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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Há um fragmento de um antigo poema grego/ que tem um erro de aritmética.


A Enfermaria, blogue amigo, com gente da casa, que vivamente recomendamos, publicou há dias uma tradução, por João Moita, de um belíssimo poema de Anne Carson, poetisa canadiana, de formação em clássicas, que já aqui, noutras ocasiões, partilhámos. Venham ler:

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Velhice, Segundo os Poetas

Vós,] donzelas, com os belos dons [das Musas] de regaço violeta
sêde zelosas, bem assim com a] lira melodiosa, dos poetas amante.
Pois o meu outrora delicado] corpo, já a velhice
me arrebatou, e brancos] se tornaram os cabelos, negros que eram.
Pesado o meu coração se tornou, não me suportam já as pernas,
em tempos ágeis para a dança, como pequenas corças.
Isso lamento a toda a hora; mas que fazer?
alguém que não envelhece é algo que não pode existir.
Também em tempos Titono, diziam, a Aurora de róseos braços,
levada pelo amor, consigo arrastou para o fim do mundo,
sendo este belo e jovem; mas até dele se apoderou,
com o tempo, a [grisalha] velhice, dele que tinha imortal esposa.

o novo poema de Safo, traduzido por Carlos de Jesus
in Boletim de Estudos Clássicos 44 (2005).

Já os membros não podem comigo, ó donzelas
de vozes doces de encantar. Quem dera que eu fosse como o cérilo,
que voa com os alcíones, à superfície das ondas,
com seu peito inquebrantável, essa ave sagrada, cor de púrpura marinha.

Álcman, frg. 26 Page, traduzido por MHRP,
in Hélade - Antologia da Cultura Clássica

imagem: Os Três Estádios da Mulher (Esfinge), de Munch
c. 1894, @ Colecção Rasmus Meyer, Bergen