Mostrar mensagens com a etiqueta nórdicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nórdicos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Obviamente, Aristóteles Não Leu As Eddas

Um navio que fosse do tamanho da cabeça de um dedo, não seria um navio.
...οἷον πλοῖον σπιθαμιαῖον μὲν οὐκ ἔσται πλοῖον ὅλως...

Aristóteles, Política VII.1326a40
Vega, Lisboa: 1998. (trad.: António Amaral e Carlos Gomes)

In Norse mythology, Skíðblaðnir is the ship of Freyr. The ship was made by Dvalin and his brothers, dwarves and sons of Ívaldi. It was made at the request of Loki, and was given to Freyr as part of Loki's reparation for the theft of Sif's golden hair. The ship was big enough to hold the whole of the host of Asgard, and whenever the sails were hoisted, a fair wind followed. It could travel over both land and sea. According to the Ynglinga saga, Skíðblaðnir was made by so many parts and with such ingenuity that it could be folded like a cloth and carried in one's pouch.

retirado daqui.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

De novo sobre Nortistas e Sulistas

Pegando na citação do João numa das entradas anteriores, a respeito da eternidade dos deuses gregos tenho a relembrar o mister Shelley que, se o respeitamos por ter dito "We are all Greeks." então também teremos de respeitar no que ao que mitologia diz respeito: No seu Prometheus Unbound essa suposta constância divina não existe, Zeus é derrotado, e Demigorgon assume-lhe o trono. A monarquia dos céus é ciclicamente alterada. E, de novo, até que ponto é que a situação é assim tão alien à figuração grega? N'As Nuvens de Aristóteles também Zeus (que está por toda a hierarquia celeste) é substituido pelo "Vortex": é comédia, sim, é alegoria, sim: mas não é impensável.

Quando é que se terão perdido definitivamente as duas outras partes da trilogia de Prometeu, da qual apenas nos resta o Prometeu Agrilhoado (que, como já foi apontado, foi hoje apresentado em Lisboa e sê-lo-á amanhã em Coimbra)? Fantasiemos que terá sido cedo: com que situação bizarra, inconcebível, ímpia se depararia um grego ao ler um dos maiores tragediógrafos a colocar tão possível o destronar de Zeus? E a contingência de toda a ordem olímpia por arrastamento?

Arde o Etna porque Tífon ainda lá se espasma. O destroço duma geração passada, divina, assim na Terra como no Céu, permanece presente como a ruína duma coluna antiga permanece presente: a presença dos deuses não está em causa. A afirmação inicial da entrada do João, "contrast the 'inhumanness' of the Greek gods, however antropomorphic, with the 'humanness' of the Northern, however titanic", faz-me porém lembrar a fase final do Ragnarok, em que após a destruição de gigantes e de bestas, de Valhalla e da própria criação inteira, nasce dessa ambrósia derretida um casal, como se o sacrifício mortal daquilo que há de mais humano-transcendente se justificasse à luz do que está para vir, casal esse que se depara com um mundo que é todo ele possibilidade e limpidez, mas onde não existe mais a segurança do destino apocalíptico por-vir. Alterando Hölderlin, "Allein zu seyn, / und ohne Götter, ist das Leben." (Estar sozinho, e seu deuses, é Vida.) Talvez esses dois sejam (tenham sido? venham a ser?) os verdadeiramente primeiros "condenados a ser livres" sem nada quer de obstáculo quer de Lei que os constrinja, liberdade essa que na teologia cristã virá a ser reservada para Deus, ou, como diria o senhor Ž, "o Filho não estava presente em Deus antes da Encarnação, aí sentado ao seu lado. A Encarnação é o nascimento [ou seja, o tornar-se humano] de Cristo, e depois da sua morte, não há Pai nem Filho, mas  "só" o Espírito Santo, a substância espiritual da comunidade religiosa."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Mitologia Comparada


Estas palavras, desconhecidas da maioria dos amantes das coisas clássicas (parecemos perseverar no erro de ignorar o segundo grande filão mitológico da Europa, como os deuses fossem uma criação grega - Ódin nos perdoe a hamartia), quando bem pesadas, não podem senão provocar uma alteração profunda no nosso modo de olhar a mitologia grega.

…we may with some truth contrast the 'inhumanness' of the Greek gods, however antropomorphic, with the 'humanness' of the Northern, however titanic. In the southern myths there is also a rumour of wars with giants and great powers not Olympian [...]. But this war is differently conceived. It lies in a chaotic past. The ruling gods are not besieged, not in ever-present peril or under future doom. Their offspring on earth may be heroes or fair women; it may also be the other creatures hostile to men. The gods are not the allies of men in their war against these or other monsters. The interest of the gods is in this or that man as part of their individual schemes, not as part of a great strategy that includes all good men, as the infantry of the battle. In Norse, at any rate, the gods are within Time, doomed with their allies to death. Their battle is with monsters and the outer darkness. They gather heroes for the last defence. [...] When Baldr is slain and goes to Hel he cannot escape thence any more than mortal man. This may make the southern gods more godlike - more lofty, dread, and inscrutable. They are timeless and do not fear death.

J. R. R. Tolkien, Beowulf: The Monsters and the Critics
(disponível aqui).

imagem: Odin's Last Words To Baldr, de W.G. Collingwood
em The Elder or Poetic Edda. Edited and translated
with introduction and notes by Olive Bray
(1908).