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sábado, 28 de abril de 2012

O Que Lêem Os Nossos Políticos

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, defende que a União Europeia deve “olhar para todos os Estados membros com a mesma isenção e neutralidade com que Homero na sua Ilíada tratou Aquiles e Heitor, gregos e troianos”.

Do lado troiano, sobressai em toda a sua grandeza a figura de Heitor, ao mesmo tempo heróica e humana. É modelo de filho, de marido, de pai, de cidadão. Luta pelo seu país e pela sua família, não apenas para alcançar honra pessoal, como Aquiles. Este tratamento do herói máximo da facção inimiga é a mais antiga prova da imparcialidade — direi mesmo, da superioridade moral grega*. Não será a última.
*Quando Heitor morre às mãos de Aquiles, e os Aqueus finalmente ousam aproximar-se para o verem de perto, o seu primeiro movimento é de admiração pela beleza física do inimigo (XXII.367-371)

Maria Helena Rocha Pereira, 
Estudos de História da Cultura Clássica - I Volume: Cultura Grega.
Gulbenkian, Lisboa: 2006 (pg. 78).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Pré-Socráticos #1: A Grécia Arcaica


Primeira sessão do ciclo Tertúlias Pré-Socráticas, promovido pela associação Origem da Comédia. Maria Helena Rocha Pereira fala da Grécia Arcaica, enquanto plano de fundo histórico-cultural da revolução científica e filosófica protagonizada pelos filósofos que serão tratados nas sessões seguintes. Sessão decorrida no dia 5 de Março de 2010, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra.

domingo, 23 de maio de 2010

Espionagem

FM: Entre tantos outros projectos de estudo que a ocuparam depois, qual é que destaca?
MHRP: A edição crítica da Pausaniae Graeciae Descriptio, de Pausânias, que fiz para a Biblioteca Teubneriana, a convite da Academia das Ciências de Berlim. Os manuscritos estavam espalhados por toda a Europa. Como, na altura, a saúde da minha mãe não me permitia sair do país, fizeram-me chegar por correio os microfilmes de todos os manuscritos. Ao todo, 26 microfilmes! Até aconteceu uma coisa muito engraçada. Era o tempo da Guerra Fria. Começaram a mandar-me manuscritos de Moscovo e eu fui chamada à Alfândega do Porto. O que era aquilo que eu estava a receber, ainda mais numa língua que ninguém percebia? Fui lá, expliquei o que se passava e apresentei as cartas da Academia das Ciências de Berlim. Disse-lhes: «Estão escritas em alemão. Se quiserem, eu traduzo». De facto, aquilo parecia uma coisa de espionagem. [Risos]
FM: Qualquer dia, o estudo do Grego e do Latim é quase como isso... Espionagem.
MHRP: Até certo ponto, sim. Mas espero que não.

Maria Helena Rocha Pereira, entrevistada por Filipa Melo
in LER 91 (Maio 2010, mas só agora me chegou às mãos).