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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Conselho aos Poetas


Deve haver, no mais pequeno poema de um poeta, qualquer coisa por onde se note que existiu Homero. (Ricardo Reis)

Talvez a Ilíada não seja um livro, mas a própria ideia de literatura, e todos os outros livros reescrevam incessantemente alguma estrofe ou algum verso seu. (Manuel António Pina, na contracapa da edição da Ilíada, da Cotovia, 2005).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Vantagens da Educação Clássica

Quem na infância leu Horácio no original, ainda que penosamente, poderá, adulto, escrever versos sem metro, ou sequer ritmo regular, mas qualquer equilíbrio íntimo haverá nesses versos que não conseguiria dar-lhes quem não teve esse passado, ainda que formalmente esquecido.

A educação clássica na infância equivale à boa-educação, como vulgarmente se diz, recebida nessa mesma infância. Quem foi bem-educado na infância pode esquecer as boas-maneiras, pode esquecer a etiqueta: o que não esquece é a civilidade, que é o fundamento de ambas.

Quem teve uma educação clássica pode vir a esquecer o latim ou o grego, seus principais veículos, pode perder a firmeza de um e a perspicuidade (harmonia) do outro; contra certos vícios de dicção, contra certas falhas de gosto, terá ficado vacinado. E o que são, na prosa ou no verso, a dicção e o gosto, senão a civilidade da literatura, de que a perspicuidade é só as boas-maneiras e a regularidade só a etiqueta?

Tudo isto, é claro, são generalidades. Há quem tenha um natural bom-gosto e um jeito elegante de dicção, sem que tenha tido uma educação clássica. Há, mas são casos raros. Há quem, tendo tido uma educação clássica cometa faltas de gosto ou, mais raramente, de dicção. Há, mas são excepções. Mas do mesmo modo há indivíduos naturalmente civis e cortezes, sem que beneficiassem na infância da chamada boa-educação.


imagem: Horácio e Lídia, de John Collier