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quinta-feira, 19 de julho de 2012

De Todos Ponto e Vírgula

Antoine Coypel, Estudo para o Funeral de Palante
O último Boletim de Estudos Clássicos (Dezembro 2011: o próximo está no prelo, ao que me dizem), que, por um conjunto de vicissitudes, só agora me veio parar às mãos, traz a tradução de uma das quarenta e sete questões abordadas no De Floribus Philosophiae do jesuíta Francisco de Mendonça, a saber: serão os pigmeus verdadeiros homens? O autor procura perceber a verdade da coisa e concorda com as autoridades antigas. Entre os seus muitos argumentos, apresenta um que lembra, na lógica, o que está por detrás do raciocínio da personagem de Samuel L. Jackson no Protegido (2000), de Shyamalan: sabemos que existiram homens gigantes — é natural, portanto, que também tenha havido homens minúsculos (o que os antigos falharam em perceber é que, obviamente, se estavam a referir a uma espécie hoje bem estudada e de todos nós conhecida: os hobbits). Ora quando Francisco de Mendonça apresenta as provas da existência de gigantes, sai-se com isto a páginas tantas:
E, nas letras profanas, é conhecido de todos que Palante, aquele filho de Evandro que Turno matou, ultrapassava, com a sua cabeça, as muralhas da cidade de Roma; pois, quando no ano de 800 depois de Cristo, o seu corpo foi encontrado junto das muralhas da cidade e foi erguido, inteiro, em seus pés, ultrapassava com os ombros as ameias dos muros. 
Aparentemente, explica uma nota da tradutora (Carlota Urbano), esta estória circulava, pois aparece até num livro de ideias para sermões. Ficaria muito contente se alguém me arranjasse mais testemunhos de tão prodigiosa descoberta, confessando que não fiz ainda grandes investigações sobre o assunto, que todavia cativou o meu interesse: não é todos os dias que, já em plena época cristã, se desenterra o corpo de um gigante e este é identificado - e as causas da identificação é o que maior curiosidade me suscita - com um herói da Eneida.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um treinador de futebol americano e a "Eneida"

Joe Paterno, football coach, liked to talk about the Aeneid. For him Virgil’s epic poem provided in the stolid and long-suffering Aeneas the great object lessons of honor, duty, and courage. Paterno gave speeches about heroism and the Aeneid as early as the 1970s. It’s a central motif of his autobiography, Paterno: By the Book (1989), in which we learn that “Aeneas cannot choose not to found Rome; he’s destined to create it. But he has to wrestle with himself, inch by inch, hour by hour—play by play!—to figure out how to endure the struggle and torment of doing it, and take all the bad breaks along the way.” As recently as 2007, Paterno told GQ that the Aeneid has “probably had as much influence on me as anything in my life.”

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre o Comércio da Poesia, e a Ilíada

La transmission de la fausse grandeur à travers les siècles n'est pas particulière à l'histoire. C'est une loi générale. Elle gouverne aussi par exemple les lettres et les arts. Il y a une certaine domination du talent littéraire sur les siècles qui répond à la domination du talent politique dans l'espace; ce sont des dominations de même nature, également temporelles, appartenant également au domaine de la matière et de la force, également basses. Aussi peuvent-elles être un object de marché et d'échange.

L' Arioste n'a pas rougi de dire à son maître le duc d'Este, au cours de son poème, quelque chose qui revient à ceci: Je suis en votre pouvoir pendant ma vie, et il dépend de vous que je sois riche ou pauvre. Mais votre nom est en mon pouvoir dans l'avenir, et il dépend de moi que dans trois cents ans on dise de vous du bien, du mal, ou rien. Nous avons intérêt à nous entender. Donnez-moi la faveur et la richesse et je ferai votre éloge.

Virgile avait bien trop le sens des convenances pour exposer publiquement un marché de cette nature. Mais en fait, c'est exactement le marché qui a eu lieu entre Auguste et lui. Ses vers sont souvent délicieux à lire, mais malgré cela, pour lui et ses pareils, il faudrait trouver un autre nom que celui de poète. La poésie ne se vend pas. Dieu serait injuste si l'Énéide, ayant été composée dans ces conditions, valait l'Iliade. Mais Dieu est juste, et l'Énéide est infiniment loin de cette égalité.

Simone Weil, L'Enracinement, p. 293-4
Gallimard, Paris: 1949.

domingo, 20 de março de 2011

A Eneida De C. S. Lewis

The author C. S. Lewis loved reading his translation of Virgil's epic poem the Aeneid to fellow Oxford-based writers, including JRR Tolkien, at the Inklings, the famous informal literary discussion group they both frequented. The translation was believed to have been lost in a bonfire in 1964, a year after the author's death. Now, nearly 50 years later, it has resurfaced. The work was apparently rescued by Lewis's former secretary, Walter Hooper, 79. The complete translation is to be published in the book CS Lewis's Lost Aeneid, which is out next month. 

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

The Ultimate Aeneid Website

Aqui. Concordâncias, tradução palavra-a-palavra, comentário gramatical, paralelos homéricos, variantes textuais — e muito mais.