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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Safo e a vindicação de Heródoto

Safo beijando a sua lira,
de Jules-Elie Delaunay.
















Prometemos antes que regressaríamos aos novos poemas de Safo. Deixamos o link para um artigo no TLS de Dirk Obbink, que os trouxe à luz do dia, onde, contra West («The poem is not one of her most poignant: as I see it, we have a young Sappho, perhaps still a teenager, addressing her mother and worried about their domestic circumstances»), defende a qualidade dos novos achados e mostra a sua importância. No final, encontra-se anexada uma tradução de ambos os fragmentos em inglês. Relembramos que a Origem publicou já uma versão portuguesa, por Sophia Carvalho e Miguel Monteiro, do mais extenso deles, logo aquando da descoberta dos textos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

isto é muita emoção!

Há um novo novo fragmento de Safo!: o P. Köln 21351 [tradução e análise aqui: pp. 93-118] foi destronado do seu título, dez anos volvidos sobre a sua descoberta. A obra da poetisa vê-se enriquecida com este acréscimo substancial: falamos de praticamente trinta versos. Circula já na net o rascunho de um paper que Obbink, porventura o maior papirologista na área vivo, lerá em Março, onde o poema é apresentado e discutido. A Origem promete aos seus leitores regressar ao assunto. Dificilmente 2014 nos reserva maior surpresa que esta — mas quem sabe! 








cabeça de Safo, cópia em mármore de um original helenístico
@ Museu Arqueológico de Istambul 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hino a Afrodite

Alessandro Allori (1535-1607)-'Venus and Cupid' Montpellier-Musée Fabre



Imortal Afrodite do trono variegado,
filha de Zeus, urdidora de enganos, suplico-te:
com sofrimentos e angústias não subjugues,
ó rainha, o meu coração,

mas vem para aqui, se outrora noutras ocasiões
sentiste ao longe a minha voz e me deste
ouvidos; abandonaste de teu pai a casa
dourada e vieste,

depois de atrelares teu carro; puxaram-te belos
e velozes estorninhos por cima da terra negra
com cerrada agitação das asas; trouxeram-te do céu
através do ar

e depressa chegaram. E tu, ó bem-aventurada,
sorrindo em teu rosto imortal
me perguntaste o que de novo eu sofria,
por que de novo te chamava,

e que coisa eu queria que acontecesse
no meu desvairado coração. " Quem de novo devo
convencer a voltar ao teu amor? Quem,
ó Safo, te faz mal?

Pois se foge, rapidamente perseguirá;
se não aceita os presentes, em vez disso os dará;
se não ama, rapidamente amará, mesmo que
ela o não queira."

Vem até mim, agora também! Salva-me da aflitiva
ansiedade; e para mim faz cumprir tudo o que
meu coração deseja ver cumprido; e tu própria
combate ao meu lado!

Safo


Trad. de Frederico Lourenço, in Poesia Grega de Álcman a Teócrito;
Livros Cotovia,Lisboa, 2006

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Velhice, Segundo os Poetas

Vós,] donzelas, com os belos dons [das Musas] de regaço violeta
sêde zelosas, bem assim com a] lira melodiosa, dos poetas amante.
Pois o meu outrora delicado] corpo, já a velhice
me arrebatou, e brancos] se tornaram os cabelos, negros que eram.
Pesado o meu coração se tornou, não me suportam já as pernas,
em tempos ágeis para a dança, como pequenas corças.
Isso lamento a toda a hora; mas que fazer?
alguém que não envelhece é algo que não pode existir.
Também em tempos Titono, diziam, a Aurora de róseos braços,
levada pelo amor, consigo arrastou para o fim do mundo,
sendo este belo e jovem; mas até dele se apoderou,
com o tempo, a [grisalha] velhice, dele que tinha imortal esposa.

o novo poema de Safo, traduzido por Carlos de Jesus
in Boletim de Estudos Clássicos 44 (2005).

Já os membros não podem comigo, ó donzelas
de vozes doces de encantar. Quem dera que eu fosse como o cérilo,
que voa com os alcíones, à superfície das ondas,
com seu peito inquebrantável, essa ave sagrada, cor de púrpura marinha.

Álcman, frg. 26 Page, traduzido por MHRP,
in Hélade - Antologia da Cultura Clássica

imagem: Os Três Estádios da Mulher (Esfinge), de Munch
c. 1894, @ Colecção Rasmus Meyer, Bergen

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sappho in Childhood

She joined her brothers, tossing knucklebones,
running barefoot races down the docks of Mytilene.
Like beggars, they sponged up sweet figs from strangers,
honey cakes, a kylix of sour wine they choked down straight
until they giggled home, the day a sea of glittered waves
behind them. Her mother dragged her by the braid
across the portico, had the slaves undress her, doused
her daughter's stained skin with hot oil and set her,
drowsed, at the loom to count threads, while in her head,
she added syllables.

Phoebe North, Mimesis 5
imagem: Safo, de Heva Coomans

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Safo Sempre


A beleza servi
e não conheço nada maior.

Safo, frg. LXII na tradução de Eugénio de Andrade*
Limiar, Porto: 1974.
*agradece-se a quem me souber indicar o número correcto do fragmento.

imagem: In the Days of Sappho, de John William Godward (1904)
@ J. Paul Getty Museum, Los Angeles