segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sansão, Escuta!

Iron should spare a wise man's hair, because it is impious to apply it to the place that contains all the sources of his perception, all his utterances, from which all his prayers proceed, as does the discourse that conveys his wisdom. Empedocles actually tied a ribbon of the purest purple around his hair, and strutted around the streets of Greece, composing hymns to the effect that he would pass from mortal to god.

Filóstrato, Apolónio de Tiana 8.7.18
Harvard University Press, Cambridge MA: 2005. (trad.: Christopher Jones).

imagem: Sansão e Dalila, de Matthias Stom
1630s, @ Galeria Nacional de Arte Antiga, Roma.

A Filosofia de Epicteto e Marco Aurélio

O Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto informa que de 6 a 22 de Outubro de 2010 estarão abertas as inscrições para o Seminário Aberto, intitulado:

A FILOSOFIA DE EPICTETO E MARCO AURÉLIO
Docente: Prof. Doutor Álvaro dos Penedos
Início: 25 de Outubro a 18 de Dezembro de 2010
Segundas-feiras: 19,30h-20,30h. Sala a indicar
Máximo de 30 participantes. Seminário gratuito.


Tópicos programáticos:
1. O contexto histórico;
2. O estoicismo em Roma;
3. Análise de O Manual de Epicteto;
4. Análise de Os Pensamentos de Marco Aurélio

Informações e inscrições:
e-mail: df@letras.up.pt
Web: www.letras.up.pt/df

domingo, 10 de outubro de 2010

Bernardo Soares Sobre A Doutrina Não-Escrita de Platão

Tenho neste momento tantos pensamentos fundamentais, tantas coisas verdadeiramente metafísicas que dizer, que me canso de repente, e decido não escrever mais, não pensar mais, mas deixar que a febre de dizer me dê sono, e eu faça festas com os olhos fechados, como a um gato, a tudo quanto poderia ter dito.

retirado daqui.
ler mais sobre a doutrina não-escrita de Platão aqui.
imagem: fotograma do Filme do Desassossego, de João Botelho (2010).

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Alcméon o “moderno” ou o perigo de ler fragmentos

“É que Alcméon diz que os homens se destroem pelo facto de não conseguirem unir o princípio ao fim”. (DK 24B2[1] = Pseudo-Aristóteles, Problemas [Físicos] XVII 3, 916a33-35)[2]
Quem abrir a famosa colectânea Die Fragmente der Vorsokratiker verá esta frase atribuída a Alcméon de Crotona, um suposto pitagórico dos finais do séc. VI a.C. e considerado pioneiro de postulados e práticas tremendamente admiráveis: recorreu à dissecação como técnica de observação empírica (DK 24A10); defendeu que o cérebro é o órgão responsável pelo pensamento e percepção (DK 24A5); demonstrou racionalmente a imortalidade da alma (DK 24A1, 12). Pasme-se!
Neste fragmento em particular, a revelação não é menos tremenda, contanto que se interprete “destruir” metaforicamente, como aconselha o autor do tratado em que aparece a citação:
"(...) um dito sagaz, se entendermos que ele o proferiu em sentido figurado e não o quisermos tomar à letra". (Pseudo-Aristóteles, Problemas [Físicos] XVII 3, 916a35-36)[3]
Neste sentido, o Homem (se me é permitido universalizar) vive “dilacerado” porque se encontra entre dois extremos que não consegue coligar, um originário e o outro terminal; toma consciência da sua finitude. Conceber um enunciado deste tipo depois da “flecha do tempo” teológico judaico-cristão, que situa o ser humano singular entre um Génesis e um Apocalipse (entre um α e um ω), ou pela versão secularizada do tempo moderno movido pela noção de progresso, seria constatar o óbvio. Todavia, concebê-lo no quadro temporal antigo – circular e eterno, sem princípio nem fim (análogo aos ciclos da natureza) – é no mínimo surpreendente. Esboçar um método experimental ou alicerçar um dos pilares mais fundamentais do platonismo são feitos que, apesar de espantosos, podem ser enquadrados numa macro-estrutura civilizacional; mas antecipar em séculos um modelo temporal cosmológico e antropológico sem qualquer tipo de mudança de orientação cultural, intelectual ou religiosa que o motivasse é algo completamente inexplicável. No entanto, o mistério esclarece-se simplesmente pela leitura do contexto em que o fragmento aparece referido:
“Em que sentido se deve tomar “o anterior” e “o posterior”? Será que é como os [que viveram] em Tróia em relação a nós, os [povos] que estão antes deles em relação a eles, e assim sucessivamente? Ou então, se há um princípio, um meio e um fim do universo, e quando alguém que envelhece chega ao limite para tornar a regressar ao princípio, e se as coisas mais próximas do fim são “anteriores”, o que nos impede de estar mais perto do princípio? Se assim for, nós somos anteriores. Tal como na órbita do céu e de cada um dos astros há um círculo, o que impede que se verifique a mesma coisa em relação à geração e à destruição dos corpos corruptíveis, de tal forma que tornam a nascer e a corromper-se? De igual modo se diz que as coisas humanos são um círculo. É disparatado supor os que nascem sejam sempre os mesmos em número, mas aceitaremos melhor que sejam da mesma espécie. Por conseguinte, nós próprios seríamos “anteriores” e devíamos estabelecer que a ordem dos eventos é de tal forma que regressa novamente ao princípio, produz continuidade e age sempre do mesmo modo. É que Alcméon diz que os homens se destroem pelo facto de não conseguirem unir o princípio ao fim – um dito sagaz, se entendermos que ele o proferiu em sentido figurado e não o quisermos tomar à letra. Se [tudo] é um círculo, como não há nem princípio nem fim do círculo, nem eles seriam “anteriores” por estarem mais perto do princípio, nem nós seríamos [“anteriores”] a eles nem eles a nós". (Pseudo-Aristóteles, Problemas [Físicos] XVII 3, 916a18-39)[4]
Tomada na linha de argumentação do Pseudo-Aristóteles, a frase de Alcméon parece significar justamente o oposto do que sugeria a leitura inicial: cada um dos homens morre (literalmente) do ponto de vista singular porque só lhe é permitido acompanhar a circularidade cósmica enquanto espécie. Ao contrário do que forçava a interpretação do fragmento isolado, o “sentido figurado” não diz respeito a “destroem”, mas sim a “princípio e fim”: como um círculo não tem princípio nem fim, essas designações só podem ser tomadas metaforicamente para designar os dois limites de um evento isolado, como por exemplo a existência de um homem em concreto.


[1] A sigla “DK” (Diels-Kranz) designa o volume Die Fragmente der Vorsokratiker editado por Hermann Diels e, posteriormente, melhorado por Walther Kranz; o primeiro número designa o capítulo dedicado a cada autor (24 no caso de Alcméon); a letra refere-se ao tipo de fragmento (“A” designa os chamados testimonia); o último número indica o fragmento e a referência à direita do sinal “=” diz respeito à fonte de que foi colhido.
[2] τοὺς γὰρ ἀνθρώπους φησὶν Ἀλκμαίων διὰ τοῦτο ἀπόλλυσθαι, ὅτι οὐ δύνανται τὴν ἀρχὴν τῷ τέλει προσάψαι.
[3] κομψῶς εἰρηκώς, εἴ τις ὡς τύπῳ φράζοντος αὐτοῦ ἀποδέχοιτο καὶ μὴ διακριβοῦν ἐθέλοι τὸ λεχθέν.
[4] Πῶς τὸ πρότερον καὶ τὸ ὕστερον δεῖ λαβεῖν; πότερον ὥσπερ ἡμῶν οἱ ἐπὶ Τροίας καὶ ἐκείνων οἱ πρὸ αὐτῶν καὶ ἀεὶ οἱ ἐπάνω πρότεροί εἰσιν; ἢ εἴπερ ἀρχή τίς ἐστι καὶ μέσον καὶ τέλος τοῦ παντός, καὶ ὅταν γηράσκων τις ἐπὶ τὸ πέρας ἔλθῃ καὶ πάλιν ἐπαναστρέψῃ ἐπὶ τὴν ἀρχήν, τὰ δὲ ἐγγυτέρω τῆς ἀρχῆς πρότερα, τί κωλύει ἡμᾶς ἐν τῷ πρὸς τὴν ἀρχὴν εἶναι μᾶλλον; εἰ δὲ τοῦτο, κἂν πρότεροι εἴημεν. ὥσπερ ἐπὶ τοῦ οὐρανοῦ καὶ ἑκάστου τῶν ἄστρων φορᾷ κύκλος τίς ἐστι, τί κωλύει καὶ τὴν γένεσιν καὶ τὴν ἀπώλειαν τῶν φθαρτῶν τοιαύτην εἶναι, ὥστε πάλιν ταῦτα γίνεσθαι καὶ φθείρεσθαι; καθάπερ καὶ φασὶ κύκλον εἶναι τὰ ἀνθρώπινα. τὸ μὲν δὴ τῷ ἀριθμῷ τοὺς αὐτοὺς ἀξιοῦν εἶναι ἀεὶ τοὺς γινομένους εὔηθες, τὸ δὲ τῷ εἴδει μᾶλλον ἄν τις ἀποδέξαιτο· ὥστε κἂν αὐτοὶ πρότεροι εἴημεν, καὶ θείη ἄν τις τὴν τοῦ εἱρμοῦ τάξιν τοιαύτην εἶναι ὡς πάλιν ἐπανακάμπτειν ἐπὶ τὴν ἀρχὴν καὶ συνεχὲς ποιεῖν καὶ ἀεὶ κατὰ ταὐτὰ ἔχειν. τοὺς γὰρ ἀνθρώπους φησὶν Ἀλκμαίων διὰ τοῦτο ἀπόλλυσθαι, ὅτι οὐ δύνανται τὴν ἀρχὴν τῷ τέλει προσάψαι, κομψῶς εἰρηκώς, εἴ τις ὡς τύπῳ φράζοντος αὐτοῦ ἀποδέχοιτο καὶ μὴ διακριβοῦν ἐθέλοι τὸ λεχθέν. εἰ δὴ κύκλος ἐστί, τοῦ δὲ κύκλου μήτε ἀρχὴ μήτε πέρας, οὐδ' ἂν πρότεροι εἶεν τῷ ἐγγυτέρω τῆς ἀρχῆς εἶναι, οὔθ' ἡμεῖς ἐκείνων οὔτ' ἐκεῖνοι ἡμῶν.

Pré-Socráticos #6: Pitágoras & Os Pitagóricos

Sexta sessão do ciclo Tertúlias Pré-Socráticas, promovido pela associação Origem da Comédia. José Pedro Serra fala-nos de Pitágoras, um nome de todos familiar, pelo teorema que lhe é atribuído. Os números desempenham um papel importante em toda a sua filosofia, em que insiste na ordem e proporção do cosmos, realidade que exprimia com o conceito, bem conhecido, de música das esferas. É também um dos principais introdutores no Ocidente da ideia da reencarnação e do vegetarianismo. Contudo, a sua figura permanece envolta em mistério e lendas, à falta de informações fidedignas. O certo é que as suas doutrinas tiveram um impacto formidável no curso da filosofia grega, tendo influenciado de forma decisiva essa figura maior do pensamento ocidental: Platão. Sessão decorrida no dia 28 de Abril de 2010, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Agostinho, O Pavão & A Descoberta do Íman

Quem, pois, senão Deus, criador de todas as coisas, deu à carne morta de pavão a propriedade de não apodrecer? Isto pareceu-me incrível quando o ouvi. Mas um dia aconteceu darem-nos carne cozinhada desta ave em Cartago. Ordenámos que guardassem um pedaço bastante grande do peito. Após um número de dias bastante longo para toda a outra carne cozinhada apodrecer, o pedaço que trouxeram e nos ofereceram não incomodou mesmo nada o nosso olfacto. Mais ainda: conservado durante mais de trinta dias, achou-se no mesmo estado, o mesmo acontecendo decorrido um ano; apenas a massa se tornou um pouco mais seca e contraída.

[...] Sabemos que a pedra da Magnésia (magnes lapis = íman) atrai admiravelmente o ferro. Quando o vi pela primeira vez fiquei deveras estupefacto. Realmente eu via um anel de ferro atraído pela pedra e ficar suspenso; depois, como se tivesse transmitido e comunicasse a sua força ao ferro que tinha atraído, esse anel, aproximado de outro, suspende este e, assim como aquele primeiro se unia à pedra, assim este segundo se unia ao primeiro anel; juntou-se da mesma maneira um terceiro; depois juntou-se-lhe um quarto; e já estava formada uma como que cadeia de anéis não entrelaçados por dentro mas encostados por fora. Quem é que não ficará pasmado perante esta força da pedra que não só lhe era intrínseca mas também passava por tantos anéis suspensos e os unia por laços invisíveis?

Ora muito mais maravilhoso ainda foi o que aprendi, acerca desta pedra, do meu irmão e colega no episcopado Severo de Milevi. Contou-me ter ele próprio visto de que modo Batanário, outrora conde de África, quando o bispo tomava a sua refeição em casa dele, pegara nessa pedra e a pusera debaixo de um prato de prata. Em cima do prato pôs ferro. Depois, conforme deslocava a mão que, por debaixo, segurava a pedra, assim também se deslocava o ferro que estava por cima; mas o prato, que estava no meio, não experimentava qualquer efeito e, enquanto por debaixo da pedra, nos seus rápidos avanços e recuous era movida pelo homem, o ferro, em cima, era arrastado pela pedra.

Contei o que eu próprio vi; contei o que ouvi daquele em quem acredito como se eu próprio tivesse visto. Vou agora contar o que também li acerca desta pedra da Magnésia. Quando perto dela se põe um diamante, já ela não atrai o ferro e, se o tiver atraído, deixa-o cair logo que se lhe aproxima o diamante. É a Índia que nos envia estas pedras; mas se nós nos deixamos de admirar por já as conhecermos, quanto mais não hão-de deixar de se admirar aqueles de quem elas nos vêm, pois as adquirem com facilidade.

Santo Agostinho, Cidade de Deus, Livro XXI, Cap. IV
Gulbenkian, Lisboa: 1995. (trad.: J. Dias Pereira).

[Quis enim nisi Deus creator omnium dedit carni pauonis mortui ne putesceret? Quod cum auditu incredibile uideretur, euenit ut apud Carthaginem nobis cocta apponeretur haec auis, de cuius pectore pulparum, quantum uisum est, decerptum seruari iussimus; quod post dierum tantum spatium, quanto alia caro quaecumque cocta putesceret, prolatum atque oblatum nihil nostrum offendit olfactum. Itemque repositum post dies amplius quam triginta idem quod erat inuentum est, idemque post annum, nisi quod aliquantum corpulentiae siccioris et contractioris fuit. [...] Magnetem lapidem nouimus mirabilem ferri esse raptorem; quod cum primum uidi, uehementer inhorrui. Quippe cernebam a lapide ferreum anulum raptum atque suspensum; deinde tamquam ferro, quod rapuerat, uim dedisset suam communemque fecisset, idem anulus alteri admotus est eundemque suspendit, atque ut ille prior lapidi, sic alter anulus priori anulo cohaerebat; accessit eodem modo tertius, accessit et quartus; iamque sibi per mutua circulis nexis non implicatorum intrinsecus, sed extrinsecus adhaerentium quasi catena pependerat anulorum. Quis istam uirtutem lapidis non stuperet, quae illi non solum inerat, uerum etiam per tot suspensa transibat et inuisibilibus ea uinculis subligabat? Sed multo est mirabilius, quod a fratre et coepiscopo meo Seuero Mileuitano de isto lapide comperi. Se ipsum namque uidisse narrauit, quem ad modum Bathanarius quondam comes Africae, cum apud eum conuiuaretur episcopus, eundem protulerit lapidem et tenuerit sub argento ferrumque super argentum posuerit; deinde sicut subter mouebat manum, qua lapidem tenebat, ita ferrum desuper mouebatur, atque argento medio nihilque patiente concitatissimo cursu ac recursu infra lapis ab homine, supra ferrum rapiebatur a lapide. Dixi quod ipse conspexi, dixi quod ab illo audiui, cui tamquam ipse uiderim credidi. Quid etiam de isto magnete legerim dicam. Quando iuxta eum ponitur adamans, non rapit ferrum, et si iam rapuerat, ut ei propinquauerit, mox remittit. India mittit hos lapides; sed si eos nos cognitos iam desistimus admirari, quanto magis illi, a quibus ueniunt, si eos facillimos habent]

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Zeus, Yavé e Hórus Entram Num Bar

retirado daqui (clicar sobre imagens para ampliar).

Príapo

Guardador-de-Pomares

Vi a primeira pêra
A cair.
O enxame amarelo, listrado de ouro,
Em busca de mel,
Não foi mais veloz do que eu
(Livra-nos da beleza!)
E caí prostrada,
Chorando.

Tu, que nos flagelaste com as flores,
Livra-nos da beleza
Das árvores de fruto!

As que buscavam o mel
Não pararam.
O ar ressoava com o seu canto
E só eu me prostrava.
Ó deus do pomar,
Talhado em tosco,
venho trazer-te uma oferenda;
Tu, o que não é belo
(Filho do deus),
Livra-nos da beleza!

As avelãs caídas,
Despidas há pouco do invólucro verde,
Os cachos vermelha-púrpura
De bagos
Gotejando vinho,
Romãs já fendidas,
E figos mirrados,
E marmelos intactos,
Eis a minha oferenda.

H.D. (Hilda Doolittle), in Leituras do Inglês, João Ferreira Duarte (trad.), Relógio d'Água, 1993

terça-feira, 5 de outubro de 2010

E É Padrinho dos Filhos do Elvis e da Marilyn, Todos Felizes Numa Ilha do Pacífico

Assim, aquilo que ele [Paulo] disse — «é que o mistério da iniquidade já está em acção» — referir-se-á a Nero, cujas obras pareciam as do Anticristo. Daí muitos suspeitarem de que ele próprio há-de ressuscitar e aparecer como o Anticristo. Alguns julgam mesmo que ele não foi morto, mas sequestrado para que se julgasse morto, que vive escondido no vigor da idade que tinha quando se julgou que tinha morrido, até que a seu tempo aparecerá e será restabelecido no poder. Mas tamanha pretensão dos que assim pensam me parece a mim muito de pasmar.

Santo Agostinho, Cidade de Deus, Livro XX, Cap. XIX
Gulbenkian, Lisboa: 1995. (trad.: J. Dias Pereira).

[ut hoc quod dixit: Iam enim mysterium iniquitatis operatur, Neronem uoluerit intellegi, cuius iam facta uelut Antichristi uidebantur. Vnde nonnulli ipsum resurrecturum et futurum Antichristum suspicantur; alii uero nec occisum putant, sed subtractum potius, ut putaretur occisus, et uiuum occultari in uigore ipsius aetatis, in qua fuit, cum crederetur extinctus, donec suo tempore reueletur et restituatur in regnum. Sed multum mihi mira est haec opinantium tanta praesumptio.]

imagem: O Remorso do Imperador Nero Depois do Assassínio de Sua Mãe,
de John William Waterhouse (1878)