Mostrar mensagens com a etiqueta eurípides. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eurípides. Mostrar todas as mensagens

sábado, 26 de maio de 2012

Workshop on Euripides



WORKSHOP ON EURIPIDES
Researching, Rewriting and staging Euripidean tragedy

30.05.2012: Sala do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, FLUC, Coimbra

14h45m - Abertura
Milagros Quijada Sagredo (Univ. del País Vasco), “El Eurípides tardío: la tragedia griega a finales del siglo V a. C."
Frederico Lourenço, (UI&D-CECH, Univ. Coimbra), “Schopenhauer on Euripidean Tragedy"
Lorna Hardwick (Open Univ., U.K.), “Euripides and the Spectators: Ancient and Modern

17h - Pausa para café

Apresentação de livros
Carlos Morais (Univ. Aveiro), Frederico Lourenço, The Lyric Metres of Euripidean Drama, Coimbra, CECH, Classica Digitalia, 2011;
Jorge Pereira do Deserto (UI&D-CECH, Univ. Porto), Milagros Quijada Sagredo (ed.), Estudios sobre Tragedia Griega. Eurípides, el teatro griego de finales del siglo V a. C. y su influencia posterior, Madrid, Ed. Clásicas, 2011;
Cláudio Castro Filho (UI&D-CECH, Univ. Federal Rio de Janeiro): «O Projecto Hipólito. Encenação e workshop: Carlos de Jesus, Cláudio Castro Filho, José Ribeiro Ferreira (eds.), Hipólito e Fedra. Nos caminhos de um mito, Coimbra, CECH, Classica Digitalia, 2012».

18h - Encerramento.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Privado & A Cidade no 'Íon' de Eurípides: Uma Sugestão Sem Compromisso

Estive há duas semanas atrás num colóquio intitulado Narrativas do Poder Feminino, na Faculdade de Filosofia da Católica de Braga. Mária de Fátima Silva, conhecida pelas suas traduções de Aristófanes, boa comunicadora, falou sobre o Íon de Eurípides, peça-protótipo de toda a novela mexicana. Não pude deixar de a questionar em relação ao final deste late romance euripideano. A professora insistira particularmente no sofrimento de Creúsa, que vive a desonra feminina maior: o opróbrio da esterilidade, vendo mais: que, por causa disso, o marido, para garantir a sucessão do trono, terá de reconhecer um dos seus filhos bastardos, para mais de sangue bárbaro, como o pai. No fim, Apolo, por meio de outros deuses, que escolhe como seus mensageiros, faz perceber Creúsa que o rapaz que Xuto reconhece como filho de uma ligação anterior é, na realidade, filho da princesa e do deus: não só Creúsa, portanto, não é estéril (uma felicidade para ela como mulher), como quem herdará o trono será um ateniense de gema (um consolo para ela como rainha orgulhosa da sua terra). Todavia, Xuto, exige o deus, deverá permanecer na ignorância de tudo isto e pensar que Íon é o fruto de um antigo affair (ou de uma simples noite). 

A minha pergunta era simples: visto que a verdade, por ordem de Apolo, deve ser mantida em segredo, então, temos de admitir, Creúsa continuará a ser vítima da desonra social de ser oficialmente infértil, mais: verá a sua posição ainda mais degradada porque, para todos os efeitos, o novo herdeiro não é do seu sangue e, por causa da sua esterilidade, foi necessário ir buscar um rapaz estrangeiro, uma vergonha para Atenas, que se orgulhava da sua autoctonia. A professora falou de como isto, a bem dizer, recuava para segundo plano, pois a Creúsa fora concedido «tocar o privilégio da essência» (isto entrelançava-se com outras reflexões desenvolvidas ao longo do paper apresentado, as quais não podemos aqui reproduzir, para contextualizar a validade da resposta). Não pude, porém, deixar de ficar a pensar nisto e descobri aqui, não querendo regressar à severidade do juízo nietzschiano, o sinal de uma decadência: a esfera do privado triunfara sobre a do público, ao ponto desta última poder ser desprezada pelo sujeito, satisfeito com a sua verdade íntima. Se, com Sófocles, na Antígona, emergira, de forma violenta, a ruptura entre o sujeito e a cidade, mas esta oposição era ainda o material de uma tragédia a sério, porque o dramaturgo e os espectadores, educados na unidade das duas dimensões, que Ésquilo de alguma forma ilustra, sentiam tal tensão como perturbadora, já no Íon, pelo contrário, o privado superiorizou-se pacificamente e a comunidade recuou para um segundo plano onde recebe apenas a importância que eu lhe resolvo conceder. Não sei se esta intuição tem algum futuro, sequer se é, perspectivada globalmente, sustentável, mas não quis deixar de a partilhar, para suscitar ao pensamento, ou morrer já. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

'Bacantes' no São Luiz

Bacantes, a partir de Eurípides, pelo Teatro Oficina 
no São Luiz, de 20 a 22 de Janeiro 
M/18, sexta e sábado às 20h; domingo às 16h

Bacantes, de Eurípides, tragédia do embate entre a explosão dos sentidos e as razões de Estado, território de manipulação do desejo em nome da vingança, regressa-nos em forma de ópera carnavalesca, animada por mais de trinta actores, cantores e músicos, divindades afro-brasileiras, música pop e comentário político. Regressa e sobrevive – é já uma criação de 1995 – porque é um espectáculo sempre à procura da distância exacta entre Tebas e o Brasil contemporâneo.

mais informações aqui.



domingo, 13 de fevereiro de 2011

O prazer de ver

Chorus: I have crossed the narrows
of Euripos, I came sailing and I beached
at Aulis on the sands. I left
Calchis, my city, where the spring
of Arethousa wells up and runs flashing
down to the sea. I came
to see for myself this army of the Achains,
the oar-winged ships of the heroes,
the thousand galleys
which blond Menelaos and Agamemnon of the same
great lineage sent,
as our husbands tell us,
to fetch Helen again:
Helen.
(…) Through the grove
where the victims die on the altar
of Artemis I came
running, and I blushed for shyness
at my fever to see
the pitched strength of the Danaans, the tents
hung with weapons, the clanging
press of armed horsemen.
(…) And I came to where the ships lie. Even a god
would find no words for the way that sight
stirs a woman’s eyes. Pleasure took my breath away.

Eurípides, Ifigénia em Áulis (tradução de W. S. Merwin e George E. Dimock, Jr., in The Complete Euripides, vol. II, Oxford University Press, 2010).  

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Apolo, o Deus-Pinóquio


Então eu, ao ouvir isto, reflecti assim: «Que indicará o deus [Apolo] e que deixa ele perceber? Se eu nem muito nem pouco reconheço ser sabedor, que poderá ele querer dizer, ao afirmar que eu sou o mais sábio? Pois com certeza não mente, não tem esse direito!»

[ταῦτα γὰρ ἐγὼ ἀκούσας ἐνεθυμούμην οὑτωσί: “τί ποτε λέγει ὁ θεός, καὶ τί ποτε αἰνίττεται; ἐγὼ γὰρ δὴ οὔτε μέγα οὔτε σμικρὸν σύνοιδα ἐμαυτῷ σοφὸς ὤν: τί οὖν ποτε λέγει φάσκων ἐμὲ σοφώτατον εἶναι; οὐ γὰρ δήπου ψεύδεταί γε: οὐ γὰρ θέμις αὐτῷ.”]

Platão, Apologia de Sócrates 21b
INCM, Lisboa: 1983. (trad.: José Trindade Santos)

Mas Apolo como o deus da arte, porque o deus mentiroso («ficção»: do latim fingo, 'criar', em português: 'fingir' — a língua é hegeliana: a palavra só no fim da sua evolução acha a sua verdade, a consciência de si). Sugestão, então: pensar toda a Apologia como uma tragédia-farsa, em que o deus assiste, com prazer, ao julgamento do mortal que, porque acreditou nele e no seu oráculo falso, se condenou. Sócrates, o apolíneo à machada, por auto-sugestão. Apolo, na realidade, nunca quis nada com ele, quando muito arranjar matéria para que um seu protegé compusesse obras maiores e não, como os outros, para se perderem, tragédias. Sócrates: o sacrifício de Apolo para Platão.

*

Nem aprovaremos a passagem de Ésquilo, onde Tétis diz que Apolo, ao cantar nos seus esponsais, lhe predissera uma feliz progénie
de filhos destinados a uma vida longa, isenta de doenças.
Após ter anunciado que de tudo os deuses velariam com amor, no meu destino,
entoou o péan, para alegria do meu coração.
E eu julgava que a boca divina de Febo
plena com o sopro da profecia, não tinha lugar para a mentira.
E ele, o mesmo que cantou este hino, que estava presente na festa,
o mesmo que previu este futuro, ele mesmo é que matou o meu filho.
[οὐδὲ Αἰσχύλου, ὅταν φῇ ἡ Θέτις τὸν Ἀπόλλω ἐν τοῖς αὑτῆς γάμοις ᾁδοντα “ἐνδατεῖσθαι τὰς ἑὰς εὐπαιδίας/ νόσων τ᾽ ἀπείρους καὶ μακραίωνας βίους,/ ξύμπαντά τ᾽ εἰπὼν θεοφιλεῖς ἐμὰς τύχας/ παιᾶν᾽ ἐπηυφήμησεν, εὐθυμῶν ἐμέ./ κἀγὼ τὸ Φοίβου θεῖον ἀψευδὲς στόμα/ ἤλπιζον εἶναι, μαντικῇ βρύον τέχνῃ:/ ὁ δ᾽, αὐτὸς ὑμνῶν, αὐτὸς ἐν θοίνῃ παρών,/ αὐτὸς τάδ᾽ εἰπών, αὐτός ἐστιν ὁ κτανὼν/ τὸν παῖδα τὸν ἐμόν—”]

Platão, República 2.383b (= Ésquilo, frg. 350)
Guimarães, Lisboa: 2005. (trad.: Elísio Gala)

*

[Atena fala, justificando Apolo e transmitindo as suas ordens:] Assim, Apolo conduziu tudo bem. Primeiro, fez que tivesses o teu filho sem sofrimento e ninguém soube de nada, graças a ele. Quando puseste no mundo a criança e a envolveste em faixas, pediu a Hermes que a recolhesse em seus braços e a trouxesse para cá [Delfos], alimentou-a e não permitiu que morresse. Agora, tu não reveles que esta criança é tua, para que a ilusão possa agradavelmente possuir Xuto, e abandona este templo, mulher, para teu bem.

[καλῶς δ᾽ Ἀπόλλων πάντ᾽ ἔπραξε: πρῶτα μὲν/ ἄνοσον λοχεύει σ᾽, ὥστε μὴ γνῶναι φίλους:/ ἐπεὶ δ᾽ ἔτικτες τόνδε παῖδα κἀπέθου/ ἐν σπαργάνοισιν, ἁρπάσαντ᾽ ἐς ἀγκάλας/ Ἑρμῆν κελεύει δεῦρο πορθμεῦσαι βρέφος,/ ἔθρεψέ τ᾽ οὐδ᾽ εἴασεν ἐκπνεῦσαι βίον./ νῦν οὖν σιώπα, παῖς ὅδ᾽ ὡς πέφυκε σός,/ ἵν᾽ ἡ δόκησις Ξοῦθον ἡδέως ἔχῃ,/ σύ τ᾽ αὖ τὰ σαυτῆς ἀγάθ᾽ ἔχουσ᾽ ἴῃς, γύναι./ καὶ χαίρετ᾽: ἐκ γὰρ τῆσδ᾽ ἀναψυχῆς πόνων/ εὐδαίμον᾽ ὑμῖν πότμον ἐξαγγέλλομαι.]

Eurípides, Íon 1595-1605
Liga de Amigos de Conímbriga, Condeixa: 2001.
(trad.: Manuel Pulquério e Maria da Silva Álvares)

imagem: estátua de Apolo, de uma villa de Tusculum
séc. I-II d.C., @ Glyptothek Museum, Munique

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eurípides/Crítias Contra Os Deuses

Também Eurípides, o poeta trágico, não quis manifestar as suas ideias, receando o Areópago, mas deu-as a entender do seguinte modo: pôs em cena Sísifo como representante desta opinião e fê-lo exprimir-se a favor da sua ideia. Disse [...]:

Houve um tempo em que a vida humana era desordenada
e serva de uma força selvagem
quando nem existia nenhuma recompensa para os indivíduos honestos
nem havia castigo para os maus.
E parece-me que, em seguida, os homens instituíram leis
punitivas a fim de que a justiça fosse soberana
[de todos igualmente] e que fizesse da insolência uma escrava.
Se alguém cometesse uma falta seria penalizado.
Em seguida, uma vez que as leis os impediam
de praticar manifestos actos de violência
e eles os praticavam às ocultas, parece-me que nesta altura
[pela primeira vez] um certo homem, ousado e sábio na maneira de pensar
inventou o receio [dos deuses] para os mortais, para que
os malvados tivessem receio de fazer
ou dizer ou pensar [algo] às ocultas.
Por isso, introduziu o divino:
«Há uma potestade florescente, com vida indestrutível,
que, com o espírito, ouve e vê, e, com suma inteligência,
vigia estas acções, dotada ela própria de uma natureza divina.
Ouvirá tudo o que se disser entre os mortais
e poderá ver tudo [o] que é feito.
Se, em silêncio, planeares algum mal,
isso não passará desapercebido aos deuses. A inteligência
é nela [suma]». Fazendo esta afirmação,
introduziu a mais agradável das doutrinas
e encobriu a verdade com um discurso falso.
Defendia que os deuses habitavam num lugar que,
só de o mencionar, assustava imenso os homens.
Sabia que daí partiam os receios para os mortais
e os consolos para a sua vida desditosa,
vindos da esfera celeste, onde via
existirem relâmpagos e terríveis estrondos
de trovão e o estrelado corpo do céu,
obra admiravelmente variegada do sábio artífice, o tempo.
Daqui avança a massa incandescente da estrela
e a tempestade de chuva sai em direcção à terra.
Em tais medos envolveu os homens,
pelos quais [ele] integrou bem a divindade
no discurso e num local conveniente;
e com as leis destruiu a ausência de leis.
[...] Penso que foi desta maneira que alguém, pela primeira vez, persuadiu
os mortais a pensarem que existia uma raça de deuses.

Sexto Empírico, Contra os Matemáticos 9.54 = Crítias DK 88 B 25
(o fragmento é atribuído por Diels-Kranz e outros, mau grado o testemunho de Sexto Empírico, a Crítias, um dos trinta tiranos, da família de Platão)
in Sofistas - Testemunhos e Fragmentos. INCM, Lisboa: 2005. (trad.: Ana Alexandre Sousa e Maria José Vaz Pinto)

imagem: estátua de bronze de Zeus @ Museu Arqueológico de Atenas

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Outra Medeia

Diogenes Laertius tells us (7.180) that Chrysippus "padded out his writings by arguing repeatedly on the same subject, setting down anything that occurred to him, making many corrections and citing numerous authorities; so much so that in one of his works he copied out nearly the whole of Euripes' Medea, and someone who had taken up this volume, being asked what he was reading, replied, 'The Medea of Chrysippus'."

John M. Dillon (1997), 'Medea Among the Philosophers'
in Clauss & Johnston (eds.), Medea. Princeton University Press: 1997

[ἐπλήθυνε δ' αὐτὰ πολλάκις ὑπὲρ τοῦ αὐτοῦ δόγματος ἐπιχειρῶν καὶ πᾶν τὸ ὑποπεσὸν γράφων καὶ διορθούμενος πλεονάκις πλείστῃ τε τῶν μαρτυριῶν παραθέσει χρώμενος· ὥστε καὶ ἐπειδή ποτ' ἔν τινι τῶν συγγραμμάτων παρ' ὀλίγον τὴν Εὐριπίδου Μήδειαν ὅλην παρετίθετο καί τις μετὰ χεῖρας εἶχε τὸ βιβλίον, πρὸς τὸν πυθόμενον τί ἄρα ἔχοι, ἔφη "Χρυσίππου Μήδειαν."]

imagem: Crísipo. Século II d.C. @ Louvre, Paris.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Hipólito de Eurípides




































(Clicar na imagem para aumentar.) Restante programa do XII Festival Internacional de Tema Clássico aqui.