Mostrar mensagens com a etiqueta sófocles. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sófocles. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Actor do Método, ou Simbelmynë §2

There was in the land of Greece an actor of wide reputation, who excelled all others in his clear delivery and graceful action. They say that his name was Polus, and he often acted the tragedies of famous poets with intelligence and dignity. This Polus lost by death a son whom he dearly loved. After he felt that he had indulged his grief sufficiently, he returned to the practice of his profession.

At that time he was to act the Electra of Sophocles at Athens, and it was his part to carry an urn which was supposed to contain the ashes of Orestes. The plot of the play requires that Electra, who is represented as carrying her brother's remains, should lament and bewail the fate that she believed had overtaken him. Accordingly, Polus, clad in the mourning garb of Electra, took from the tomb the ashes and urn of his son, embraced them as if they were those of Orestes, and filled the whole place, not with the appearance and imitation of sorrow, but with genuine grief and unfeigned lamentation. Therefore, while it seemed that a play was being acted, it was in fact real grief that was being enacted. 

Aulo Gélio, Noites Áticas 6.5
Loeb Classical Library, Cambridge MA, HUP: 1920-25 (trad.: Rolfe).
achado em Mark Ringer (1998), Electra and The Empty Urn. Chapel Hill & Londres: University of North Carolina Press.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Electra, de Sófocles: Uma Versão Incompleta

Carlos Alberto Louro da Fonseca é um nome conhecido dos estudantes de Clássicas. O Professor, aparentemente, andava a trabalhar, quando faleceu, numa tradução da Electra de Sófocles. Descobri recentemente que o que há dessa tradução inacabada (uns quase quinhentos versos) foi publicada na Humanitas e que o artigo se encontra online, aqui. Depois de uma introdução de algumas páginas, vem logo a peça.

domingo, 6 de maio de 2012

Apontamentos Sobre a Antígona de Sófocles §1

Ἐτεοκλέα μέν, ὡς λέγουσι, σὺν δίκης
χρήσει δικαίᾳ καὶ νόμου κατὰ χθονὸς
ἔκρυψε τοῖς ἔνερθεν ἔντιμον νεκροῖς: [23-5]

Por um lado, a Etéocles, ao que dizem, no justo
uso da justiça e da lei, [Creonte] debaixo da terra
escondeu, para ser honrado pelos mortos inferiores.

Ἐτεοκλέα μέν, ὃς πόλεως ὑπερμαχῶν
ὄλωλε τῆσδε, πάντ᾽ ἀριστεύσας δόρι,
τάφῳ τε κρύψαι καὶ τὰ πάντ᾽ ἐφαγνίσαι
ἃ τοῖς ἀρίστοις ἔρχεται κάτω νεκροῖς. [194-7]

Por um lado, Etéocles, que pela cidade alti-lutando
morreu - por esta cidade -, em tudo o melhor com a lança,
num túmulo esconder e todas as honras lhe prestar,
aquelas que descem para os melhores dos mortos.

A primeira das falas transcritas pertence a Antígona, quando dá conta a sua irmã, Ismena, no prólogo da peça, do decreto do rei, Creonte. O texto dá a entender que Etéocles, o irmão que lutou pela cidade, Tebas, foi já enterrado: ἔκρυψε é um aoristo, o tempo pretérito por excelência na gramática grega. Não pode por isso senão espantar quando, na tradução de Marta Várzeas (feita para a encenação de Nuno Carinhas no TNSJ há dois anos atrás), lemos: «A Etéocles mandou sepultar». Certo que é possível ler a frase com um sentido mais-que-perfeito: Creonte mandou sepultar Etéocles, Etéocles já foi sepultado e agora Antígona conta tudo isto à irmã. Todavia, deverá reconhecer-se que o português é ambíguo o suficiente para acolher um outro sentido: Creonte mandou sepultar Etéocles — isso ainda vai acontecer, então: por hora existe tão somente a ordem, mas não a realidade. A tradução de Marta Várzeas torna-se porém mais inteligível quando a entendemos como um esforço para impor à peça alguma coerência. De facto, mais tarde, no primeiro episódio, quando Creonte entra em cena, ele diz que proclamou um édito no sentido de enterrar Etéocles. Guardamos aqui o infinitivo de propósito: o grego tem κρύψαι, um infinitivo aoristo, sendo que o aoristo tem aqui um valor apenas aspectual, e não temporal, ou seja: simplesmente quer-se dizer que a acção de enterrar Etéocles é uma acção única, não continuada. κρύψαι é vulgarmente entendido num sentido futuro e de facto o contexto convida a, se é que não implica, tal. O uso do infinitivo, em que insistimos, permite salvaguardar fragilmente a unidade do texto: Creonte reproduz aqui o édito como o emitiu originalmente, édito que tem apenas dois comandos temporalmente indeterminados: enterrar [Etéocles] | não honrar [Polinices]. A primeira parte pode já ter sido cumprida: o grego talvez (outros mais sábios me esclarecerão) não obrigue a projectar a acção no futuro (ajuda porventura a esta interpretação subtil se não até manhosa o facto de o «[não] honrar [Polinices]» ser κτερίζειν, um infinitivo presente, que aponta para uma acção continuada, não pontual, ao contrário de κρύψαι — contra, porém, pesa o κωκῦσαί que se lhe segue). Reconheço, todavia, que nem eu mesmo estou muito convencido desta leitura, pelo que estou particularmente receptivo a contributos de quem se queira juntar à discussão: afinal Etéocles já foi enterrado? Ou Sófocles pura e simplesmente contradiz-se?

NOTA: segui, para o grego e traduções, a edição de Griffith, salvo para o problemático σὺν δίκης χρήσει δικαίᾳ καὶ νόμου, no primeiro excerto, em que segui a lição de Müller e Jebb. Haveria muito mais a dizer sobre estes dois passos (há escolhas na colocação das palavras que devem ser tidas em atenção e a métrica, ao que diz o comentário, é de suma importância quando confrontada com os versos seguintes sobre Polinices): impõe-se uma explicação do último verso da segunda citação, que só se compreende tendo em mente os ritos fúnebres gregos. Algumas opções de tradução haveriam ainda que ser justificadas, mostrando a complexidade a que se procuram abrir. 

sábado, 10 de julho de 2010

Perdidos §2

Como hei-de eu, mortal, combater a teia divina dos acontecimentos?
Aí onde o assombro assoma, a esperança nada pode.

πῶς οὖν μάχωμαι θνητός ὤν θείᾳ τύχῃ;
ὅπου τό δεινόν, ἐλπίς οὐδέν ὠφελεῖ.*

Este é um excerto da Erifile de Sófocles (frg. 201f, edição Loeb por Lloyd-Jones), que a maioria dos estudiosos considera ser a mesma peça que Os Epígonos, mas que, a tratar-se de uma peça independente, pode muito possivelmente ter feito parte de uma trilogia, juntamente com a peça com que é confundida e o Alcméon, sobre a expedição dos Epígonos, os filhos dos Sete que atacaram Tebas, liderados por Polinices, o filho de Édipo, aquele cujo enterro será proibido por Creonte, édito que Antígona desafiará (isto é apenas para situar os menos familiarizados com o ciclo tebano). Erifile, esposa de Anfiarau, um dos Sete, subornada por Polinices, acaba por convencer o marido a participar na expedição contra Tebas. Ele sabe que vai morrer (por isso não queria partir, mas, não interessa agora explicar porquê, estava obrigado a obedecer ao juízo da mulher, nesta situação específica) e obriga, por isso, os filhos a vingarem-no. Alcméon, o mais velho, um dos Epígonos, antes ou depois de partir para Tebas, acaba por matar a mãe. Isto é tudo o que sabemos do mito. Da forma como Sófocles o tratou, nada podemos aduzir com segurança: os poucos fragmentos não nos dão grande ideia de como ele terá pegado no assunto.

*Sei que os acentos estão mal, mas a escolha era entre ter isto ou nada.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dos Corvos (Com Um Excurso Sobre O Multiculturalismo)


É que os nossos altares e braseiros todos estão poluídos pelas aves e cães que comeram do infeliz filho de Édipo, que jaz no sítio onde caiu. E depois os deuses não aceitam da nossa parte as súplicas que acompanham os sacrifícios, nem a chama das oferendas, nem as aves soltam gritos de bom augúrio, pois devoraram a gordura do sangue de um homem morto.

Sófocles, Antígona (1016-1022)
Festea, Coimbra: 2006 (trad.: Maria Helena Rocha Pereira).

[βωμοὶ γὰρ ἡμῖν ἐσχάραι τε παντελεῖς/ πλήρεις ὑπ᾽ οἰωνῶν τε καὶ κυνῶν βορᾶς/ τοῦ δυσμόρου πεπτῶτος Οἰδίπου γόνου./ κᾆτ᾽ οὐ δέχονται θυστάδας λιτὰς ἔτι/ θεοὶ παρ᾽ ἡμῶν οὐδὲ μηρίων φλόγα,/ οὐδ᾽ ὄρνις εὐσήμους ἀπορροιβδεῖ βοάς/ ἀνδροφθόρου βεβρῶτες αἵματος λίπος.]

A sua consciência impeliu-o [Caim] a matar o irmão, e matou-o; assim, passou a estar entre os perversos. Deus enviou um corvo, que esgravatou na terra para lhe mostrar como devia ocultar o cadáver do seu irmão. Exclamou: «Ai de mim! É impossível que faça à semelhança deste corvo e oculte assim o cadáver de meu irmão». Assim passou a estar entre os que se arrependem.

Alcorão, Sura 5, 30-31.
Europa-América, Mem Martins: 1989 (trad.: Américo de Carvalho).

[فَطَوَّعَتْ لَهُ نَفْسُهُ قَتْلَ أَخِيهِ فَقَتَلَهُ فَأَصْبَحَ مِنَ الْخَاسِرِينَ ﴿٣٠﴾ فَبَعَثَ اللَّـهُ غُرَابًا يَبْحَثُ فِي الْأَرْضِ لِيُرِيَهُ كَيْفَ يُوَارِي سَوْءَةَ أَخِيهِ ۚ قَالَ يَا وَيْلَتَا أَعَجَزْتُ أَنْ أَكُونَ مِثْلَ هَذَا الْغُرَابِ فَأُوَارِيَ سَوْءَةَ أَخِي ۖ فَأَصْبَحَ مِنَ النَّادِمِينَ ]*

O corvo, ave necrófila, é, entre os gregos (e tantos outros povos), animal mal-querido se não mesmo maldito («vai para os corvos» é a versão grega de «vai bugiar»). O grego tinha também grande medo de não receber, após a morte, as honras fúnebres devidas, temor que tem já expressão nos poemas homéricos: Heitor, antes de expirar, pede a Aquiles que restitua o seu cadáver à família e é precisamente a recusa em o fazer e o tratamento humilhante que vai dar ao corpo do príncipe troiano que farão os deuses intervir para pôr cobro à situação. O grande receio de Heitor é que a sua carne venha a ser devorada pelos cães, sem respeito pela santidade (o termo é propositadamente anacrónico, mas captura uma verdade) do corpo. Aquiles nega-lho, prometendo, pelo contrário, que as aves de rapina o comerão inteiro (22.337-354). Também na Odisseia (11.51-78), Elpenor, companheiro de Ulisses que morre ao cair bêbedo do telhado do palácio de Circe, quando encontra o herói no Hades, suplica-lhe que, no regresso, quando voltarem a Eeia, o sepultem. Na Antígona, o texto-mor no que a cadáveres insepultos (e a muitas outras coisas) diz respeito, Tirésias chama a atenção para a profanação da cidade, agora que os pássaros se alimentam do corpo exposto de Polinices. As aves sobre o morto, debicando-o, são, de facto, uma imagem terrível para o grego. Não pude, por isso, deixar de me surpreender quando hoje, folheando o Alcorão, dou com a passagem que acima transcrevi em que quem vai ensinar os homens a enterrar o primeiro morto é, espanto!, um corvo, a ave de rapina por excelência, com o abutre. Definitivamente, tenho de tirar tempo para o ano para ler o Alcorão numa boa edição. É triste que, numa altura em que o multiculturalismo se tornou o credo de uma idade cansada, o usemos, afinal, como uma capa para a nossa ignorância. O verdadeiro respeito envolve o confronto (à letra: o face-a-face) activo com o outro, curiosidade sincera, um desejo de conhecer que envolve a dádiva total, o investimento todo do ser, e não a mera contemplação à distança, da segurança (e altura) do nosso estilete. Steiner, que tive a oportunidade de ouvir em Viseu, no final do ano passado, perguntado sobre o que pensava da ascenção da China, entre outras coisas, sublinhou com preocupação, vendo nisso uma grande vantagem do Império do Meio, o facto de eles lerem os nosso clássicos (cf. os norte coreanos e Esopo), mas nós desconhecermos totalmente a literatura deles. Dos árabes sabemos uma mão cheia de lendas das Mil e Uma Noites e pouco mais. É pena. Eu ficava triste se eles não lessem os gregos (e foi porque leram Aristóteles que muito se salvou). Fica então combinado: para o ano leio o Alcorão (quem se junta?). Entretanto, vou seguindo a poesia árabe publicada aqui.

*Quem souber árabe, por favor, diga-me se aquilo está correcto.

imagem: The Body of Abel Found By Adam and Eve,
de William Blake (c. 1826) @ Tate Gallery, Londres.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sl 8, 4-10/ Soph. Ant. 332-375

Tive oportunidade de falar aqui anteriormente da chamada Ode ao Homem, o Canto Primeiro da Antígona de Sófocles. Ontem, ao ouvir o salmo que abaixo transcrevo, não pude deixar de notar os paralelismos entre os dois textos, que, contudo, quando cotejados, deixam sobretudo perceber a distância entre as duas mundividências, a grega e a hebraica.
Quando contemplo os céus, obra das tuas mãos,
a Lua e as estrelas que Tu criaste:
que é o homem para te lembrares dele,
o filho do homem para com ele te preocupares?
Quase fizeste dele um ser divino;
de glória e de honra o coroaste.
Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos,
tudo submeteste a seus pés:
rebanhos e gado, sem excepção,
e até mesmo os animais bravios;
as aves do céu e os peixes do mar,
tudo o que percorre os caminhos do oceano.
Ó Senhor, nosso Deus,
como é admirável o teu nome em toda a terra!
A tradução é de José Augusto Ramos, para a Nova Bíblia dos Capuchinhos, da Difusora Bíblica, a edição standard. Nenhuma das conquistas do Homem sobre a Natureza a que o salmista alude deixa de encontrar eco no poema de Sófocles (tradução de MHRP):
E das aves as tribos descuidadas,
a raça das feras,
em côncavas redes
a fauna marinha, apanha-as e prende-as
o engenho do Homem.
Dos animais do monte, que no mato
habitam, com arte se apodera;
domina o cavalo
de longas crinas, o jugo lhe põe,
vence o touro indomável das alturas.
O Homem merece a Sófocles o epíteto de δεινότερον, «o mais assombroso», e o salmista dá-lhe um estatuto quase divino. A palavra hebraica vertida como «ser divino» é mesmo «deus». O arrojo do verso nunca foi, porém, totalmente aceite, parece: na Septuaginta, «ser divino» (já por si uma tradução que mitiga a força do original, mesmo se tem o cuidado de o registar em nota) surge traduzido como «anjo» e é assim que Paulo, em Heb 2, 6-8, cita o texto. Apesar de São Jerónimo se ter mantido fiel ao hebraico na Vulgata, a sua lição nem sempre foi seguida: veja-se a King James Bible ou, entre nós, a tradução de João Ferreira d'Almeida (a editada pela Assírio em oito volumes, com ilustrações de Ilda David').

E, todavia, insistimos, mau grado todo este louvor ao Homem, os textos são fundamentalmente diferentes, e não é difícil ver porquê. Se Sófocles sublinha como foi o Homem, por si próprio (lembremo-nos daquele ἐδιδάξατο), que conseguiu dominar a Natureza, o salmista tem o cuidado de deixar claro que se o ser humano é senhor da criação é-o por graça de Deus, que «tudo submet[eu] a seus pés». Achar que o Homem, pelo seu «engenho» (para usar a palavra de Sófocles), poderia chegar sozinho à domesticação e controlo do mundo animal seria uma espécie de pelagianismo. O Homem pode o que Deus lhe concede. Não deixa, por isso, de ser curioso notar que a cidade, que ocupa um lugar charneiro na Ode de Sófocles, está pura e simplesmente ausente desta salmo. Efectivamente, a cidade, na medida em que é uma criação do Homem apenas, e não de Deus, no princípio dos tempos, poderia levantar um problema teológico, ao ser louvada: o seu elogio seria sempre mais um canto ao Homem, seu criador, do que de Deus, como o é o salmo, conhecido, aliás, como 'Hino ao Criador do Homem'. A cidade, aliás, tem muitas vezes uma conotação negativa no mundo hebraico, enquanto espaço da perversão (é, não o esqueçamos, uma criação de Caim, Gen 4,17). Há uma certa desconfiança pela sedentarização, própria de um povo em marcha, como o judeu, oriundo do deserto. Não consigo deixar de suspeitar que o antropocentrismo grego tem muito que ver com o seu πόλις-centrismo e que a ausência desta última dimensão entre os hebreus pode, por sua vez, ter alguma relação (não necessariamente de causalidade) com o seu teocentrismo. O louvor ao Homem, no salmo, nunca atinge, pois, a plenitude que a autonomia grega, pelo contrário, lhe permite. Não há nenhuma contradição, nem talvez coincidência, no facto de o homem que afirmou ser o Humano a medida de todas as coisas ter sido o mesmo que declarou nada podermos saber dos deuses.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Cego Que Vê


Édipo é cego porque alguém escreveu em cima dos seus olhos. A cegueira é uma escrita em sítio errado.

Gonçalo M. Tavares, Biblioteca s.v. Heiner Muller
Campo de Letras, Porto: 2004.

ESTRANGEIRO
E que ajuda pode vir de um homem privado de vista?
ÉDIPO
Aquilo que eu disser terá visão infalível.

Sófocles, Édipo em Colono (73-74)
FESTEA, Coimbra: 2001. (trad.: Maria do Céu Fialho)

[Ξένος
καὶ τίς πρὸς ἀνδρὸς μὴ βλέποντος ἄρκεσις;
Οἰδίπους
ὅσ᾽ ἂν λέγωμεν πάνθ᾽ ὁρῶντα λέξομεν.]


imagem: Édipo em Colono, de Jean-Antoine-Theodore Giroust (1788)
@ Museu de Arte de Dallas, Texas, EUA.