quarta-feira, 18 de julho de 2012

Online na "Granta"

Electra, de Sófocles: Uma Versão Incompleta

Carlos Alberto Louro da Fonseca é um nome conhecido dos estudantes de Clássicas. O Professor, aparentemente, andava a trabalhar, quando faleceu, numa tradução da Electra de Sófocles. Descobri recentemente que o que há dessa tradução inacabada (uns quase quinhentos versos) foi publicada na Humanitas e que o artigo se encontra online, aqui. Depois de uma introdução de algumas páginas, vem logo a peça.

Olimvs.net

No início desta semana foi lançada a coleção Olimpvs.net, que, como o nome indica, tem como pano de fundo a mitologia grega. A série está integrada no Plano Nacional de Leitura e conta com a revisão científica do Centro de Estudos Clássicos de Lisboa. Aproveita ainda muito as potencialidades da net. O site oficial pode ser consultado aqui.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O Complexo É Real


Já aqui falámos do complexo de Alexandre o Grande. A verdade, porém, é que as coisas mais insuspeitas, de facto, descobre-se que afinal têm uma raiz clássica. Descobri recentemente que a expressão de Luís XV (ou da Madame de Pompadour) «après moi, le déluge» deriva, em última análise, de um provérbio grego. Uma vez traçada esta genealogia, percebe-se inclusive melhor o sentido da elíptica afirmação do rei ou da sua amante. A história toda aqui.

Olimpíadas, Modernas e Antigas

As Olimpíadas de Londres estão à porta e o povo de Sua Majestade em alvoroço. Cambridge resolveu associar-se ao evento disponibilizando online uma mão-cheia de artigos das suas revistas sobre os Jogos Olímpicos, e desporto em geral, na Antiguidade. Para os curiosos, é só clicar aqui.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Emanuelo Severino - La verità nel pensiero greco

O grande philósopho italianos — Emanuele Severino — fala brevemente do conceito de ἀλήθεια e de ἐπιστήμη —aletheia e epistême— no pensamento grego.

domingo, 8 de julho de 2012

Aquiles e Pátroclo

Nem sucessivas e sucessivas migrações de aves
Perfarão a distância que agora nos separa
Mas esta nau não me levará a casa
E seguir-te não será morrer

Daniel Faria, Poesia 
[originalmente em Explicação das Árvores e De Outros Animais]
Assírio & Alvim, Porto: 2012.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Itália - Alemanha - Grécia. Amores imperfeitos.

Ma già in questo amore si palesa il più profondo fraintendimento. Il mito dell'accordo arte-natura impedisce di cogliere la forza tettonica originalissima dell'arte romana. Il tour di Germania si compie solo in Ellade. E ciò vale ancor più per le lettere e la filosofia. La latinitas rimane incompresa, o ridotta alla sola dimensione giuridico-politica. Questa incomprensione caratterizza tutta la filosofia tedesca, da Hegel a Heidegger. Quando "il gioco si fa serio", quando di "origine" occorre parlare, Germania ama Grecia - e abbandona la fanciulla Italia. Ma con quale energia quest'ultima reagisce e cerca di richiamare a sé l'amante!

Massimo Cacciari. Una relazione filosofica romantica idealista. in La Repubblica 28 Junho 2012.
(Para quem ler italiano, o texto completo é muito de fazer sorrir.)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Comentador

Conversa imaginária entre Averróis e Porfírio, no Liber de Herbis de Monfredo de Monte Imperiali (séc. XIV)
[Situações excepcionais de trabalho académico têm ditado o meu silêncio neste blogue, ainda que vá acumulando material para postar depois. Sabendo não ser esta uma situação ortodoxa, que pretenda repetir, mas tendo como precedente, ainda que inverso, o uso, num trabalho de seminário de mestrado, de textos aqui antes publicados, deixo agora um parágrafo daquele que tenho agora em mãos, que vem na sequência de outro [parágrafo] sobre a visão "decadentista" de Platão, expressa no Livro VIII da República, onde é apresentada a sequência negativa (inevitável) dos regimes políticos (aristocracia, timocracia, oligarquia, democracia e tirania). A edição utilizada da Exposição foi a de Miguel Cruz Hernandez, de 1998 (5ª edição), publicada pela Tecnos, de Madrid].

§4.1 Poucos estarão dispostos a adoptar a perspectiva de Platão: como os gregos em geral, o Mestre tem a força esquecida de olhar o abismo sem ceder ao monstro. É, nesse aspecto, sintomática a forma como Averróis explica as teses do Livro VIII na sua Exposição da República de Platão. Apesar de invocar [95|367v] a doutrina física, que podemos fazer remontar a Anaximandro, da compensação (a desmesura de um dos elementos acarreta o triunfo subsequente do seu contrário) para ilustrar a passagem da democracia à tirania (o excesso de liberdade gera a escravidão mais completa), afirma peremptoriamente que o modelo de desenvolvimento que vale na natureza (em que da semente vem a árvore, da flor o fruto, sem que se possa omitir etapas: natura non facit saltus) não serve para os fenómenos políticos: «respecto a estos otros assuntos [as sociedades] son completamente libres» [102|371r]. Esta posição obriga Averróis a aceitar que em cada regime existem cidadãos com o carácter próprio dos homens de outros regimes, condição de possibilidade para que a transição para qualquer outra constituição se opere [ib.]. 

Todavia o regime democrático é, na sua opinião, particularmente aberto, porque acolhe todo o género de homens (lembremo-nos da imagem platónica do manto colorido): «encontramos en ella [na democracia] gente preocupada por el honor, hombres buscadores de bienes, e individuos inclinados a la tiranía; y hasta es posible que entre ellos se cuente alguno que prefiera la virtud y sea guiado por ella» [83|362v]. Como o ἄπειρον de Anaximandro, a democracia é, apropriadamente (na medida em que é o que mais preza a liberdade, ao ponto de a estender ao seu futuro), o regime da máxima possibilidade (e, correlativamente, o da menor actualidade do poder qua poder [mando]: cada um faz o que quer), caixa de chocolates («you never know what you’re gonna get»), de onde pode sair qualquer outro. Não é, por isso, de estranhar que o Andaluz considere a democracia o regime das primeiras sociedades, que emergem uma vez satisfeitas as necessidades básicas [84|363r e 93|367r]. O poder não se afirma logo, na sua robustez, antes há que pensar que nos primórdios valia apenas um conjunto mínimo de leis, as únicas que os democratas, talibãs da liberdade, aceitam, que protegem o direito à vida e à propriedade (as leis primárias), os direitos comerciais (leis secundárias) e a moralidade (!) (leis terciárias) (observe-se a hierarquia) [83-4|362v]. Escusado será dizer que, com o tempo, até estas leis (nomeadamente a da propriedade) acabam desrespeitadas. 

A evolução para a tirania, porém, como já foi dito, não é inevitável, simplesmente a progressão dos regimes elaborada por Platão é a que mais frequentemente se regista [102|371r], e Averróis, como um Maquiavel, vai ilustrando a sua exposição com exemplos retirados da História dos reinos árabes peninsulares. A sua recusa do determinismo platónico está desde logo patente na razão que dá para o fim do reinado do filósofo-rei: são «los gobernantes de esta comunidad [que] no procuran la selección de los cidadanos adecuados para la procreación del modo como Platón ha especificado» [87|364v] [sublinhado nosso]: é a uma decisão voluntária dos governantes que conduz ao fim do regime ideal e não, como em Platão, os limites necessários do conhecimento humano. Por fim, há que registar, engrossando o optimismo do Comentador, o que implica esta sua tese de que qualquer πολιτεία pode evoluir para outra (pode saltar-se, por exemplo, directamente da democracia para a aristocracia!): é então de admitir que são muito mais os homens justos, capazes de governo (para as qualidades do filósofo-rei, vide 80|361r), do que, lendo Platão (sempre muito céptico em relação ao seu aparecimento), seríamos levados a crer. Vale a pena então ter fé: o rei já está entre nós.

Sex and the Classics

[...] I first started investigating my parents' shelves (and those of my grandparents, and of my older brother) when awareness of sex dawned. Grandpa's library contained little lubricity except a scene or two in John Masters's Bhowani Junction; my parents had William Orpen's History of Art with several important black-and-white illustrations; but my brother owned a copy of Petronius's Satyricon, which was the hottest book by far on the home shelves. The Romans definitely led a more riotous life than the one I witnessed around me in Northwood, Middlesex. Banquets, slave girls, orgies, all sorts of stuff. I wonder if my brother noticed that after a while some of the pages of his Satyricon were almost falling from the spine. Foolishly, I assumed all his ancient classics must have similar erotic content. I spent many a dull day with his Hesiod before concluding that this wasn't the case. [...]

Julian Barnes, my life as a bibliophile