οὐδεὶς οὔθ'
ἁμερίων ἐπ' ἀνθρώ-
πων, ὁ δ' ἔχων μέμηνεν.

Σὺ καὶ δικαίων ἀδίκους
φρένας παρασπᾷς ἐπὶ λώ-
βᾳ· σὺ καὶ τόδε νεῖκος ἀν-
δρῶν ξύναιμον ἔχεις ταράξας·
νικᾷ δ' ἐναργὴς βλεφάρων
ἵμερος εὐλέκτρου
νύμφας, τῶν μεγάλων
πάρεδρος ἐν ἀρχαῖς θες-
μῶν· ἄμαχος γὰρ ἐμπαί-
ζει θεὸς Ἀφροδίτα.

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segunda-feira, 19 de março de 2012

Memórias de Roma §3

Tiziano Vecellio, Vénus vendando o Amor (c. 1565) @ Galeria Borghese, Roma.

domingo, 18 de março de 2012

Leitores Atentos §15, ou Se

Burne-Jones, A Roda da Fortuna (1863)







Digo-vos: este desceu para sua casa justificado*, ao contrário daquele, pois todo o que se eleva será abaixado, e o que se abaixa será elevado.
*o sentido primeiro do verbo sobrevive ainda em expressões como: justificar o texto (graficamente falando).
[λέγω ὑμῖν, κατέβη οὗτος δεδικαιωμένος εἰς τὸν οἶκον αὐτοῦ παρ' ἐκεῖνον: ὅτι πᾶς ὁ ὑψῶν ἑαυτὸν ταπεινωθήσεται, ὁ δὲ ταπεινῶν ἑαυτὸν ὑψωθήσεται.]
Lucas 18, 14

Dizem que ele [Quílon] também interrogou Esopo sobre que coisa [ou: que raio] Zeus estava a fazer, e este [Esopo] respondeu: «a abaixar o [que está] elevado e a elevar o [que está] em baixo».
[φασὶ δ' αὐτὸν καὶ Αἰσώπου πυθέσθαι, ὁ Ζεὺς τί εἴη ποιῶν· τὸν δὲ φάναι, “τὰ μὲν ὑψηλὰ ταπεινοῦν, τὰ δὲ ταπεινὰ ὑψοῦν.”]
Diógenes Laércio, Vidas e Opiniões dos Filósofos Ilustres I.69

um se medeia entre a acção divina como castigo/recompensa por um dado uso da liberdade própria e uma fortuna implacável que, pela sua própria lei, que é o giro, sem mérito ou culpa abaixa ou eleva os sujeitos. 

Memórias de Roma §2

Felice Giani, Dança das Bacantes (1782-85) @ Galeria Borghese, Roma.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Simbelmynë, ou No Parent Should Have To Bury Their Child




E conta também Dioscórides, nos Memoráveis, que quando Sólon chorou o filho que lhe havia morrido ([notícia] que não nos chegou [de outras fontes]), a um que lhe dizia: "Mas nada conseguirás [com isso] [i.e.: chorar não fará o teu filho regressar dos mortos: nada podes fazer]", respondeu: "Por isso mesmo choro: porque nada posso*".
*em abono da verdade, o verbo é o mesmo que antes foi traduzido como «conseguir algo», tradução mais fiel ao sentido do grego, que significa algo como «alcançar», «completar», «levar a cabo com sucesso».

[καὶ αὐτόν φησι Διοσκουρίδης ἐν τοῖς Ἀπομνημονεύμασιν (FGrH 594 F 6), ἐπειδὴ δακρύει τὸν παῖδα τελευτήσαντα, ὃν ἡμεῖς οὐ παρειλήφαμεν, πρὸς τὸν εἰπόντα, “ἀλλ' οὐδὲν ἀνύτεις,” εἰπεῖν, “δι' αὐτὸ δὲ τοῦτο δακρύω, ὅτι οὐδὲν ἀνύτω.”]

Diógenes Laércio, Vidas e Opiniões dos Filósofos Ilustres I.63

Música Popular Latina

ecce homo qui est faba
vede o homem que é um feijão [bean]

Singularidades do Direito Ibero

Guerreiro de Mogente (circa 400 a.C.)












Forma específica de clientela. originária da Hispânia primitiva, era a devotio, que os Iberos praticavam com frequência. Tratava-se de uma variante da clientela militar, tipificada pela intervenção de um elemento religioso. O cliente, que tomava o nome de devotus ou soldurius, além de ficar adstrito a seguir o patrono na guerra, consagrava a sua vida a uma divindade para que esta a aceitasse em troca da vida do patrono. Se o patrono morria no combate, o soldúrio deveria suicidar-se, porque isso significava que a divindade não aceitara o sacrifício e que, consequentemente, a sua vida se tornou ilícita. 

Mário Júlio de Almeida Costa, História do Direito Português pg. 88
Almedina, Coimbra: 2011 [5ª edição] (com colaboração de Rui Marcos).

quinta-feira, 15 de março de 2012

Memórias de Roma §1

Salvador Dalí, Academia Neo-Cubista: Composição Com 3 Figuras (1926) @ Museu de Monserrat
visto no Complesso del Vittoriano, Roma, na mostra Dalí: un artista, un genio.

confronte-se (a própria exposição chamava a atenção para o diálogo entre as obras):

Annibale Carraci, A Escolha de Héracles (1596) @ Galeria Capodimonte, Nápoles.
A parábola da escolha de Héracles [DK 84 B2] pode ser lida na íntegra aqui (Xenofonte, Memoráveis 2.1.21-34). 

'Agamémnon', em verso at last


terça-feira, 13 de março de 2012

Os primeiros frutos

Na verdade, tal como cada um dos homens piedosos dedica os primeiros frutos anuais, que venha a recolher das suas posses, da mesma forma, todo o povo devotou uma grande parte daquela região, para que emigrara, o reino de imediato conquistado, como primeiros frutos da sua colónia. Pois não consideravam sagrado distribuir a terra ou habitar as cidades, antes de fazerem uma oferenda de primeiros frutos da região e das cidades.

Fílon de Alexandria, De Vita Mosis, §254. Versão minha.

καθάπερ γὰρ εἷς ἕκαστος τῶν εὐσεβούντων ἀπὸ τῶν ἐτησίων ἀπάρχεται καρπῶν, οὓς ἂν ἐκ τῶν ἰδίων συγκομίζῃ κτημάτων, τὸν αὐτὸν τρόπον καὶ ὅλον τὸ ἔθνος μεγάλης χώρας, εἰς ἣν μετανίστατο, μέγα τμῆμα, τὴν εὐθὺς αἱρεθεῖσαν βασιλείαν, ἀνέθηκεν ἀπαρχήν τινα τῆς ἀποικίας· οὐ γὰρ ἐνόμιζεν ὅσιον εἶναι διανείμασθαι γῆν ἢ πόλεις κατοικῆσαι, πρὶν καὶ τῆς χώρας καὶ τῶν πόλεων ἀπάρξασθαι.

sábado, 10 de março de 2012

Numa mão sempre a espada e noutra a pena

Ταῦτα καὶ παραπλήσια τούτοις εἰπὼν κατέβην. συνεπαινεσάντων δὲ πάντων καὶ οὐδενὸς εἰπόντος ἐναντίον οὐδέν, οὐκ εἶπον μὲν ταῦτα, οὐκ ἔγραψα δέ, οὐδ' ἔγραψα μέν, οὐκ ἐπρέσβευσα δέ, οὐδ' ἐπρέσβευσα μέν, οὐκ ἔπεισα δὲ Θηβαίους, ἀλλ' ἀπὸ τῆς ἀρχῆς ἄχρι τῆς τελευτῆς διεξῆλθον, καὶ ἔδωκ' ἐμαυτὸν ὑμῖν ἁπλῶς εἰς τοὺς περιεστηκότας τῇ πόλει κινδύνους.

Disse tudo isso e desci do balcão. Todos laudaram o que eu disse, ninguém se opôs; e eu não me limitei a falar, sem depois propor a moção; nem me limitei a propor a moção, sem depois me oferecer para ir eu mesmo enquanto embaixador aos Thebanos; nem me limitei a servir de embaixador, sem que depois fosse capaz de os persuadir. Estive presente do princípio até ao fim, e ofereci-me sempre sem hesitações para encarar de frente os perigos que ameaçavam a cidade.

Demósthenes. De Corona 179. Tradução minha.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Amor est magister artium et gubernator

Magistrum quidem artium esse intelligemus si modo considerabimus neminem umquam artem aliquam aut invenire aut discere posse, nisi investigationis oblectatio et inveniendi desiderium incitet, et qui docet, discipulos diligat ac discipuli eam doctrinam avidissime sitiant. Gubernator preterea merito nominatur. Artis enim opera diligenter exequitur atque exacte consumat, quicumque et artificia ipsa et personas quibus illa fiunt, maxime diligit. Accedit ad haec quod artifices in artibus singulis nihil aliud quam amorem inquirunt et curant.

Podemos facilmente entender a natureza do mestre de todas as artes se considerarmos que nunca ninguém é capaz de descobrir ou de aprender uma arte seja ela qual for, a não ser que seja impelido pelo prazer da procura ou pelo desejo da descoberta; que aquele que ensina ame os seus alunos; e que os alunos por sua vez sejam ávidos da doutrina que estudam. Ainda para além disto, é com razão que lhe chamamos comandante, pois apenas é capaz de analisar os productos das artes com diligência, e de as terminar com exactidão, aquele que ama tanto os próprios artifícios quanto as pessoas pelas quais eles se fazem. Acresce a isto que os artífices em cada uma das artes não pesquisam nem procuram nada a não ser o Amor.

Marsilius FicinusCommentarium in Platonis Convivium. III.3. Tradução minha.

Tudo é presença aqui, e o tempo é dia.

Canto Diurno

No silêncio bebe a sua taça
e é dor o amor enquanto espera,
imagina o desejo de repente
e lentamente olha o olhar do Outro.
Conhecer é amar, disse o divino
Platão ou outro filósofo antigo.
Porém como traçar na sombra
da persiana de luz o esboço
do teu rosto escasso ausente,
se no diurno amor a memória
o faz mais esquecer-se?

Quando Março me dá a nova flor
que abre sem palavras a corola,
eu comparo-a com o amor que eclode
na pupila do olhar em luz e sombra.
Todo o ventre é bendito, tanto
mais o da primavera do cio
de aves e flores. Também o desejo
imaginou a língua sem palavras,
e que é a do som do Canto e dos poemas.

Este diurno Amor está em corpo,
e num e noutro, como o pão partido
no banquete dos convivas silenciosos
que é o de cada um consigo e os outros.
Nenhuma coisa ausente o partilha,
quando as estações do tempo passam
por nós depois da Primavera e param
na longa mesa posta para o Verão.
Tudo é presença aqui, e o tempo é dia.

Fiama Hasse P. Brandão, in Cantos do Canto, Relógio d'Água

quinta-feira, 8 de março de 2012

the sweet power of musicke

Ἀλλ´ οὐ μέντοι οὐδ´ ὁ Τιμόθεος τὴν μελῳδίαν ἀφεὶς ἐν ταῖς παλαίστραις διῆγεν. Οὐ γὰρ ἂν τοσοῦτον ὑπῆρξεν αὐτῷ διενεγκεῖν ἁπάντων τῇ μουσικῇ, ᾧ γε τοσοῦτον περιῆν τῆς τέχνης ὥστε καὶ θυμὸν ἐγείρειν διὰ τῆς συντόνου καὶ αὐστηρᾶς ἁρμονίας, καὶ μέντοι καὶ χαλᾶν καὶ μαλάττειν πάλιν διὰ τῆς ἀνειμένης, ὁπότε βούλοιτο. Ταύτῃ τοι καὶ Ἀλεξάνδρῳ ποτὲ τὸ Φρύγιον ἐπαυλήσαντα ἐξαναστῆσαι αὐτὸν ἐπὶ τὰ ὅπλα λέγεται μεταξὺ δειπνοῦντα, καὶ ἐπαναγαγεῖν πάλιν πρὸς τοὺς συμπότας, τὴν ἁρμονίαν χαλάσαντα.

Um dia Timótheo abandonou os seus estudos da melodia e começou a passar o seu tempo na palestra [onde exercitava o corpo]. Se não o tivesse feito a sua música não teria sido muito melhor que a de todos os outros; mas assim, de tal maneira os ultrapassou a todos, que era capaz de agitar os espíritos com os seus ritmos curtos e austeros, e logo a seguir acalmá-los e suavizá-los de novo apenas mudando de harmonia. Uma dia, enquanto a meio do jantar tocava com a flauta para Alexandre ritmos phrýgios*, fez com que ele se levantasse subitamente e se lançasse às armas, e logo a seguir ao passar para uma música mais calma fê-lo voltar de novo para junto dos seus convivas.

Basílio de Cesareia. Aos Jovens, sobre como possam derivar benefícios do estudo das Letras Gregas. VIII. 33-44

* Género de música bélica.



The man that hath no musicke in himselfe,
Nor is not moued with concord of sweet sounds,
Is fit for treasons, stratagems, and spoyles,
The motions of his spirit are dull as night,
And his affections darke as Erobus,
Let no such man be trusted: marke the musicke.

Shakespeare. The Merchant of Venice. V.1 83-88


(com um obrigado à Joana)

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Grécia numa linha

Ἱππόλοχος δέ μ' ἔτικτε, καὶ ἐκ τοῦ φημι γενέσθαι·
πέμπε δέ μ' ἐς Τροίην, καί μοι μάλα πόλλ' ἐπέτελλεν
αἰὲν ἀριστεύειν καὶ ὑπείροχον ἔμμεναι ἄλλων,
μηδὲ γένος πατέρων αἰσχυνέμεν, οἳ μέγ' ἄριστοι
ἔν τ' Ἐφύρῃ ἐγένοντο καὶ ἐν Λυκίῃ εὐρείῃ.
ταύτης τοι γενεῆς τε καὶ αἵματος εὔχομαι εἶναι.

Hippóloco gerou-me, é por ele que sou o que sou,
Enviou-me para Tróia, e deu-me instruções certas:
Ser sempre o melhor, e ir sempre além dos outros,
Não me envergonhar dos meus antepassados, os melhores
Que alguma vez houve na Éphyra e na extensa Lýcia.
Orgulho-me de partilhar desta raça e deste sangue.

Ilíada. VI. 206-211. Tradução minha.



"Immer sollst du der Erste sein und den Andern vorragen: Niemanden soll deine eifersüchtige Seele lieben, es sei denn den Freund" - diess machte einem Griechen die Seele zittern: dabei gieng er seinen Pfad der Grösse.

Tens de ser sempre o melhor e superar os outros. A tua alma invejosa não pode amar ninguém além do teu amigo" - isto fez a alma do Grego vibrar: assim se pôs ele no caminho da grandeza.

Nietzsche. Also Sprach Zarathustra. I.15. Tradução minha.

terça-feira, 6 de março de 2012

Uma estrada bizantina

Curso Livre: Textos e Mitos da Antiguidade Clássica

COORDENAÇÃO:
Doutora Cristina Abranches Guerreiro
Doutora Ana Alexandra Alves de Sousa

O curso visa dar a conhecer a recepção de alguns mitos clássicos na Cultura Ocidental; transmitir os elementos linguísticos básicos da língua grega, para permitir aceder directamente às fontes e reflectir sobre a herança linguística grega na língua portuguesa.

O curso decorrerá às terças (das 18:00 às 20:00) e aos sábados (das 10:00 às 13:00). Terá início a 6 de Março.

Curso equivalente a 3 ECTS
INSCRIÇÕES LIMITADAS
Preço: 120 €
Inscrições abertas no Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa.
e-mail: centro.classicos@fl.ul.pt

Inscrições aceites até 10 de Março. Início oficial do curso: 10 de Março.

domingo, 4 de março de 2012

Miller em Cnossos

Fresco do Palácio de Cnossos


«Cnossos sugere, em todas as suas manifestações, o esplendor, a sanidade e a opulência de um povo poderoso e pacífico. É alegre – alegre, sadia, limpa, salubre. O homem comum desempenhava, evidentemente, um papel importante. Tem-se afirmado que, durante a longa história de Cnossos, foram lá testadas todas as formas de governo conhecidas do homem. Em vários aspectos está muito mais próxima em espírito dos tempos modernos, do século XX, poder-se-ia dizer, do que épocas posteriores do mundo helénico. Sente-se a influência do Egipto, a proximidade humana e despretensiosa do mundo etrusco, a sabedoria do espírito comunitário de organização dos incas. Não tenho a pretensão de saber, mas senti, como raramente me aconteceu perante as ruínas do passado, que a paz terá aqui reinado, ao longo de muitos séculos. Cnossos tem um certo espírito prático, o tipo de atmosfera evocado quando se diz “chinês” ou “francês”. O aspecto religioso parece misericordiosamente esbatido. As mulheres desempenhavam um papel de igual importância nos assuntos deste povo, e o espírito lúdico é marcadamente manifesto. Em suma, o tom prevalecente é a alegria. Sente-se que o homem vivia para viver, que não era atormentado por pensamentos de uma vida além da morte, que não era oprimido nem restringido por uma reverência desmesurada perante os espíritos ancestrais, que era religioso da única maneira que se adequa ao homem, tirando o melhor partido de tudo o que vem à mão, extraindo o máximo da vida, de cada minuto que passava. Cnossos era mundana no melhor sentido da palavra. A civilização de que era epítome ruiu mil e quinhentos anos antes da chegada do Salvador, mas deixou ao mundo ocidental um legado único, o maior legado conhecido do homem: o alfabeto. Noutra parte da ilha, em Gortina esta descoberta foi imortalizada em enormes blocos de pedra que percorrem o campo como uma muralha da China em miniatura. Actualmente, o alfabeto já não tem magia: é uma forma morta de exprimir pensamentos mortos.»

Henry Miller n' O Colosso de Maroussi ; Trad.: Raquel Mouta, Tinta-da-China, 2011

Cântico da Pérola II

continuação desta sequência.


cheguei vindo da Anatólia
depois de percorrer um caminho difícil e assustador com dois guias.
nunca antes tinha viajado.
depois de atravessar as fronteiras de Maishan,
onde há uma pousada para os mercadores da Anatólia
cheguei à terra da Babilónia.
quando cheguei ao Egipto,
os dois guias que me acompanhavam
partiram.

pus-me a caminho em direcção à serpente pelo caminho mais veloz,
detive-me ante o covil dela
à espera
que quando a noite chegasse
e ela adormecesse
eu lhe pudesse tirar a Pérola.

estava sozinho,
e era evidente a todos os que se cruzassem comigo que eu era um estrangeiro.
vi um parente meu da Anatólia,
um jovem livre, gracioso e pujante –
um filho de reis.
achegou-se a mim e tive-o como companheiro
e como amigo,
fi-lo meu parceiro na minha viagem.
persuadi-o a evitar os Egípcios,
e a desprezar os seus costumes impuros.
vesti roupas dele para que não reparassem que eu era estrangeiro,
alguém vindo de fora para levar comigo
a Pérola;
temia que os Egípcios despertassem a serpente
e a incitassem contra mim.

não sei de que modo descobriram que eu não era da terra deles.
misturaram insídias com a sua arte
e fizeram- me provar a comida deles:
esqueci-me que era filho de um rei,
tornei-me um servo do rei deles.
esqueci-me também da Pérola
pela qual os meus pais me tinham enviado.
com o peso da comida deles
caí num sono profundo.


ἠρχόμην δὲ ἐξ Ἀνατολῆς ἐφ' ὁδὸν δυσχερῆ τε καὶ φοβερὰν μεθ' ἡγεμόνων δύο. ἄπειρος δὲ ἤμην τοῦ ταύτην ὁδεῦσαι. παρελθὼν δὲ καὶ τὰ τῶν Μοσάνων μεθόρια ἔνθα ἐστὶν τὸ καταγώγιον τῶν ἀνατολικῶν ἐμπόρων ἀφικόμην εἰς τὴν τῶν Βαβυλωνίων χώραν. εἰσελθόντος δέ μου εἰς Αἴγυπτον ἀπέστησαν οἱ συνο- δεύσαντές μοι ἡγεμόνες· ὥρμων δὲ ἐπὶ τὸν δράκοντα τὴν ταχίστην καὶ περὶ τὸν τούτου φωλεὸν κατέλυον ἐπιτηρῶν νυστάξαι καὶ κοιμηθῆναι τοῦτον ὅπως μου τὸν μαργαρίτην ὑφέλωμαι. μόνος δὲ ὢν ἐξενιζόμην τὸ σχῆμα καὶ τοῖς ἐμοῖς ἀλλότριος ἐφαινόμην. ἐκεῖ δὲ εἶδον ἐμὸν συγγενῆ τὸν ἐξ Ἀνατολῆς τὸν ἐλεύθερον παῖδα εὐχαρῆ καὶ ὡραῖον υἱὸν μεγιστάνων· οὗτός μοι προσελθὼν συγγέγονεν καὶ συνόμιλον αὐτὸν ἔσχον καὶ φίλον καὶ κοινωνὸν τῆς ἐμῆς πορείας ποιησάμενος. παρεκελευσάμην δὲ αὐτῷ τοὺς Αἰγυπτίους φυλάσσεσθαι καὶ τῶν ἀκαθάρτων τούτων τὴν κοινωνίαν. ἐνεδυσάμην δὲ αὐτῶν τὰ φορήματα ἵνα μὴ ξενίζωμαι ὥσπερ ἔξωθεν ἐπὶ τὴν τοῦ μαργαρίτου ἀνάληψιν καὶ τὸν δράκοντα διυπνίσωσιν κατ' ἐμοῦ οἱ Αἰγύπτιοι. οὐκ οἶδα δὲ ἐξ οἵας ἔμαθον προφάσεως ὡς οὐκ εἰμὶ τῆς χώρας αὐτῶν· δόλῳ δὲ συνέμειξάν μοι τέχνην καὶ ἐγευσάμην τῆς αὐτῶν τροφῆς. ἠγνόησα ἐμαυτὸν υἱὸν ὄντα βασιλέως· τῷ δὲ αὐτῶν ἐδούλευσα βασιλεῖ. ἦλθον δὲ καὶ ἐπὶ τὸν μαργαρίτην ἐφ' ὃν οἱ πατέρες μου ἀπεστάλκασίν με· τῷ δὲ τῆς τροφῆς αὐτῶν βάρει εἰς ὕπνον κατηνέχθην βαθύν.

sábado, 3 de março de 2012

um poema de Sólon

eu reuni o povo com um propósito.
será que parei antes de o alcançar?
se eu tiver agido com justiça, a minha testemunha
será um dia a mãe de todos os deuses Olýmpicos,
a poderosa Terra Negra, da qual eu
arranquei os marcos espalhados por todo o lado
que a escravizavam – agora ela é livre.
reconduzi para a nossa pátria filha de deuses, para Athenas,
muitos dos que tinham sido vendidos, alguns deles injustamente
outros justamente, outros ainda forçados
a fugir a dívidas, e que já nem falavam a língua
áttica, de tal modo por todo o lado os escorraçavam-
e ainda aqueles que aqui serviam
desonradamente, com pavor dos caprichos dos amos –
tornei-os Livres. com o meu poder
entreteci a justiça com a força da lei,
e tudo cumpri como me propusera -
escrevi leis iguais para o bom e para o vilão
fazendo com que para cada um a justiça fosse
recta. se tivesse sido outro que não eu a pegar no aguilhão,
um homem de má índole, dos que amam honrarias,
não teria sido capaz de conter o povo. se eu tivesse feito
aquilo que aprazia aos meus adversários,
ou ainda aquilo que todos me aconselhavam,
esta cidade teria sido privada de muitos homens;
foi por isso que montei à minha volta defesas
como um lobo que se revira numa matilha de cadelas.

Sólon. Fr. 36. Tradução minha.


Ἐγὼ δὲ τῶν μὲν οὕνεκα ξυνήγαγον
δῆμον, τί τούτων πρὶν τυχεῖν ἐπαυσάμην;
συμμαρτυροίη ταῦτ᾽ ἂν ἐν δίκῃ χρόνου
μήτηρ μεγίστη δαιμόνων Ὀλυμπίων
ἄριστα, γῆ μέλαινα, τῆς ἐγώ ποτε
ὅρους ἀνεῖλον πολλαχῇ πεπηγότας,
πρόσθεν δὲ δουλεύουσα, νῦν ἐλευθέρα.
πολλοὺς δ᾽ Ἀθήνας πατρίδ᾽ εἰς θεόκτιτον
ἀνήγαγον πραθέντας, ἄλλον ἐκδίκως,
ἄλλον δικαίως, τοὺς δ᾽ ἀναγκαίης ὕπο
χρειοῦς φυγόντας, γλῶσσαν οὐκέτ᾽ Ἀττικὴν
ἱέντας ὡς ἂν πολλαχῇ πλανωμένους,
τοὺς δ᾽ ἐνθάδ᾽ αὐτοῦ δουλίην ἀεικέα
ἔχοντας, ἤδη δεσποτῶν τρομευμένους,
ἐλευθέρους ἔθηκα. ταῦτα μὲν κράτει
νομοῦ βίαν τε καὶ δίκην συναρμόσας
ἔρεξα, καὶ διῆλθον ὡς ὑπεσχόμην.
θεσμοὺς δ᾽ ὁμοίως τῷ κακῷ τε κἀγαθῷ
εὐθεῖαν εἰς ἕκαστον ἁρμόσας δίκην
ἔγραψα. κέντρον δ᾽ ἄλλος ὡς ἐγὼ λαβών,
κακοφραδής τε καὶ φιλοκτήμων ἀνήρ,
οὐκ ἂν κατέσχε δῆμον, εἰ γὰρ ἤθελον
ἃ τοῖς ἐναντίοισιν ἥνδανεν τότε,
αὖθις δ᾽ ἃ τοῖσιν οὕτεροι φρασαίατο,
πολλῶν ἂν ἀνδρῶν ἥδ᾽ ἐχηρώθη πόλις.
τῶν οὕνεκ᾽ ἀλκὴν πάντοθεν κυκεύμενος
ὡς ἐν κυσὶν πολλῇσιν ἐστράφην λύκος.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Theodor Mommsen Wants to Know Where you at

O grande Theodor Mommsen, prémio Nobel, e historiador maior do Império Romano, deixa mensagens.









 Todos eles roubados daqui.

Classica Digitalia - Edição Especial

informação recebida pela Origem da Comédia

Os Classica Digitalia têm o gosto de colocar à disposição dos seus leitores 45 novas obras, editadas anteriormente em formato impresso, elevando assim para 105 o número total de volumes disponíveis. Trata-se de uma iniciativa comum da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC) e do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, com o apoio da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (que cedeu os direitos de reprodução de algumas obras). Parte destes livros encontra-se já fora de circulação, mas outros podem ainda ser adquiridos, em versão impressa, através do site da Imprensa da Universidade de Coimbra. (Aqui.)



1. História, cultura e literatura gregas
- Pulquério, Manuel de Oliveira, Problemática da tragédia sofocliana (Coimbra, 21987). 153 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/99

- Ferreira, José Ribeiro, Da Atenas do séc. VII a.C. às reformas de Sólon (Coimbra 1988). 125 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/91

- Ferreira, José Ribeiro, Participação e poder na democracia grega (Coimbra, 1990). 155 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/112

- Morais, Carlos, Expectativa e movimento no Filoctetes (Coimbra, 1991). 176 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/97

- Oliveira, Francisco de, & Silva, Maria de Fátima Sousa, O teatro de Aristófanes Coimbra, 1991). 249 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/107

- Fialho, Maria do Céu G. Z., Luz e trevas no teatro de Sófocles (Coimbra, 1992). 230 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/95

- Soares, Carmen Isabel Leal, O discurso do extracénico. Quadros de guerra em Eurípides (Coimbra e Lisboa, 1999). 127 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/106

- Ferreira, José Ribeiro (coord.), Plutarco, educador da Europa (Porto e Coimbra, 2002). 377 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/114
PVP: 15 €

- Ferreira, José Ribeiro & Leão, Delfim Ferreira, Os fragmentos de Plutarco e a recepção da sua obra (Coimbra, 2003). 264 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/111
PVP: 15 €

2. História, cultura e literatura latinas
- Oliveira, Francisco de, Les idées politiques et morales de Pline l'Ancien (Coimbra, 1992). 438 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/93

- Leão, Delfim Ferreira, As ironias da Fortuna. Sátira e moralidade no Satyricon de Petrónio (Coimbra e Lisboa, 1998). 162 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/86

- Brandão, José Luís Lopes, Da quod amem. Amor e amargor na poesia de Marcial (Coimbra e Lisboa, 1998). 158 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/92

- Ferreira, Paulo Sérgio, Os elementos paródicos no Satyricon de Petrónio e o seu significado (Coimbra e Lisboa, 2000). 163 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/110

- Gonçalves, Carla Susana Vieira, Invectiva na tragédia de Séneca (Coimbra e Lisboa, 2003). 171 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/102

- Brandão, José Luís, Pimentel, Cristina & Leão, Delfim F., Toto notus in orbe Martialis. Celebração de Marcial 1900 anos após a sua morte (Coimbra e Lisboa, 2004). 327 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/123

3. Estudos medievais e renascentistas
- Osório, Jorge Alves: A Oração sobre a Fama da Universidade (1548). Prefácio, introdução, tradução e notas (Coimbra, 1967). 193 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/124

- Silva, Maria Margarida B. G. & Ramalho, Américo da Costa, Cataldo Parísio Sículo. Duas orações (Coimbra, 1974). 151 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/98

- Vieira, Dulce da Cruz & Ramalho, Américo da Costa, Cataldo Parísio Sículo. Martinho, Verdadeiro Salomão (Coimbra, 1974). 161 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/105

- Ramalho, Américo da Costa, Estudos camonianos (Coimbra, 1975). 155 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/96

- Matos, Albino de Almeida, A oração de sapiência de Hilário Moreira (Coimbra, 1990). 129 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/108

- Santoro, Mario, Amato Lusitano ed Ancona (Coimbra, 1991). 203 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/121

- Pereira, Belmiro Fernandes, As orações de obediência de Aquiles Estaço (Coimbra, 1991). 181 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/89

- André, Carlos Ascenso, Um judeu no desterro. Diogo Pires e a memória de Portugal (Coimbra, 1992). 197 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/122

- Pinho, Sebastião Tavares & Ferreira, Luísa de Nazaré (Coords.), Anchieta em Coimbra – Colégio das Artes da Universidade. Vol. I (1548-1998) (Porto, 2000). 461 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/82

- Pinho, Sebastião Tavares & Ferreira, Luísa de Nazaré (Coords.), Anchieta em Coimbra – Colégio das Artes da Universidade. Vol. II (1548-1998) (Porto, 2000). 452 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/83

- Pinho, Sebastião Tavares & Ferreira, Luísa de Nazaré (Coords.), Anchieta em Coimbra – Colégio das Artes da Universidade. Vol. III (1548-1998) (Porto, 2000). 446 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/84

-Dias, Paula Cristina Barata, Regula Monastica Communis ou Exhortatio ad Monachos? (Séc. VII, Explicit). Problemática, tradução e comentário (Coimbra e Lisboa, 2001). 188 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/116

- Urbano, Carlota Miranda, A oração de sapiência do Pe. Francisco Machado SJ (Coimbra – 1629). Estudo, tradução e comentário (Coimbra e Lisboa, 2001). 202 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/109

- Marques, Susana, Dois epitalâmios de Manuel da Costa (séc. XVI). Introdução, tradução, notas e comentário (Coimbra e Lisboa, 2005). 146 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/94

4. Estudo e ensino das línguas clássicas
- Fonseca, Carlos Alberto Louro, Iniciação ao grego (Coimbra, 21987). 282 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/100

- Fonseca, Carlos Alberto Louro, Sic itur in Vrbem. Iniciação ao Latim (Coimbra, 72000). 412 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/101
PVP: 15 €

- Actas do Congresso. As Línguas Clássicas, Investigação e Ensino. Vol. I (Coimbra, 1993). 321 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/87

- Actas do Congresso. As Línguas Clássicas, Investigação e Ensino. Vol. II (Coimbra, 1995). 342 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/88

- Ferreira, José Ribeiro & Dias, Paula Barata (coord.), Som e imagem no ensino das Línguas Clássicas (Coimbra, 2003). 376 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/120
PVP: 15 €

5. Perenidade dos estudos clássicos
- Ramalho, Américo da Costa & Nunes, J. de Castro, Catálogo dos manuscritos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, relativos à Antiguidade Clássica (Coimbra, 1945). 116 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/90

- Actas do Congresso Internacional. As Humanidades greco-latinas e a civilização do universal (Coimbra, 1988). 667 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/85

- Actas do Colóquio. Medeia no drama antigo e moderno (11 e 12 de Abril de 1991) (Coimbra, 1991). 243 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/104

- Silva, Maria de Fátima Sousa (coord.), Representações de teatro clássico no Portugal contemporâneo, Vol. I (Coimbra e Lisboa, 1998). 256 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/119

- Silva, Maria de Fátima Sousa (coord.), Representações de teatro clássico no Portugal contemporâneo, Vol. II (Coimbra e Lisboa, 2001). 441 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/117

- Silva, Maria de Fátima Sousa (coord.), Representações de teatro clássico no Portugal contemporâneo, Vol. III (Coimbra, 2004). 189 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/118

- Actas do I Congresso da APEC. As raízes greco-latinas da cultura portuguesa (Coimbra, 1999). 463 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/115
PVP: 15 €

- Ferreira, José Ribeiro (coord.), A Retórica greco-latina e a sua perenidade. Vol. I (Porto, 2000). 485 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/80

- Ferreira, José Ribeiro (coord.), A retórica greco-latina e a sua perenidade. Vol. II (Porto, 2000). 515 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/81

Oliveira, Francisco de (coord.), Penélope e Ulisses (Coimbra, 2003). 436 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/113
PVP: 20 €

Ferreira, José Ribeiro (coord.), Labirintos do mito (Coimbra, 2004). 149 p.
Hiperligação: https://bdigital.sib.uc.pt/jspui/handle/123456789/103