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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Orfeu e Eurídice de Olga Roriz
Orfeu e Eurídice, espectáculo coreografado por Olga Roriz
A Companhia Nacional de Bailado encomendou à bailarina e coreógrafa um Orfeu e Eurídice para celebrar os trezentos anos do nascimento de Christoph Willibald Gluck, autor da partitura. No vídeo, mostra de um ensaio de palco.
O espectáculo vai estrear na próxima semana, dia 27 de Ferevereiro e estará em palco durante todo o mês de Março (para mais informações consultar a página da CNB aqui).
Entrevista a Olga Roriz sobre a sua nova criação, 1ª e 2ª Partes.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Balanchine: a harmonia e a lógica clássica do movimento
"A significação máxima do homem pode cifrar-se no seu estar de pé",
Vergílio Ferreira, Invocação ao meu corpo
"A resposta mais clara e mais duradoura, mais eficaz para a afirmação da hegemonia do Bailado, veio já no fim da vida dos Ballet Russes, em 1928, com Apollon Musagète, de Stravinsky-Balanchine. Neste ballet, a tradição clássica, em vez de se renegar ou de se disfarçar, como outras vezes fizera, é assumida completamente, reclamando a sua legitimidade, a sua criatividade. O Bailado proclama a causa da sua autenticidade, a lógica da sua vocação não-narrativa, e apodera-se plenamente da bagagem da técnica clássica para a levar mais longe. (...)
Ao escrever a partitura de Apollo - um ballet que, mais uma vez, parte da doutrina do compositor e não da fé do coreógrafo -, Stravinsky declarava explicitamente as suas intenções:
Podia realizar uma ideia em que pensava havia algum tempo, ou seja, compor um ballet sobre alguns momentos ou episódios da mitologia grega, cuja plasticidade seria dada sob uma forma transfigurada pela dança dita clássica. Decidi-me pelo tema de Apolo Musageta, o chefe das musas inspirando a cada uma a sua arte. Reduzi a três o seu número e escolhi Calíope, Polímnia e Terpsicore como as mais representativas da arte coreográfica. (...)
Apollon foi muitas vezes acusado de não pertencer ao teatro. É verdade que não há uma acção violenta, embora haja um ligeiro fio de história. (...)
Apollon faz parte do movimento geral du retour à l'ordre, à precisão clássica, como resposta à efusão quase barroca do início do século"
José Sasportes, Pensar a Dança, a reflexão estética de Mallarmé a Cocteau, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2006, p.194-196
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| Apollon Musagète |
O bailado Apollon é dividido em duas partes: numa primeira parte, na versão original (muitas vezes ignorada em reposições), um prólogo em que se relata o nascimento de Apolo e a sua mãe em sofrimento de parto; numa segunda parte, Apolo cresce e aperfeiçoa a sua arte. É então visitado por três musas, Calíope, Polímnia e Terpsicore, as quais inicia também, respectivamente, cada uma, na sua arte: poesia, retórica e dança.
Na visualização do vídeo, podemos observar os seguintes momentos baléticos:
.Nascimento de Apolo
.Variação de Apolo,
.Pas de Quatre: Apolo e as Três Musas
.Variação de Calíope
.Variação de Polímnia
.Variação de Terpsicore
.Segunda Variação de Apolo
.Pas de Deux
.Coda
.Apoteose
Vídeo: performance mais antiga do New York City Ballet, restaurada da coreografia original, com cenário completo, nascimento de Apolo e a subida final ao Monte Parnaso
Se a informação encontrada estiver correcta, Apollon foi dançado pela última vez no dia 22 de Setembro de 2012, pelo NewYork City Ballet.
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domingo, 16 de outubro de 2011
Agora em Coimbra
A Minha Electra
As cenas são descoladas e aparentemente sem relação ou objectivo comum, no entanto, vão desvendando uma espécie de personagem misterioso.
É como se houvesse uma inquietação latente naquela mulher, onde cada momento e cada lugar por onde passa tanto são acrescentados como anulados pelos que se seguem.
Cada cena, cada passagem tem uma força estranha, uma vivência e uma certeza que se instala desde o primeiro gesto.
As acções banais entre as cenas carregam a carga do que acabou de fazer, tornando essas acções, também elas, em cenas.
É uma mulher que não pensa nem sente. Ela tortura-se, obriga-se, anula-se...
Castiga-se a passar o tempo congeminando uma nova forma de agir, de estar, de se lamentar, de se preparar, de lutar,... de jamais se esquecer.
Não há resignação, não há desistência, apenas por vezes uma espécie de falso e tranquilo abandono.
Ela mostra sem pudor a sua força e a sua fraqueza, a sua nobreza e a sua humilhação.
Ela é uma mulher assustadoramente presente na sua ausência.
Os seus olhares para o exterior de si são os únicos indicativos da sua espera onde o tempo não existe.
Ela nunca se expõe, apenas se dispõe.
Olga Roriz 24 de Novembro de 2009
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sábado, 17 de julho de 2010
A Dança Em/De Deus, ou Para Emma Goldman

Deixa sem tardar, ao subires aos céus,
À terra o que é terra.
Em breve te juntarás ao Pai,
E, deus, dançarás em Deus.
ἀνάβαινε, μηδὲ μέλλε,
χθονὶ τὰ χθονὸς λιποῖσα·
τάχα δ᾿ ἂν μιγεῖσα πατρὶ
Θεὸς ἐν Θεῷ χορεύσοις.
ἀνάβαινε, μηδὲ μέλλε,
χθονὶ τὰ χθονὸς λιποῖσα·
τάχα δ᾿ ἂν μιγεῖσα πατρὶ
Θεὸς ἐν Θεῷ χορεύσοις.
Sinésio de Cirene (o mais famoso discípulo de Hipácia, que lhe chamava mãe e irmã)
in Rosa do Mundo, Assírio & Alvim, Lisboa: 2001. (trad.: Maria Jorge de Figueiredo)
Eu só acreditaria num deus que soubesse dançar.
Ich würde nur an einen Gott glauben, der zu tanzen verstünde.
Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, Canto I, 'Do Ler e Escrever'
Relógio d'Água, Lisboa: 1998 (trad.: Paulo Osório de Castro)
imagem: fresco da Tomba del Triclinio (480-450 a.C.)
@ Museu Nacional de Tarquinia.
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