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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

En el río de los deleites

"Como todos los hombres de Babilonia, he sido procónsul; como todos, esclavo; también he conocido la omnipotencia, el oprobio, las cárceles. (...) En el crepúsculo del alba, en un sótano, he yugulado ante una piedra negra toros sagrados. Durante un año de la luna, he sido declarado invisible: gritaba y no me respondían, robaba el pan y no me decapitaban. He conocido lo que ignoran los griegos: la incertidumbre. En una cámara de bronce, ante el pañuelo silencioso del estrangulador, la esperanza me ha sido fiel; en el río de los deleites, el pánico."

Jorge Luis Borges, "La lotería en Babilonia", Ficciones, Biblioteca Borges, Alianza Editorial
(pelo seu 112º aniversário, Mar de Plata, Argentina)



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Eternidades

A serpente que cinge o mar e é o mar,
O repetido remo de Jasão, a jovem espada de Sigurd.
Só perduram no tempo as coisas
Que não foram do tempo.


Jorge Luis Borges
, in A Rosa Profunda, Obras Completas vol. III, Tradução de Fernando Pinto do Amaral, Editorial Teorema, 1998

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mas a ideia é a mesma*

Um verso bom não permite ser lido em voz baixa, ou em silêncio. Se pudermos fazê-lo, não é um verso válido: o verso exige ser pronunciado. O verso recorda sempre que foi uma arte oral antes de ser uma arte escrita, recorda que foi um canto.
Há duas frases que o confirmam. Uma é a de Homero ou a dos Gregos que denominamos por Homero, que diz na Odisseia: «os deuses tecem desventuras aos homens para que as gerações vindouras tenham alguma coisa que cantar.» A outra, muito posterior, é de Mallarmé e repete o que diz Homero menos belamente: «tout aboutit en un livre» («tudo vai dar a um livro»). Aqui temos as duas diferenças; os Gregos falam de gerações que cantam, Mallarmé fala de um objecto, de uma coisa entre as coisas, um livro. Mas a ideia é a mesma, a ideia de que nós fomos feitos para a arte, somos feitos para a memória, somos feitos para a poesia ou possivelmente somos feitos para o esquecimento. Mas há algo que resta e esse algo é a história ou a poesia, que são essencialmente diferentes

Jorge Luis Borges
, in Sete Noites, Obras Completas vol. III, Tradução de Fernando Pinto do Amaral, Editorial Teorema, 1998

*Jorge Luis Borges, mesmerezing me com os seus escritos desde 1923.