E a sua tradução de Píndaro. Aqui.
terça-feira, 8 de junho de 2010
António de Castro Caeiro
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Faz Hoje 200 Anos do Nascimento
Abertura para Júlio César, Op. 128, de Robert Schumann.
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Para Maior Gáudio da Tatiana
Para além das duas adaptações de Homero pela Marvel que a Tatiana referiu no post anterior, existe ainda, pela mesma equipa, The Trojan War, em que a guerra de Tróia é apresentada como momento extremo da política malthusiana dos deuses, um estratagema para diminuir o número de seres humanos (pelo menos isto é o que dá para perceber da descrição do produto). O livro é baseado no ciclo épico e noutras fontes antigas (a capa, se repararem bem, representa o combate entre Aquiles e Pentesileia, creio, não narrado na Ilíada, mas que conhecemos pelo poema de Quinto de Esmirna).Contudo, queria sobretudo chamar a atenção da Tatiana e todos os demais interessados para esta coisinha que ando a namorar já desde o semestre passado (infelizmente o dinheiro não dá para tudo e há outras falhas mais graves no meu conhecimento da nona arte que estou agora ocupado a corrigir, a saber, a série Cerebus de Dave Sim). Trata-se de um projecto ambicioso de Eric Shanower, vencedor de dois Eisners, que pretende congregar, numa única obra, as várias e díspares reescritas maiores da guerra de Tróia e narrativas associadas, sempre com uma atenção cuidada ao fundo arqueológico (com base no trabalho de Schliemann e nos Studia Troica).
Primary sources for Age of Bronze's version of the Trojan War story begin with Homer's Iliad, include major and minor works from classical Greece and Rome, many Medieval European sources, and continue through Shakespeare's Troilus and Cressida and beyond. The art of Age of Bronze draws upon the archaeological excavations of the places where the story took place: Mycenae, Knossos, and Pylos, among others, and especially Troy itself. While everything in Age of Bronze is based on existing sources, whether mythological or archaeological, the final product is a version for the 21st century. All the comedy, all the tragedy, all the wide canvas of human drama of the Trojan War unfolds within the pages of Age of Bronze. Come along for the ride!(retirado do site oficial)
Nota importante: tanto quanto sei, Shanower ignora, em boa medida, os deuses, menorizando o seu papel na acção. Não é, de forma alguma, uma opção inédita (veja-se, para não irmos mais longe, o Tróia [2004], de Wolfgang Petersen), mas convém que as pessoas estejam avisadas, porque obviamente isso tem muitas implicações no tratamento da estória. Por fim, quem, entre nós, se tem debruçado intensivamente sobre a questão das adaptações para BD de temas clássicos é Nuno Simões Rodrigues, professor da FLUL, que tem publicado abundantemente sobre o tema, em especial no Boletim de Estudos Clássicos. Aos interessados não posso pois deixar de recomendar os seus artigos.
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A «Ilíada» e a «Odisseia» versão Marvel

Descobri ontem, para minha maravilha, que a Marvel fez uma adaptação da Ilíada e outra da Odisseia. A Ilíada está disponível aqui. A Odisseia aqui.
Catulo Descartado
Um dos baralhos Tarot mais antigos que chegaram até nós (e o mais antigo que nos chegou completo) é o chamado Tarot Sola-Busca, cujas cartas retratavam figuras importantes da história antiga (romana e bíblica), mais concretamente personagens que tomaram parte nos eventos que levaram à queda da República Romana. Entre generais, senadores, oficiais, encontramos também o desgraçado do Catulo... Aparentemente, escrever poemas contra o dictatorzito César foi o que bastou para lhe granjear um lugar neste póstumo panteão. Acima, a carta. O resto delas aqui.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
De tertulia poetarum
de tortura militum
libera nos domine
de nocte infinita
libera nos domine
de morte nocturna
libera nos domine
Paulo Leminski, O ex-estranho, Iluminuras, 2001
libera nos domine
de nocte infinita
libera nos domine
de morte nocturna
libera nos domine
Paulo Leminski, O ex-estranho, Iluminuras, 2001
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Ghostbusters!, ou «I see dead people», ou Depois da Moda dos Vampiros, os Fantasmas
Now consider whether the following story, which I will tell just as it was told to me, is not quite as remarkable and even more terrifying. In Athens there was a large and spacious mansion with the bad reputation of being dangerous to its occupants. At dead of night the clanking of irons and, if you listened carefully, the rattle of chains could be heard, some way off at first, and then close at hand. Then there appeared the spectre of an old man, emaciated and filthy, with a long flowing beard and hair on end, wearing fetters on his legs and shaking the chains on his wrists. The wretched occupants would spend fearful nights awake in terror; lack of sleep led to illness and then death as their dread increased, for even during the day, when the apparition had vanished, the memory of it was in their mind's eye, so that their terror remained after the cause of it had gone. The house was therefore deserted, condemned to stay empty, and wholly abandoned to the spectre; but it was advertised as being to let or for sale in case someone was found who knew nothing of its evil reputation.The philosopher Athenodorus came to Athens and read the notice. His suspicions were aroused when he heard the low price, and the whole story came out in inquiry; but he was none the less, in fact all the more, eager to rent the house. When darkness fell he gave orders that a couch was to be made up for him in the front part of the house, and asked for his notebooks, pen and a lamp. He sent all of his servants to the inner rooms, and concentrated his thoughts, eyes and hand on his writing, so that his mind would be occupied and not conjure up the phantom he had heard about nor other imaginary fears. At first there was nothing but the general silence of the night; then came the clanking of iron and dragging of chains. He did not look up nor stop writing, but steeled his mind to shut out the sounds. Then the noise grew louder, came nearer, was heard in the doorway, and then inside the room. He looked round, saw and recognized the ghost described to him. It stood and beckoned, as if summoning him. Athenodorus in his turn signed to it to wait a little, and again bent over his notes and pen, while it stood rattling its chains over his head as he wrote. He looked round again and saw it beckoning as before, so without further delay he picked up his lamp and followed. It moved slowly, as if weighed down with chains, and when it turned off into the courtyard of the house, it suddenly vanished, leaving him alone. He then picked some plants and leaves and marked the spot. The following day he approached the magistrates, and advised them to give orders for the place to be dug up. There they found bones, twisted round with chains, which were left bare and corroded by the fetters when time and the action of the soil had rotted away the body. The bones were collected and given a public burial, and after the shades had been duly laid to rest the house saw them no more.
Plínio-o-Moço, Cartas 7.27.4-11 (trad.: Betty Radice, para a Loeb Classical Library)
in Macmullen & Lane, Paganism and Christianity. 100-425 C.E. — A Sourcebook.
Minneapolis, Fortress Press: 1992.
in Macmullen & Lane, Paganism and Christianity. 100-425 C.E. — A Sourcebook.
Minneapolis, Fortress Press: 1992.
[4 Iam illud nonne et magis terribile et non minus mirum est quod exponam ut accepi? 5 Erat Athenis spatiosa et capax domus sed infamis et pestilens. Per silentium noctis sonus ferri, et si attenderes acrius, strepitus vinculorum longius primo, deinde e proximo reddebatur: mox apparebat idolon, senex macie et squalore confectus, promissa barba horrenti capillo; cruribus compedes, manibus catenas gerebat quatiebatque. 6 Inde inhabitantibus tristes diraeque noctes per metum vigilabantur; vigiliam morbus et crescente formidine mors sequebatur. Nam interdiu quoque, quamquam abscesserat imago, memoria imaginis oculis inerrabat, longiorque causis timoris timor erat. Deserta inde et damnata solitudine domus totaque illi monstro relicta; proscribebatur tamen, seu quis emere seu quis conducere ignarus tanti mali vellet. 7 Venit Athenas philosophus Athenodorus, legit titulum auditoque pretio, quia suspecta vilitas, percunctatus omnia docetur ac nihilo minus, immo tanto magis conducit. Ubi coepit advesperascere, iubet sterni sibi in prima domus parte, poscit pugillares stilum lumen, suos omnes in interiora dimittit; ipse ad scribendum animum oculos manum intendit, ne vacua mens audita simulacra et inanes sibi metus fingeret. 8 Initio, quale ubique, silentium noctis; dein concuti ferrum, vincula moveri. Ille non tollere oculos, non remittere stilum, sed offirmare animum auribusque praetendere. Tum crebrescere fragor, adventare et iam ut in limine, iam ut intra limen audiri. Respicit, videt agnoscitque narratam sibi effigiem. 9 Stabat innuebatque digito similis vocanti. Hic contra ut paulum exspectaret manu significat rursusque ceris et stilo incumbit. Illa scribentis capiti catenis insonabat. Respicit rursus idem quod prius innuentem, nec moratus tollit lumen et sequitur. 10 Ibat illa lento gradu quasi gravis vinculis. Postquam deflexit in aream domus, repente dilapsa deserit comitem. Desertus herbas et folia concerpta signum loco ponit. 11 Postero die adit magistratus, monet ut illum locum effodi iubeant. Inveniuntur ossa inserta catenis et implicita, quae corpus aevo terraque putrefactum nuda et exesa reliquerat vinculis; collecta publice sepeliuntur. Domus postea rite conditis manibus caruit.]
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domingo, 6 de junho de 2010
Mr. M. & Dominus M.
A todos os depositários dessas qualidades primitivas que, como Caspar Hauser, deambulam perdidos por qualquer capital cristã do nosso tempo, poderíamos repetir a famosa invocação do poeta*, escrita há uns dois mil anos, dirigindo-se ao bom rústico trasladado da sua latitude para a Roma dos Césares: E tu, honesto e leal Fabiano;/ O que te trouxe à cidade?
Herman Melville, Billy Budd
Biblioteca Editores Independentes, Lisboa: 2010.
(trad.: José Sasportes)
*Marcial, Epigramas 4.5:
Homem bom e pobre, verdadeiro no falar e nos afectos [na língua e no peito],
Qual o interesse, para ti, Fabiano, porque buscas a cidade?
Tu, que não consegues passar por chulo ou pândego
nem chamar em voz grave os reús, pávidos,
nem sabes corromper a mulher de um amigo querido,
nem podes excitar velhotas frígidas
ou vender vapores vazios à volta dos Palácios,
nem aplaudir Cano, nem aplaudir Glaphyro:
do que é que hás-de viver, ó triste? — «Sou um sujeito às direitas, um amigo fiel» —
Isso não conta para nada: assim nunca serás um Philomelo.
[Vir bonus et pauper linguaque et pectore uerus,
quid tibi uis urbem qui, Fabiane, petis?
Qui nec leno potes nec comissator haberi,
nec pauidos tristi uoce citare reos,
nec potes uxorem cari corrumpere amici,
nec potes algentes arrigere ad uetulas,
uendere nec uanos circa Palatia fumos,
plaudere nec Cano, plaudere nec Glaphyro:
unde miser uiues? — "Homo certus, fidus amicus." —
Hoc nihil est: numquam sic Philomelus eris.]
Biblioteca Editores Independentes, Lisboa: 2010.
(trad.: José Sasportes)
*Marcial, Epigramas 4.5:
Homem bom e pobre, verdadeiro no falar e nos afectos [na língua e no peito],
Qual o interesse, para ti, Fabiano, porque buscas a cidade?
Tu, que não consegues passar por chulo ou pândego
nem chamar em voz grave os reús, pávidos,
nem sabes corromper a mulher de um amigo querido,
nem podes excitar velhotas frígidas
ou vender vapores vazios à volta dos Palácios,
nem aplaudir Cano, nem aplaudir Glaphyro:
do que é que hás-de viver, ó triste? — «Sou um sujeito às direitas, um amigo fiel» —
Isso não conta para nada: assim nunca serás um Philomelo.
[Vir bonus et pauper linguaque et pectore uerus,
quid tibi uis urbem qui, Fabiane, petis?
Qui nec leno potes nec comissator haberi,
nec pauidos tristi uoce citare reos,
nec potes uxorem cari corrumpere amici,
nec potes algentes arrigere ad uetulas,
uendere nec uanos circa Palatia fumos,
plaudere nec Cano, plaudere nec Glaphyro:
unde miser uiues? — "Homo certus, fidus amicus." —
Hoc nihil est: numquam sic Philomelus eris.]
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sábado, 5 de junho de 2010
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