quinta-feira, 20 de outubro de 2011

3 novas versões e meia do the greatest most beloved poem of them all (à venda a partir deste mês)

Bloody but beautiful, is there a greater poem than the “Iliad”? Depicting a few weeks in the final year of the Greek siege of Troy, Homer’s epic glitters with bronze spears and the blazing sun. Rich with his famous similes and repeated expressions, it describes a war in which men can pause from fighting in order to speak of their family lineage in terms of “As is the generation of leaves, so is that of humanity”; in which Gods can yank warriors back by their hair or cover them in a cloud of mist if it is not yet their turn to die. It is both brutally realistic (once you have heard how Phereclus died by a spear through his right buttock into his bladder, you won’t forget it) and belonging to another world—as the Greek epithet for Homer, theois aoidos or “divine singer” suggests. It is no wonder that the “Iliad” is a text that people constantly turn back to, and continually translate.

Continuar a ler (e/ou a ouvir) aqui.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Do Príncipio da Pressuposição da Estupidez Própria

De acordo com Anaxágoras, o sol é maior do que o Peloponeso [DK A42.8] (um avanço em relação a Heraclito, para quem o sol era do tamanho de um pé: DK B3). A afirmação sempre me pareceu uma especulação ingénua se não mesmo pateta, um exemplo cómico da ciência primitiva dos pré-socráticos. Esta é, claro, uma atitude arrogante e errada: não só o David Santos nos sensibilizou para a complexidade perdida do pensamento destes pioneiros, como Anaxágoras, em particular, não merece ser desconsiderado assim, ele que, por exemplo, avançou a primeira explicação correcta dos eclipses (DK A42.9-10) e ficou famoso por ter previsto a queda de um meteoro (DK A12 e Graham Axg 3). Ontem tive, de novo, a confirmação de que, de facto, é com grande humildade que nos devemos aproximar destes filósofos, cujas ideias, por absurdas, nomeadamente as físicas, que nos pareçam, escondem uma reflexão intensa e em tudo conforme às exigências da razão, trabalhando com sagácia os dados empíricos de que dispunham. Graças ao comentário de Graham à sua edição bilingue dos textos dos principais pré-socráticos, percebi finalmente o rationale por detrás da estranha afirmação de Anaxágoras em relação ao tamanho do sol. É bem possível que a sua tese resulte da observação do eclipse de 478 a.C., que cobriu o Peloponeso e foi também visto em Atenas. Seria natural que Anaxágoras deduzisse pela "sombra" da lua (que dizia ser tão grande como o Peloponeso: Graham Axg 41 = Plu. Sobre a Face... 932a) que o sol era maior do que a área que experimentou o eclipse total. O raciocínio é limpo e cauteloso. Efectivamente, há que partir do pressuposto, em tropeçando num qualquer fragmento mais esotérico, de que estes tipos sabiam o que estavam a dizer e sem dúvida não o estariam a afirmar sem uma boa causa. Ofereço recompensa a quem me ajudar a explicar a opinião de Heraclito.

Lisístrata no Magrebe

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tertúlias Pré-Socráticas na Imprensa

Só no outro dia, fazendo uma pesquisa na net, descobri que tínhamos aparecido no i online. Bom ter surpresas destas.

Hume on Thucydides

The first page of Thucydides is, in my opinion, the commencement of real history. All preceding narrations are so intermixed with fable, that philosophers ought to abandon them, in a great measure, to the embellishment of poets and orators.

David Hume, Essays: Moral, Political, and Literary II.XI.98
Liberty Fund, Indianopolis: 1985.

domingo, 16 de outubro de 2011

Livro UC da Semana

[o que nos interessa está a partir dos 01'40'': confesso que não esperava nunca ver este livro recomendado aqui]

Agora em Coimbra


A Minha Electra

As cenas são descoladas e aparentemente sem relação ou objectivo comum, no entanto, vão desvendando uma espécie de personagem misterioso. É como se houvesse uma inquietação latente naquela mulher, onde cada momento e cada lugar por onde passa tanto são acrescentados como anulados pelos que se seguem. Cada cena, cada passagem tem uma força estranha, uma vivência e uma certeza que se instala desde o primeiro gesto. As acções banais entre as cenas carregam a carga do que acabou de fazer, tornando essas acções, também elas, em cenas. É uma mulher que não pensa nem sente. Ela tortura-se, obriga-se, anula-se... Castiga-se a passar o tempo congeminando uma nova forma de agir, de estar, de se lamentar, de se preparar, de lutar,... de jamais se esquecer. Não há resignação, não há desistência, apenas por vezes uma espécie de falso e tranquilo abandono. Ela mostra sem pudor a sua força e a sua fraqueza, a sua nobreza e a sua humilhação. Ela é uma mulher assustadoramente presente na sua ausência. Os seus olhares para o exterior de si são os únicos indicativos da sua espera onde o tempo não existe. Ela nunca se expõe, apenas se dispõe. 

 Olga Roriz 24 de Novembro de 2009

sábado, 15 de outubro de 2011

Espartanos Fisiocratas

Todos os homens se veriam obrigados a trabalhar a terra se os produtos desta apenas lhes proporcionassem alimentação. [...] O agricultor, por si mesmo, apenas necessitaria da simples reprodução para viver. Mas a nação precisa que a terra produza o mais possível e que os produtos se transformem em riquezas. [...] Por muito fraca, dura e reduzida que fosse a subsistência que os hilotas forneciam aos espartanos, é certo que, se as terras de Esparta só produzissem o necessário para sustentar aqueles que as cultivavam, os espartanos teriam perecido ou teriam sido obrigados a expulsar os seus escravos e a cultivar eles próprios as suas terras; e, assim, ter-se-iam tornado eles próprios em hilotas, abandonando os exercícios de ginástica, as mesas comuns e a defesa da pátria.

François Quesnay, citado e traduzido por Avelãs Nunes in
Introdução à História da Ciência Económica e do Pensamento Económico (Coimbra, 2011: 90).

Breves Notas Sobre as Ligações §1

[ver a partir dos 04'52'']

He [Zenão] proved himself an excellent man in both philosophy and politics. At least his books are thought to be full of much wisdom. And when he wished to overthrow Nearchus the tyrant (some say Diomedon), he was arrested, as Heraclides says in his summary of Satyrus. When he was tortured to find out about his co-conspirators and the arms he brought to Lipara, he named all the tyrant's friends, wishing to make him feel deserted. Then  he had something to whisper in his ear about some people, he bit on to the tyrant's ear and did not let go until he was run through, suffering the same fate as the tyrant-slayer Aristogiton. But Demetrius says in Men With the Same Name that he bit off his nose. Antisthenes in the Successions says that after naming the tyrant's friends, he was asked by the tyrant if there was anyone else, and he said, "You are the one who has sinned against the city". To those present he said, "I am appalled at your cowardice, that for fear of the things which I suffer you would be slaves to a tyrant", and finally biting off his own tongue he spat it at him. The citizens being roused by this immediately stoned the tyrant to death.

Zenão DK A1 (= Diógenes Laércio 9.26-7) 
The Texts of Early Greek Philosophy, Cambridge: 2010 (trad.: Daniel Graham).