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quinta-feira, 3 de abril de 2014

mas claro, o que Creonte faz com o corpo de Polinices é de uma selvajaria odiosa aos deuses

Édipo condenando Polinices
com Ismena e Antígona
, de André Baschet 




Nesse momento, em que a agitação atingia o cume e o povo andava dividido, Sólon, já célebre, avançou por entre as duas facções juntamente com os mais importantes entre os atenienses, e, entre pedidos e conselhos, convenceu os chamados 'sacrílegos' a submeterem-se a julgamento, procedendo-se à escolha de trezentos juízes, entre as famílias nobres. A acusação foi movida por Míron de Flias e os réus foram considerados culpados. Os que ainda viviam foram exilados, os restos do que já haviam morrido foram desenterrados e lançados para lá da fronteira.

ἐν δὲ τῷ τότε χρόνῳ τῆς στάσεως ἀκμὴν λαβού- σης μάλιστα, καὶ τοῦ δήμου διαστάντος, ἤδη δόξαν ἔχων ὁ Σόλων παρῆλθεν εἰς τὸ μέσον ἅμα τοῖς πρώτοις τῶν Ἀθηναίων, καὶ δεόμενος καὶ διδάσκων ἔπεισε τοὺς ἐναγεῖς λεγομένους δίκην ὑποσχεῖν καὶ κριθῆναι τριακοσίων ἀριστίνδην δικαζόντων. Μύρωνος δὲ τοῦ Φλυέως κατη- γοροῦντος ἑάλωσαν οἱ ἄνδρες, καὶ μετέστησαν οἱ ζῶντες, τῶν δ' ἀποθανόντων τοὺς νεκροὺς ἀνορύξαντες ἐξέρριψαν ὑπὲρ τοὺς ὅρους.

Plutarco, Vida de Sólon 12.3-4
Classica Digitalia, Coimbra: 2012 (trad.: Delfim Leão). 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Simbelmynë, ou No Parent Should Have To Bury Their Child




E conta também Dioscórides, nos Memoráveis, que quando Sólon chorou o filho que lhe havia morrido ([notícia] que não nos chegou [de outras fontes]), a um que lhe dizia: "Mas nada conseguirás [com isso] [i.e.: chorar não fará o teu filho regressar dos mortos: nada podes fazer]", respondeu: "Por isso mesmo choro: porque nada posso*".
*em abono da verdade, o verbo é o mesmo que antes foi traduzido como «conseguir algo», tradução mais fiel ao sentido do grego, que significa algo como «alcançar», «completar», «levar a cabo com sucesso».

[καὶ αὐτόν φησι Διοσκουρίδης ἐν τοῖς Ἀπομνημονεύμασιν (FGrH 594 F 6), ἐπειδὴ δακρύει τὸν παῖδα τελευτήσαντα, ὃν ἡμεῖς οὐ παρειλήφαμεν, πρὸς τὸν εἰπόντα, “ἀλλ' οὐδὲν ἀνύτεις,” εἰπεῖν, “δι' αὐτὸ δὲ τοῦτο δακρύω, ὅτι οὐδὲν ἀνύτω.”]

Diógenes Laércio, Vidas e Opiniões dos Filósofos Ilustres I.63