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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pois, Há Uns Quantos Séculos Atrás Não Foi Assim

The director of the Bibliotheca Alexandrina has announced that his building, built in commemoration of the famous ancient library destroyed in antiquity, is being kept safe by Egypt's young people during the current unrest sweeping the country.

In a statement on the library's site, Ismail Serageldin tells "friends around the world" that the library is being protected by the city's youth from the threat of looting by the "lawless bands of thugs, and maybe agents provocateurs" who have materialised since the popular protests sweeping through Egypt's major cities began several days ago.

"The young people organised themselves into groups that directed traffic, protected neighborhoods and guarded public buildings of value such as the Egyptian Museum and the Library of Alexandria," he states. "They are collaborating with the army. This makeshift arrangement is in place until full public order returns."

retirado daqui.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Alexandria Ad Aegyptum

ALEXANDRIA AD AEGYPTUM
A experiência do multiculturalismo na Antiguidade
21 e 22 de Outubro 2010
Anfiteatro nobre (FLUP).
Entrada gratuita.

21/10
09:00 — Abertura

09:30 — No Encalço da Fundação de Alexandria, de Maria de Fátima Sousa e Silva (UC)
10:00 — Os Ptolomeus: uma dinastia mal-amada e mal conhecia, de José das Candeias Sales (Univ. Aberta)
10:30 — The Alexandria Project, de Omnia Mounir Fathallah (Bibliotheca Alexandrina)

11:00 — Intervalo

11:30 — A Obra Historiográfica de Maneton, de Luís Manuel de Araújo (UL)
12:00 — Alexandria em Festa: Mobilidade, Lazer e Arte na Época Helenística, de Luísa de Nazaré Ferreira (UC)

12:30 — Almoço

14:30 — Identidade e Cosmopolitismo: o politeuma judaico de Alexandria, de Delfim Leão (UC)
15:00 — Hermes Trimegisto e as rotas cruzadas da filosofia oculta, da ciência e da linguagem, de Filomena Vasconcelos (UP)
15:30 — A Alexandria de Fílon em Fílon de Alexandria, de Manuel Alexandre Júnior

16:00 — Intervalo

16:30 — Os Calendários do Antigo Egipto, de Telo Canhão (UL)
17:00 — A Astronomia Alexandrina, de Henrique Leitão (UL)
17:30 — A Matemática de Alexandria: a nossa matemática, de Jorge Nuno Silva (UL)

18:00 — Inauguração da exposição de fotografia A Cor e a Luz: detalhes de uma fascinação egípcia, coordenada por Maria do Carmo Serén (Biblioteca Central)

22/10
09:30 — Os Septuaginta e a helenização da tradição judaica, de José Augusto Ramos (UL)
10:00 — A origem alexandrina do Evangelho (gnóstico) segundo São João, de Ricardo Tavares (Univ. Católica)
10:30 — Hipácia e as particularidades do cristianismo egípcio: causas para a incomunicabilidade, de Paula Barata Dias (UC)

11:00 — Intervalo

11:30 — Cosmopolitan trands in the arts of Ptolemaic Alexandria, de Mona Haggan (Univ. Alexandria)
12:30 — O retrato e o realismo da escultura no período helenístico, de José Ribeiro Ferreira (UC)

12:30 — Almoço

14:30 — Apolónio de Rodes e o universo dos Argonautica, de Maria do Céu Fialho (UC)
15:00 — Calímaco e os novos caminhos do mito, de Marta Várzeas (UP)
15:30 — Tradição e identidade em Lícofron, de Jorge Deserto (UP)

16:00 — Intervalo

16:30 — Alexandria na literatura latina clássica, de Maria Cristina Pimental (UL)
17:00 — O Culto de Ísis em Roma, de Cláudia Teixeira (Univ. Évora)
17:30 — Entre o Museu e a Biblioteca de Alexandria, de Maria Helena da Rocha Pereira (UC)

18:00 — Encerramento

18:30 — Joclécio Azevedo: performance «Alexandria: Fragmentos» (Biblioteca Central)

imagem: fotograma de Ágora, de Amenábar (2010)
reconstituição da ágora de Alexandria em 391 d.C.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fortuna Imperatrix Mundi

A Fortuna, que corrompe a vida toda,
cuja natureza não conhece a moderação,
que mistura e depois serve de novo,
agora é ela própria taberneira, não deusa,
tem um ofício digno do seu carácter.

Páladas de Alexandria, Antologia Palatina 9.180
in Do Mundo Grego Outro Sol, Asa, Porto: 2001. (trad.: Albano Martins).

Páladas é um dos mais interessantes poetas antologiados na famosa Antologia Palatina. Gramático de profissão, residente em Alexandria, pagão, assistiu ao período conturbado do patriarcado de Teófilo, na passagem do século IV para o V, em que o cristianismo triunfou simbolicamente sobre o paganismo, com a destruição do templo de Serápis (o acontecimento com que culmina a primeira metade do Ágora, de Amenábar). Há, talvez por isso, um tom de desencanto que atravessa os seus poemas mais sérios, a consciência de que uma época chega ao seu fim e a consequente sensação de ser um exemplar anacrónico que restou de outros tempos, com a solidão que acompanha esse sentimento (ele tem, aliás, um belíssimo epigrama sobre isso). Poder-se-ia ler o poema acima nesta chave: uma reflexão mordaz sobre as voltas da roda da fortuna. Ainda assim, creio não estar em erro ao arriscar que muitos leitores estarão ainda a pensar no que possa significar aquele dístico final: que quer Páladas dizer com aquela imagem da Fortuna taberneira? Pois bem,
The cults of other traditional gods were discontinued at this time [depois da destruição do Serapeum], including that of Tyche [Fortuna], the former protectress of the city's abundance and good fortune. Palladas has left to us three enchanting epigrams depicting the transformation of the Tychaion into a wineshop. In these poems, Palladas plays upon the current misfortune of Fortune and he notes with some irony that "Thou who hadst once a temple, keepest a tavern in thy old age,/ and we see thee now serving hot drinks to mortals". The statues in the Tychaion, however, escaped destruction and existed at least until the Persian conquest in 619.
Christopher Haas, Alexandria in Late Antiquity - Topography and Social Conflict.
Johns Hopkins University Press, Baltimore & Londres: 1997.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Navegar É Preciso, Mas Não Ao Sábado

The maritime activities of Alexandrian Jews are also revealed in a vastly different source, a letter written circa 400 by Synesius, the urbane bishop of Ptolemais. In this letter addressed to his brother, Euoptius, Synesius chronicles the disasters he encountered on a voyage he took from Alexandria to Cyrenaica. Synesius booked passage in Alexandria with a Jewish navicularius named Amarantus, whom he describes as "a teacher of the [Mosaic] law". Not only was the ship's captain Jewish but nearly half of the crew as well. Synesius reports how the ship almost suffered shipwreck owing to the religious practices of the captain — who refused to steer the vessel in the midst of a storm because the Sabbath had begun! [...] Another aspect of Jewish economic life within Alexandria concerns the question of debt, which seems to have been a large problem for some sectors of the community. Synesius' navicularius, Amarantus, "courted death owing to his bankrupt condition". In fact, his crew was unable to replace a torn sail during the storm since the spare one had been pledged as security for a loan.

Christopher Haas, Alexandria in Late Antiquity - Topography and Social Conflict.
Johns Hopkins University Press, Baltimore & Londres: 1997.

imagem: o Farol de Alexandria, segundo Martin Heemskerck.