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sábado, 26 de outubro de 2013

A Odisseia de Fátima Lopes



Colecção Odisseia : Uma Cor, Muitos tons




O desfile decorreu no Les Invalides, conhecido monumento parisiense que durante algumas horas acolheu os modelos do Portugal Fashion na Semana da Moda de Prêt-à-Porter de Paris.
A conceituada estilista Fátima Lopes arrasou, no passado dia 1 de Outubro, com a sua nova Colecção Odisseia para a temporada Primavera/Verão de 2014, toda ela inspirada na Grécia, "elegante, feminina e muito forte em simultâneo, uma mulher inspirada no passado, mas transposta para o futuro".
A criadora madeirense fez surgir uma série de modelos que evocam a mitologia grega e as deusas em particular. A designer de moda sublinhou que a mulher que desfilou nesta coleção "quase que não é humana", quase não anda, aparecendo antes em "pontas de pés com saltos", desafiando o equilíbrio.







Ver reportagem RTP Notícias aqui, modelos aqui.



terça-feira, 28 de maio de 2013

[C3|3 #3] Ciclo Clássicos no Cinema II: 'Το βλέμμα του Οδυσσέα/O Olhar de Ulisses', de Theo Angelopoulos (1995)

O ciclo de cinema da Origem fecha-se finalmente com uma última sessão no Porto, em que exibiremos O Olhar de Ulisses, de Theo Angelopoulos, o grande realizador grego que infelizmente nos abandonou há pouco mais de um ano enquanto trabalhava nas filmagens do seu novo filme. Angelopoulos viria a ganhar com a sua obra seguinte, Eternidade e Um Dia (1998), a Palma de Ouro, mas, na altura, desabafou que o palmarés chegava atrasado, com isso reconhecendo O Olhar de Ulisses como a sua grande obra, que foi galardoada em Cannes "apenas" com o Grande Prémio do Júri. 

O Olhar de Ulisses é o filme do meio da trilogia que o realizador dedicou às fronteiras e aos Balcãs (para um resumo do argumento pelo próprio realizador, vide). O personagem principal, um realizador de nome A., percorre a península em busca das bobines do primeiro filme dos irmãos Manakis, os pioneiros do cinema nos Balcãs. A sua viagem replica, de alguma forma, as deambulações de Ulisses e, como o herói clássico, nas suas paragens vai-se cruzando com misteriosas mulheres, que são uma e muitas, a tempos encarnando Circe, Nausícaa, Calipso, Penélope. 

O filme é duplamente pertinente, não só por esta revisitação do motivo homérico (que, de resto, reaparece noutros pontos na obra do realizador) como pela interrogação que constitui sobre a Grécia moderna e, até mais amplamente, sobre os Balcãs (grassava então a guerra em Sarajevo, cujas ruínas são o cenário de fundo de uma das cenas mais belas de toda a filmografia do autor e, quiçá, de todo o cinema). Fica o convite a este desafio de pensar os gregos, velhos e novos, a partir desta meditação filmada de Angelopoulos. Para nos orientar e estimular, teremos connosco Joana Matos Frias, professora da FLUP, que, no início,  nos dará algumas pistas de leitura da obra, em torno da qual conversaremos todos no fim.  


O OLHAR DE ULISSES, de Theo Angelopoulos 
apresentado por Joana Matos Frias
legendas em inglês 

31 de Maio, 18h30 
Sala 201, Faculdade de Letras,
Universidade do Porto, Porto

quarta-feira, 17 de abril de 2013

[C3|2 #2] Ciclo Clássicos no Cinema: 'Le Mépris/O Desprezo', de Jean-Luc Godard (1963)

Depois de termos percorrido o Mediterrâneo com Manoel de Oliveira, convidamos agora os nossos leitores a acompanharem-nos às filmagens de uma peculiar adaptação da Odisseia. O segundo filme do nosso ciclo é O Desprezo, de Jean-Luc Godard, realizador da nouvelle vague por demais célebre. Com Brigitte Bardot e Michel Picolli, trata-se de uma das obras mais conhecidas de JLG. A acção começa com a contratação de Paul, escritor, para corrigir o argumento de uma adaptação cinematográfica da Odisseia, a cargo de um respeitado realizador europeu: Fritz Lang interpretado por — Fritz Lang. A abordagem de Lang não é apreciada pelo produtor americano do filme, exasperado pela forma que este vai assumindo (reflectindo, em boa medida, as tensões que JLG teve, na vida real, com o produtor, também americano, de Le Mépris). Paul é contratado precisamente para resolver a situação, mas quando assume este trabalho a sua relação com a mulher, Camille, começa a deteriorar-se acentuadamente (o que evoca a desintegração da relação entre JLG e Anna Karina). O filme é entrecortado por reflexões várias sobre os gregos, Dante, Hölderlin e Brecht, ao mesmo tempo que a própria acção se desenvolve como glosa subtil à Odisseia. A fama da obra é bem merecida e vamos tentar entrar um pouco mais no seu mistério no final da sessão, em conjunto. Queremos mais gente na sala que pretendentes no palácio de Ulisses. Prometemos: there will be blood!


O DESPREZO, de Jean-Luc Godard
apresentado por Osvaldo Silvestre
com Ricardo Pereira e João Diogo Loureiro no debate final.

23 de Abril, 21h15
Aqui Base Tango,
Rua Venâncio Rodrigues 8, Coimbra

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Leitura pública da «Odisseia»

No dia 21 de janeiro, a República das Letras, programa para alunos do ensino secundário na ilha Terceira, fará uma leitura pública integral da Odisseia de Homero, com tradução de Frederico Lourenço.

Mais informações aqui.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

! ou ?

Greek archaeologists believe they have found the remains of a royal residence of pre-Classical Ithaca, with links to legendary Odysseus (Ulysses) inevitably coming to mind. Excavations by a University of Ioannina team of archaeologists are centred on the Aghios Athanassios site of Ithaca, a small isle in the Ionian Sea - west of mainland Greece - that has long been associated with Homeric hero Odysseus and the epic Odyssey.

"According to evidence so far, which is extremely significant, and taking under consideration scientific reservations, we believe we are before the palace of Odysseus and Penelope; the only one of the Homeric-era palaces that has not yet been discovered," professor Thanassis Papadopoulos told reporters during a briefing last week.

To date, the dig has uncovered remains of a three-storey building with an interior staircase cut into the side of sheer rock. Remnants of Mycenaean-era pottery were also found, along with a fountain dated to the 13 century BC. Similar fountains have been unearthed at the related sites of the acropolis of Mycenae and Tiryns , in southeast mainland Greece , and specifically in the Argolida plain in the NE Peloponnese.

Tirado daqui. Ver também aqui.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Há Notícias Que Eu Fico Contente De Só Saber Com Atraso

After turning Homer’s epic poem "The Iliad" into the 2004 film "Troy," Warner Bros. and Brad Pitt are teaming with George Miller to adapt the Greek poet’s other masterwork, "The Odyssey". Their intention is to transfer the tale to a futuristic setting in outer space. Warner Bros. has quietly set up "The Odyssey," and the early hope is that Pitt will star and Miller will direct, with Pitt’s Plan B producing.Pitt played Achilles in the Wolfgang Petersen-directed "Troy," a global blockbuster that David Benioff adapted from "The Iliad." [...]
Como esta, da Variety, de 16 de Outubro de 2008, mas em que só tropecei no outro dia, vagueando pela net. O IMDB já tem uma entrada para o filme, que aparece categorizado como in development, que é, como se sabe, uma coisa muito vaga: assim continue. Cá para mim, George Miller deve ter andado a ver demasiado Ulisses 31 (creio que existe também uma BD que parte da mesma premissa, que, se não estou em erro, até chegou a ser recenseada no Boletim de Estudos Clássicos, mas estou fora de casa, e por isso não posso confirmar a informação).

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ensinar a 'Odisseia'

Creio que todos conhecerão pelo menos três boas adaptações da Odisseia para crianças e jovens por autores portugueses: uma, o famoso Ulisses de Maria Alberta Meneres, que muitos, adivinho, terão dado na escola; outra, mais velhinha, por João Barros, da Livraria Sá da Costa Editora; e, por fim, de todas a mais fiel e madura, A Odisseia Contada aos Jovens, de Frederico Lourenço, que trabalhou sobre a sua tradução, mantendo alguns passos praticamente intactos, num salutar esforço de elevar o nível de literacia dos seus jovens leitores. Tudo isto mostra, de facto, como a Odisseia é uma estória popular junto dos mais novos e que pode ser uma magnífica porta de entrada para a Grécia Antiga e a sua cultura e literatura. Alguém convencido disso mesmo elaborou este site (em inglês), que disponibiliza um conjunto de recursos online sobre a Odisseia, fundamentalmente vocacionados para professores do ensino básico. Recolhe uma multiplicidade fantástica de materiais (incluindo apresentações de powerpoint), como um perguntas & respostas com Robert Fagles ou um jogo em que podemos escolher ser Ulisses, Penélope ou Telémaco e decidir o que fazer perante uma série de situações, recriando a estória.

imagem: Ulisses e Nausícaa, de Pieter Pietersz Lastman (1619)
@ Alte Pinakothek, Munique

terça-feira, 8 de junho de 2010

A «Odisseia» versão Marvel




























O princípio da Odisseia na colecção da Marvel.

A «Ilíada» e a «Odisseia» versão Marvel





















Descobri ontem, para minha maravilha, que a Marvel fez uma adaptação da Ilíada e outra da Odisseia. A Ilíada está disponível aqui. A Odisseia aqui.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ulisses e a Memória

Qualquer tentativa de compreender, na medida das nossas possibilidade, a natureza da representação e da memória, do facto e da ficção, deve começar no tribunal dos Feaces, no livro VIII da Odisseia. Demódoco, o aedo cego (a vista tornou-se visão) canta para os senhores reunidos e para o seu desconhecido hóspede. Canta as batalhas antes de Tróia, canta Ulisses. Ao ouvir-se cantado, o viajante sucumbe ao pranto. Não apenas, creio, devido ao manifesto pathos da recordação, não apenas porque os sombrios destinos dos seus antigos companheiros de armas lhe são relembrados, mas, de modo mais devastador, porque o recital do aedo obriga Ulisses a confrontar a «dissolução», a disseminação do seu eu vivente. Ele já passou à insubstancial eternidade da ficção. Foi esvaziado numa lenda. Não há poética depois de Homero, não há estudo filosófico sobre o estatuto do imaginário relativamente ao empírico, que seja mais penetrante. Encontram-se, na literatura e nas artes, outros actos priviligeados de reflexividade interior, tais com os fragmentos do Fígaro tocados em casa de D. Juan na sua última ceia, ou com o regresso do narrador a Veneza na obra de Proust. Nenhum deles é mais rico nem mais complexo do que Ulisses ouvindo Demódoco.

George Steiner, Errata: Revisões de uma Vida.
Lisboa, Relógio d'Água: 2009. (trad.: Margarida Vale de Gato)

imagem: ilustração da cena por Flaxman para a tradução
de William Cullen Bryant (Riverside Press, 1905).