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terça-feira, 28 de maio de 2013

[C3|3 #3] Ciclo Clássicos no Cinema II: 'Το βλέμμα του Οδυσσέα/O Olhar de Ulisses', de Theo Angelopoulos (1995)

O ciclo de cinema da Origem fecha-se finalmente com uma última sessão no Porto, em que exibiremos O Olhar de Ulisses, de Theo Angelopoulos, o grande realizador grego que infelizmente nos abandonou há pouco mais de um ano enquanto trabalhava nas filmagens do seu novo filme. Angelopoulos viria a ganhar com a sua obra seguinte, Eternidade e Um Dia (1998), a Palma de Ouro, mas, na altura, desabafou que o palmarés chegava atrasado, com isso reconhecendo O Olhar de Ulisses como a sua grande obra, que foi galardoada em Cannes "apenas" com o Grande Prémio do Júri. 

O Olhar de Ulisses é o filme do meio da trilogia que o realizador dedicou às fronteiras e aos Balcãs (para um resumo do argumento pelo próprio realizador, vide). O personagem principal, um realizador de nome A., percorre a península em busca das bobines do primeiro filme dos irmãos Manakis, os pioneiros do cinema nos Balcãs. A sua viagem replica, de alguma forma, as deambulações de Ulisses e, como o herói clássico, nas suas paragens vai-se cruzando com misteriosas mulheres, que são uma e muitas, a tempos encarnando Circe, Nausícaa, Calipso, Penélope. 

O filme é duplamente pertinente, não só por esta revisitação do motivo homérico (que, de resto, reaparece noutros pontos na obra do realizador) como pela interrogação que constitui sobre a Grécia moderna e, até mais amplamente, sobre os Balcãs (grassava então a guerra em Sarajevo, cujas ruínas são o cenário de fundo de uma das cenas mais belas de toda a filmografia do autor e, quiçá, de todo o cinema). Fica o convite a este desafio de pensar os gregos, velhos e novos, a partir desta meditação filmada de Angelopoulos. Para nos orientar e estimular, teremos connosco Joana Matos Frias, professora da FLUP, que, no início,  nos dará algumas pistas de leitura da obra, em torno da qual conversaremos todos no fim.  


O OLHAR DE ULISSES, de Theo Angelopoulos 
apresentado por Joana Matos Frias
legendas em inglês 

31 de Maio, 18h30 
Sala 201, Faculdade de Letras,
Universidade do Porto, Porto

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Hidra
 
Se nunca foste a Hidra no outono
então não sabes
como é branco o branco e azul o azul.
Se nunca ali chegaste com o sol
escorrendo das colinas entre as hastes
da flor encontrada por Ulisses
no próprio inferno - então não sabes
como a terra é o lugar certo
para morrer.

Eugénio de Andrade, Poesia, Modo de Ler, Lisboa, Abril 2011, p.547

domingo, 25 de março de 2012

Imperfection? I'm in!

    Sentado numa rocha, na ilha de Ogígia, com a barba enterrada entre as mãos, donde desaparecera a aspereza calosa e tisnada das armas e dos remos, Ulisses, o mais subtil dos homens, considerava, numa escura e pesada tristeza, o mar muito azul que, mansa e harmoniosamente, rolava sobre a areia muito branca. (...) Sete anos, sete imensos anos, iam passados desde que o raio fulgente de Júpiter fendera a sua nave de alta proa vermelha, e ele, agarrado ao mastro e à carena, trambolhara na braveza mugidora das espumas sombrias, durante nove dias, durante nove noites, até que boiara em águas mais calmas, e tocara as areias daquela ilha onde Calipso, a deusa radiosa, o recolhera e o amara!
   E durante esses imensos anos, como se arrastara a sua vida, a sua grande e forte vida, que, depois da partida para os muros fatais de Tróia, abandonando entre lágrimas inumeráveis a sua Penélope de olhos claros, o seu pequenino Telémaco enfaixado no colo da ama, andara sempre tão agitada por perigos, e guerras, e astúcias, e tormentas, e rumos perdidos? (...) Deusa, há oito anos que não olho para uma sepultura... Não posso mais com esta serenidade sublime! Toda a minha alma arde no desejo do que se deforma, e se suja, e se espedaça, e se corrompe... Oh deusa imortal, eu morro com saudades da morte!
   -Quantos males te esperam, oh desgraçado! Antes ficasses, para toda a imortalidade, na minha ilha perfeita, entre os meus braços perfeitos...
   Ulisses recuou, com um brado magnífico:
   - Oh deusa, o irreparável e supremo mal está na tua perfeição!
   E, através da vaga, fugiu, trepou sôfregamente à jangada, soltou a vela, fendeu o mar, partiu para os trabalhos, para as tormentas, para as misérias - para a delícia das coisas imperfeitas!
Eça de Queirós, "A Perfeição", in Contos, Edição Livros do Brasil, Lisboa 2002, pp.221-244

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

! ou ?

Greek archaeologists believe they have found the remains of a royal residence of pre-Classical Ithaca, with links to legendary Odysseus (Ulysses) inevitably coming to mind. Excavations by a University of Ioannina team of archaeologists are centred on the Aghios Athanassios site of Ithaca, a small isle in the Ionian Sea - west of mainland Greece - that has long been associated with Homeric hero Odysseus and the epic Odyssey.

"According to evidence so far, which is extremely significant, and taking under consideration scientific reservations, we believe we are before the palace of Odysseus and Penelope; the only one of the Homeric-era palaces that has not yet been discovered," professor Thanassis Papadopoulos told reporters during a briefing last week.

To date, the dig has uncovered remains of a three-storey building with an interior staircase cut into the side of sheer rock. Remnants of Mycenaean-era pottery were also found, along with a fountain dated to the 13 century BC. Similar fountains have been unearthed at the related sites of the acropolis of Mycenae and Tiryns , in southeast mainland Greece , and specifically in the Argolida plain in the NE Peloponnese.

Tirado daqui. Ver também aqui.

domingo, 27 de junho de 2010

Uma Pessoa Abre A Ilíada

à procura de um qualquer verso para o qual tem a referência e, ao folhear as páginas para lá chegar, depara-se com isto (3.216-223; trad.: Frederico Lourenço, Cotovia 2005):
Mas quando se levantava Ulisses de mil ardis,
ficava em pé com os olhos pregados no chão,
sem mover o ceptro para trás ou para a frente,
mas segurava-o, hirto, como quem nada compreendia:
dirias que era um palerma, alguém sem inteligência.
Mas quando do peito emitia a sua voz poderosa,
suas palavras como flocos de neve em dia de inverno,
então outro mortal não havia que rivalizasse com Ulisses.
Aquele verso não me abandonou o dia inteiro.

[ἀλλ᾽ ὅτε δὴ πολύμητις ἀναΐξειεν Ὀδυσσεὺς
στάσκεν, ὑπαὶ δὲ ἴδεσκε κατὰ χθονὸς ὄμματα πήξας,
σκῆπτρον δ᾽ οὔτ᾽ ὀπίσω οὔτε προπρηνὲς ἐνώμα,
ἀλλ᾽ ἀστεμφὲς ἔχεσκεν ἀΐδρεϊ φωτὶ ἐοικώς:
220φαίης κε ζάκοτόν τέ τιν᾽ ἔμμεναι ἄφρονά τ᾽ αὔτως.
ἀλλ᾽ ὅτε δὴ ὄπα τε μεγάλην ἐκ στήθεος εἵη
καὶ ἔπεα νιφάδεσσιν ἐοικότα χειμερίῃσιν,
οὐκ ἂν ἔπειτ᾽ Ὀδυσῆΐ γ᾽ ἐρίσσειε βροτὸς ἄλλος:]