sábado, 31 de julho de 2010

Novidades Editorias Classica Digitalia

(informação recebida pela Origem da Comédia)
O Conselho Editorial dos Classica Digitalia tem o gosto de anunciar 3 novos livros, um dos quais em co-edição com o Centro de Estudos Clássicos e o Centro de História da Universidade de Lisboa. Conforme é prática dos Classica Digitalia, todos os volumes são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O e-book correspondente (cujo endereço directo é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. Indica-se também o preço do livro impresso, para servir de orientação a quem desejar adquirir um exemplar em papel.

I. Colecção “Autores Gregos e Latinos – Série Textos Gregos”
- José Luís Lopes Brandão: Plutarco. Vidas de Galba e Otão. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010). 128 p. PVP: 9 €

- Marta Várzeas: Plutarco. Vidas Paralelas – Demóstenes e Cícero. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, Classica Digitalia/CECH, 2010). 199 p. PVP: 12 €

II. Colecção “Humanitas Supplementum” (Estudos)
- Maria Cristina de Sousa Pimentel e Nuno Simões Rodrigues (Coords.): Sociedade, Poder e Cultura no Tempo de Ovídio (Coimbra, Classica Digitalia/CECH/CEC/CH, 2010). 288 p. PVP: 29 € [capas duras]

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Édipo, versão vegetal

'To Homer', de Keats (Abril/Maio de 1818)


I have written to George [Keats] for some Books — shall learn Greek...
I long to feast upon old Homer as we have upon Shakespeare and as I have lately upon Milton
Keats to Reynolds, 27 April 1818 (L i 274)

Standing aloof in giant ignorance,
Of thee I hear and of the Cyclades,
As one who sits ashore and longs perchance
To visit dolphin-coral in deep seas.
So thou wast blind! -but then the veil was rent;
For Jove uncurtained Heaven to let thee live,
And Neptune made for thee a spumy tent,
And Pan made sing for thee his forest-hive;
Aye, on the shores of darkness there is light,
And precipices show untrodden green;
There is a budding morrow in midnight;
There is a triple sight in blindness keen;
Such seeing hadst thou, as it once befell
To Dian, Queen of Earth, and Heaven, and Hell.

in Keats - The Complete Poems.
Londres, 1970: Longman. (Ed.: Miriam Allott)

Estreou Hoje

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Homero via Chamas

Here [is] a passage from [Kostis Palamas'] 'The Death of the Ancients', in which the Gipsy declares:


If ever I find a papyrus,
I burn it to secure
heat or light;
I light my fire indiscriminately,
in any ruined foundation,
whether palace or monastery,
school or church.

And from the flame and the blaze
all around me birds and trees
and reptiles
shine, crackles, quiver, change,
an the while of nature becomes spirit
and whispers secretly to me
mantic words.


The impulse here is to secure inspiration desctructively, in defiance of nature, through an artificial light: through the destruction of what is human the poet achieves natural inspiration.

David Ricks, The Shade of Homer. Cambridge University Press (1989)


Na realidade, o poema acima chamado "Death of the Ancients" é apenas uma das secções do mais composto poema de Palamas "Doze Palavras". Infelizmente não parece existir online em texto, mas leituras das várias secções estão disponíveis, por exemplo, aqui. 

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Academic Earth



Uma das grandes iniciativas de aproximação e de acessibilidade do meio académico não só entre si mas também a quem está de fora é o website Academic Earth, que colecciona cursos inteiros de várias universidades do mundo, várias delas do verdadeiro topo (Yale, eg). Os cursos ficam disponíveis em vídeo, e alguns deles podem ainda ser descarregados em audio (e video), ou lidos pelas transcrições. Os tópicos são, como seria de esperar, de toda a gama do ensino universitário (e exortamos a uma exploração extensa do site), mas deixamos acessíveis alguns que parecem mais ligados ao tema do Origem da Comédia.

Gonçalo M. Tavares Sobre Séneca


[...] Às vezes é interessante não saber nada sobre o autor de um livro, para não haver contaminação do percurso político, pessoal. O que me parece é que os livros têm que ser lidos fora do... [sic] Quando são realmente literatura de qualidade são coisas que saltam do tempo em que foram escritos e editados. Os grandes livros perdem a data, podemos quase enganar as pessoas e dizer que acabou de sair um livro que tem 300 ou 400 anos. Se pegarmos um clássico, por exemplo, "Cartas a Lucílio", de Sêneca, e não dissermos que é de um autor do ano 30 depois de Cristo, que escreveu aquilo há quase 2.000 anos, o livro parece que foi escrito ontem. Realmente, para quem se interessa por livros, por literatura, os livros soltam-se do seu tempo e são avaliados pelo seu conteúdo.

[...] A questão da escolha dos senhores [do Bairro] tem a ver por um lado com o gostar da obra, mas muitas vezes tem a ver com se criar um personagem a partir do tom da escrita do autor. Então não é uma coisa direta e óbvia. Há autores que eu gosto imenso e nunca os colocaria como senhores. Há pouco falei do Sêneca, que é um autor que me marcou muito, mas que eu não conseguiria colocar nos senhores. Tem que ter um caráter lúdico.

Gonçalo M. Tavares em entrevista a um jornal brasileiro, aqui.

imagem: Morte de Séneca (sem mais informações)

«Electra», por Mihalis Kakogiannis, 1962



Eis um filme que ainda não vi e que fiquei com muita curiosidade em ver. É adaptação que Mihalis Kakogiannis fez em 1962 da Electra de Eurípides, com Irene Papas no principal papel. Pela amostra, parece-me ser muito bonito.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Leitores Atentos §5


Depois de Jesus ter atravessado, no barco, para a outra margem, reuniu-se uma grande multidão junto dele, que continuava à beira-mar. Chegou, então, um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-lo, prostrou-se a seus pés e suplicou instantemente: «A minha filha está a morrer; vem impor-lhe as mãos para que se salve e viva.» Jesus partiu com ele, seguido por numerosa multidão, que o apertava. [...] Ainda Ele estava a falar, quando, da casa do chefe da sinagoga, vieram dizer: «A tua filha morreu; de que serve agora incomodares o Mestre?» Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: «Não tenhas receio; crê somente.» E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Ao chegar a casa do chefe da sinagoga, encontrou grande alvoroço e gente a chorar e a gritar. Entrando, disse-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu, está a dormir.» Mas faziam troça dele. Jesus pôs fora aquela gente e, levando consigo apenas o pai, a mãe da menina e os que vinham com Ele, entrou onde ela jazia. Tomando-lhe a mão, disse: «Talitha qûm!», isto é, «Menina, sou Eu que te digo: levanta-te!» E logo a menina se ergueu e começou a andar, pois tinha doze anos. Todos ficaram assombrados. Recomendou-lhes vivamente que ninguém soubesse do sucedido e mandou dar de comer à menina.

Mc 5, 21-24, 35-43 retirado da Nova Bíblia dos Capuchinhos.
Difusora Bíblica, Lisboa/Fátima: 1998. (trad.: Américo Henriques)

[Καὶ διαπεράσαντος τοῦ Ἰησοῦ [ἐν τῷ πλοίῳ] πάλιν εἰς τὸ πέραν συνήχθη ὄχλος πολὺς ἐπ' αὐτόν, καὶ ἦν παρὰ τὴν θάλασσαν. καὶ ἔρχεται εἷς τῶν ἀρχισυναγώγων, ὀνόματι Ἰάϊρος, καὶ ἰδὼν αὐτὸν πίπτει πρὸς τοὺς πόδας αὐτοῦ καὶ παρακαλεῖ αὐτὸν πολλὰ λέγων ὅτι Τὸ θυγάτριόν μου ἐσχάτως ἔχει, ἵνα ἐλθὼν ἐπιθῇς τὰς χεῖρας αὐτῇ ἵνα σωθῇ καὶ ζήσῃ. καὶ ἀπῆλθεν μετ' αὐτοῦ. Καὶ ἠκολούθει αὐτῷ ὄχλος πολύς, καὶ συνέθλιβον αὐτόν. [...] Ἔτι αὐτοῦ λαλοῦντος ἔρχονται ἀπὸ τοῦ ἀρχισυναγώγου λέγοντες ὅτι Ἡ θυγάτηρ σου ἀπέθανεν: τί ἔτι σκύλλεις τὸν διδάσκαλον; ὁ δὲ Ἰησοῦς παρακούσας τὸν λόγον λαλούμενον λέγει τῷ ἀρχισυναγώγῳ, Μὴ φοβοῦ, μόνον πίστευε. καὶ οὐκ ἀφῆκεν οὐδένα μετ' αὐτοῦ συνακολουθῆσαι εἰ μὴ τὸν Πέτρον καὶ Ἰάκωβον καὶ Ἰωάννην τὸν ἀδελφὸν Ἰακώβου. καὶ ἔρχονται εἰς τὸν οἶκον τοῦ ἀρχισυναγώγου, καὶ θεωρεῖ θόρυβον καὶ κλαίοντας καὶ ἀλαλάζοντας πολλά, καὶ εἰσελθὼν λέγει αὐτοῖς, Τί θορυβεῖσθε καὶ κλαίετε; τὸ παιδίον οὐκ ἀπέθανεν ἀλλὰ καθεύδει. καὶ κατεγέλων αὐτοῦ. αὐτὸς δὲ ἐκβαλὼν πάντας παραλαμβάνει τὸν πατέρα τοῦ παιδίου καὶ τὴν μητέρα καὶ τοὺς μετ' αὐτοῦ, καὶ εἰσπορεύεται ὅπου ἦν τὸ παιδίον: καὶ κρατήσας τῆς χειρὸς τοῦ παιδίου λέγει αὐτῇ, Ταλιθα κουμ, ὅ ἐστιν μεθερμηνευόμενον Τὸ κοράσιον, σοὶ λέγω, ἔγειρε. καὶ εὐθὺς ἀνέστη τὸ κοράσιον καὶ περιεπάτει, ἦν γὰρ ἐτῶν δώδεκα. καὶ ἐξέστησαν [εὐθὺς] ἐκστάσει μεγάλῃ. καὶ διεστείλατο αὐτοῖς πολλὰ ἵνα μηδεὶς γνοῖ τοῦτο, καὶ εἶπεν δοθῆναι αὐτῇ φαγεῖν.]

Apollonius performed another miracle. There was a girl who appeared to have died just at the time of her wedding. The betrothed followed the bier, with all the lamentations of an unconsummated marriage, and Rome mourned with him, since the girl belonged to a consular family. Meeting this scene of sorrow, Apollonius said, "Put the bier down, for I will end your crying over the girl". At the same time he asked her name, which made most people think he was going to declaim a speech of the kind delivered at funerals to raise lamentation. But Apollonius, after merely touching her and saying something secretly, woke the bride from her apparent death. The girl spoke, and went back to her father's house like Alcestis revived by Heracles. Her kinsmen wanted to give Apollonius a hundred and fifty thousand drachmas, but he said he gave it as an extra dowry for the girl. He may have seen a spark of life in her which the doctors had not noticed, since apparently the sky was drissling and steam was coming form her face, or he may have revived and restored her to life when it was extinguished, but the explanation of this has proved unfathomable, not just to me but to the bystanders.

Filóstrato, Apolónio de Tiana 4.45
Harvard University Press, Cambridge MA: 2005. (trad.: Christopher Jones).

[3'35'' — 3'48'' — 4'10'']

Hitler, Aluno de Clássicas