segunda-feira, 19 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
Jacob Burckhardt entre a Grandeza e a Decadência
Jacob Burckhardt sabia — prova disso é a sua resistência a Nietzsche e o seu persistente silêncio face aos apelos cada vez mais urgentes que este lhe dirigia — que ele não poderia alguma vez continuar a existir no Futuro. Mas isso não o levou a alguma vez desviar o seu olhar da verdadeira condição do seu tempo e do seu resvalar na Decadência. E é assim que não só a sua existência mas também os seus estudos e a sua disposição acolheram como parte intrínseca a si próprios a fractura dolorosa causada pelo facto de ele próprio, que tinha devotado a sua vida a pesquisar as altitudes da Cultura e os cumes da História do Mundo, se ter tornado ao mesmo tempo no Historiador da Decadência.
Foi por esse motivo que não foi apenas "A Grandeza e a Jovialidade dos Helenos" a atrair o olhar e a capturar o perseguidor da beleza, mas também a colapso da mesma cultura grega cuja apresentação ele próprio fizera. «Também o colapso e a decadência têm o direito sagrado de receber a nossa compaixão.», diz ele no [livro que escreveu sobre] Constantino. E Burckhardt conhecia talvez demasiado a fundo a inveja dos Deuses e as Sombras da Morte que chegam até à vida mais forte mesmo quando esta vive até ao fim: «O pôr-do-sol terá que vir.» Esta percepção melancólica projectou as suas sombras sobre o entardecer do dia logo a partir do instante em que Sol passou em diante do seu ponto mais alto.
Burckhardt conhecia os Deuses da Grécia mais profundamente do que qualquer outro homem do seu tempo. O seu amor para com eles tinha como plano de fundo a Sabedoria e as Exigências do Deus Santo. Lembramo-nos a esse propósito daquelas frases que um dia se haveriam de tornar famosas que ele pronunciou um dia, com a cabeça levemente curvada, para encerrou uma comunicação em que tentava interpretar a expressão melancólica e dolorosa d[a estátua] do Hermes Psychopompos do Vaticano: «Parece mesmo que a imagem vai começar a falar-nos, 'Vocês acham estranho o facto de eu estar tão triste. Eu, um daqueles abençoados olýmpicos que contemplam o mundo e desfrutam dele com jovialidade eterna e numa vida de interminável prazer. Nós tínhamos tudo: o Brilho da Beleza celeste dos Deuses, juventude eterna, um indestructível sentido de alegria; mas não éramos felizes, porque não éramos bons. Não podíamos ser bons: éramos apenas ideiais estéticos e não tínhamos qualquer potência ética: vejam a Antígona, a mais nobre filha e irmã, vejam a miséria e destruição que a acometeram por ter cumprido os nossos sagrados mandamentos. Vejam a inconsolável Níobe: matámos-lhe os filhos inocentes, apenas para podermos causar à mãe orgulhosa uma dor para além das palavras. Sempre nos comportámos assim. Vivemos sempre para nós mesmos, e para os outros não fizémos mais que preparar sofrimentos. Não éramos bons, e foi por isso que tivémos de entrar em declínio.'»
É através comentários desse género que percebemos verdadeiramente quão profundamente corria a tradição de humanidade cristã no sangue de Jacob Burckhardt. E portanto ele, um perseguidor da Beleza e um admirador da Grandeza onde quer que se possam encontrar junto das pessoas, em momento algum perdeu a consciência de que para bem da Humanidade não se pode permitir Beleza sem Moralidade, Grandeza sem Norma, Poder sem Interioridade, ou seja, sem Responsabilidade. Humanitas e humilitas não têm apenas em comum o acaso da semelhança fonética. Não é por acaso que ele inicia o seu trabalho sobre "Grandeza Histórica" com a declaração de que devemos "deixar de ser canalha", e que "a Grandeza é aquilo que nós não somos." É ainda de um conhecimento profundo e cristão sobre o ser humano o facto de Burckhardt ter escrito as suas "Considerações sobre a História do Mundo" depois de ter deixado de tentar encontrar na História o "dedo de Deus" ou o "Plano da Providência"
O Ser Humano em si — e principalmente o enigma da Grandeza humana —, esse grande Único na medida em que subjaz ao plano de fundo do Comum, tornou-se no objecto perpétuo das suas amorosas exposições. O seu grande amor pertence ao grande Indivíduo na medida em que este for entendido enquanto criação cultural. Não é portanto por acaso que foi com uma admiração um pouco horrorizada Burckhardt descreveu as grandes figuras da Antiguidade grega e os Poderosos do Renascimento como "pináculos manifestos da História do Mundo"; mas ainda assim Nietzsche cometeu uma injustiça ao reportar-se a ele — algo que o próprio Nietzsche viria a reconhecer demasiado tarde essa ideia como uma das que mais remorsos lhe causara — quando fez uso das descrições de Burckhardt para argumentar que os grandes indivíduos de qualquer época estão autorizados a dar-se a si próprios a sua própria lei. Burckhardt não conseguia entender como é que poderia ser que, vendo-se livre das doutrinas cristãs e da "moral dos dos escravos ", se pudesse vir encontrar o "Übermensch" como propósito da História. É óbvio que Burckhardt não era um cristão de Igreja; mas era incapaz de recusar a cultura [Bildung] cristã. De modo que não estava de maneira alguma "para além do bem e do mal".
Hans-Joachim Schoeps. Jacob Burckhardt oder auf den Spuren der verlorenen Zeit in Gesammelte Schriften II.7. OLMS (1960).
Tradução minha.
É através comentários desse género que percebemos verdadeiramente quão profundamente corria a tradição de humanidade cristã no sangue de Jacob Burckhardt. E portanto ele, um perseguidor da Beleza e um admirador da Grandeza onde quer que se possam encontrar junto das pessoas, em momento algum perdeu a consciência de que para bem da Humanidade não se pode permitir Beleza sem Moralidade, Grandeza sem Norma, Poder sem Interioridade, ou seja, sem Responsabilidade. Humanitas e humilitas não têm apenas em comum o acaso da semelhança fonética. Não é por acaso que ele inicia o seu trabalho sobre "Grandeza Histórica" com a declaração de que devemos "deixar de ser canalha", e que "a Grandeza é aquilo que nós não somos." É ainda de um conhecimento profundo e cristão sobre o ser humano o facto de Burckhardt ter escrito as suas "Considerações sobre a História do Mundo" depois de ter deixado de tentar encontrar na História o "dedo de Deus" ou o "Plano da Providência"
O Ser Humano em si — e principalmente o enigma da Grandeza humana —, esse grande Único na medida em que subjaz ao plano de fundo do Comum, tornou-se no objecto perpétuo das suas amorosas exposições. O seu grande amor pertence ao grande Indivíduo na medida em que este for entendido enquanto criação cultural. Não é portanto por acaso que foi com uma admiração um pouco horrorizada Burckhardt descreveu as grandes figuras da Antiguidade grega e os Poderosos do Renascimento como "pináculos manifestos da História do Mundo"; mas ainda assim Nietzsche cometeu uma injustiça ao reportar-se a ele — algo que o próprio Nietzsche viria a reconhecer demasiado tarde essa ideia como uma das que mais remorsos lhe causara — quando fez uso das descrições de Burckhardt para argumentar que os grandes indivíduos de qualquer época estão autorizados a dar-se a si próprios a sua própria lei. Burckhardt não conseguia entender como é que poderia ser que, vendo-se livre das doutrinas cristãs e da "moral dos dos escravos ", se pudesse vir encontrar o "Übermensch" como propósito da História. É óbvio que Burckhardt não era um cristão de Igreja; mas era incapaz de recusar a cultura [Bildung] cristã. De modo que não estava de maneira alguma "para além do bem e do mal".
Hans-Joachim Schoeps. Jacob Burckhardt oder auf den Spuren der verlorenen Zeit in Gesammelte Schriften II.7. OLMS (1960).
Tradução minha.
«[Jacob] Burckhardt wußte — sein Sichzurückhalten von Nietzsche und sein beharrliches Schweigen auf dessen immer dringlicher werdende Appelle machen es vollends deutlich —, daß er in der Zukunft nicht mehr würke existieren können. Aber den wirklichen Status seiner Zeit, den Befund der Dekadenz, hat Burckhardt keinen Augenblick übersehen. Und so kommt nicht nur in sein Wesen, sondern auch in seine Studien und seine Neigungen ein schmerzlicher Bruch hinein, daß er, der die Höhen des Kulturlebens und die Gipfel der Weltgeschichte zu durchforschen unternahm, gleichzeitig der Historiker der Dekadenz wurde.
So ist es denn nicht nur die „Größe und stille Heiterkeit der Hellenen“, die sein Auge anzog und die den Schönheitssucher geganfennahm, sondern auch der Verfall der griechischen Kultur, dessen Darstellung er gegeben hat. „Auch die Zeiten des Verfalls und des Untergangs haben ihr heiliges Recht auf unser Mitgefühl“, heißt es im „Konstantin“. Und Burckhardt weiß zu tief um den Neid der Götter, um die Todesschatten, die auch über das gewaltigste Leben kommen, eben indem es zu Ende lebt: „Einmal muß es Abend werden.“ Diese melancholische Ahnung wirft ihre Schatten über den niedergehenden Tag, sobald er einmal den höchsten Sonnenstand überschritten hat.
Burckhardt kannte die Götter Griechenlands, er wußte Tieferes von ihnen als alle andere Menschen seiner Zeit. Seine Liebe zu den Göttern hatte im Hintergrund noch das Wissen um die Forderung des heiligen Gottes. Man erinnere sich hier an die berühmt gewordenen Sätze, mit denen er am Schlusse eines Vortrages den schmerzvoll melancholischen Ausdruck im leichgesenkten Haupt des vatikanischen Hermes Psychopompos zu deuten sucht: „Ist es nicht, als ob das Bild zu sprechen begönne und zū uns sagte: Ihr wundert Euch, daß ich so traurig bin. Ich, einer der seligen olympier, die in ewiger Heiterkeit und unvergänglicher Lebenslust genießen und schauen. Wir hatten alles: Glanz himmlischer Götterschönheit, ewige Jugend, unzerstörbaren Frohsinn; aber wir waren nicht glüklich, denn wir waren nicht gut. Wir konnten nicht gut sein, weil wir nur ästhetische Ideale, keine ethischen Potenzen waren: Schaut Antigone, die edelste Tochter und Schwester, sie ging jämmerlich zugrunde, weil sie an uns glaubte und unsere Gebote heilig heilt. Schaut die trostlose Niobe. Wir haben ihre schuldlosen Kinder erschlagen, nur um der stolzen Mutter unsagbar weh tun zu können. So ist unser Handeln allzeit gewesen. Wir haben nur uns selbs gelebt und allen anderen Schmerz bereitet. Wir waren nicht gut, und daren mußten wir untergehen.“»
An solchen Urteiler
verrät es sich, wie tief doch Jacob Burckhardt die Tradition christlicher
Humanität im Blute lag. Gerade er, der ein Sucher der Schönheit und Bewunderer
der Größe war, wo immer sie unter Menschen vorgekommen ist, hat keinen Moment
das Gefühl dafür verloren, daß Schönheit ohne Sittlichkeit, Größe ohne Norm,
Macht ohne Innerlichkeit, d.h. Verantwortung, nicht bestehen darf — um des
Menschen willen. Humanitas und humilitas haben noch mehr miteinander gemein als
nur den Zufall des lautlichen Gleichklanges. Nicht umsonsts beginnt die
Abhandlung über „Historische Größe“ mit der Feststellung, daß wir „unseren
Ausgang von unserem Knirpstum“ nehmen müssen. „Größe ist, was wir nicht sind.“ Es ist noch ein zutiefst christliches Wissen um den Menschen, das
Burckhardt „weltgeschichtliche Betrachtungen“ anstellen läßt, auch wenn er
nicht mer den „Finger Gottes“ oder den „Plan der Vorsehung“ in der Geschichte
nachzuweisen strebt.
Es
ist schon der Mensch an sich — und insbesondere das Rätsel menschlicher Größe
—, der große Einzelne auf dem Hintergrund des Allgemeinen, den seine
Darstellung immer wieder liebevoll herausarbeitet. Dem großen Individuum,
sofern es kulturschöpferisch zu werden vermag, gehörte seine große Liebe. Nicht
umsonsts hat Burckhardt die großen Gestalten der grieschischen Antike und die
Machtmenschen der Renaissance als „gewisse Höhepunkte der Weltgeschichte“ mit
leicht grausender Bewunderung dargestellt; aber Nietzsche hat sich doch zu
Unrecht auf ihn berufen — es ist eine der schmlerzlichsten Späterkenntnisse
Nietzsches geworden —, wenn er aus Burckhardts Schilderungen die Erlaubnis
abzuleiten glaubt, daß das große Individuum auch jederzeit sein eigenes Gesetz
sich geben dürfe. Der „Übermensch“ als Geschichtsziel, so man nur die Lehrsätze
der „christlichen Sklavenmoral“ einaml von sich werfen wolle, konnte
Burckhardts Einverständnis niemals finden. Burckhardt war gewiß kein
Kirchenchrist; aber der christlichen Bildung konnte er nicht entsagen. Und so
stand er denn nicht „jenseits von gut und böse“.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Hymno de Alkeu aos Dioskoúros
poderosos filhos de
Zeus e de Leda
com a vossa
coragem propícia revelai-vos Kástor
e Polydeukes
vós que por toda a
terra e todo o mar
cavalgais os vossos
velozes cavalos
prontos para nos
protegerdes da morte
gélida
vós que vos lançais
para o topo das naus robustas
ao resplandecerdes
ao longe de cima dos mastros
nos perigos da noite
Αλκæoς. Hymno aos Dioskoúros.
Tradução minha.
δεῦτ'
Όλυμπον αστέροπον λίποντες
παῖδες
ίφθιμοι Δίος ηδὲ Λήδας
ιλλάῳ θύμῳ
προφάνητε Κάστορ
καὶ
Πολύδευκες
οὶ κὰτ
εύρηαν χθόνα καὶ θάλασσαν
παῖσαν
έρχεσθ' ωκυπόδων επ' ίππων
ρῆα δ'
ανθρώποις θανάτω ρύεσθε
ζακρυόεντος
ευεδρῶν
θρῴσκοντες ὸν' άκρα νάων
τήλοθεν
λάμπροι πρότον' αμφιβάντες
αργαλέᾳ δ'
εν νύκτι φάος φέροντες
νᾶῑ μελαίνᾳ
Poema #14 na edição em Lyra Græca I (J. M. Edmonds edidit). William Heinemann (1922).
Variações minhas.
Imagem #1: Estátua romana de Castor e Pollux a cavalgar cavalos e tritões @ Museu Arqueológico de Nápoles.
Imagem #2: Pietro da Cortona, Estudo de um dos Dioscuros para o tecto da Sala de Marte no Palácio Pitti. @ Nova York, Mia N. Weiner. (1644 - 1646)quinta-feira, 15 de agosto de 2013
mais forte que o amor de Eurýdice
O amor de Eurýdice não fez Orpheu descer aos Infernos com tanta vontade quanta eu teria se alguém me desse alguma esperança de que poderia contemplar os excelentes homens da Antiguidade se penetrasse nas profundezas da terra.
Leonardo Bruni*. Prœmium in Commentaria Primi Belli Punici. Tradução minha.
equidem fateor non tam cupide Orpheum, ut poetæ tradunt, Euridicis amore infernas adiise sedes, quam ego, si spes modo aliqua offeratur antiquos illos præstantis viros intuendi, ad ultimas penetrarim terras.
PS: A minha tese de mestrado, que estou nestes dias a acabar, é sobre este cavalheiro.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
As Piadas do Stôr Qüintiliano
As
piadas mais divertidas costumam ser aquelas que vêm completamente inesperadas e
que fazem troça de alguém, como por exemplo quando Cícero diz: "Ah, como é
que poderia faltar o que quer que seja a este grande homem, se não contarmos
com o dinheiro e com a virtude?" ou como quando [Terêncio] diz de um
outro qualquer que "quando ele termina os seus discursos no tribunal a opinião é sempre unânime de que ele se vestiu muito bem." Ou ainda a propósito de encontros inesperados conta-se que um dia o Cícero ouviu dizer que o Vátino
tinha morrido, e para confirmar a notícia virou-se para a um liberto desse
mesmo Vátimo e perguntou-lhe: "Tudo bem lá por casa?" Quando o
liberto lhe respondeu, "Tudo", Cícero exclamou, "É então
verdade, morreu mesmo!!"
Quintiliano. De
Institutione Oratoria. 6.3.84 Tradução minha.
[Hæc]
sunt in omni hac materia vel venustissima. Inopinatum et a lacessente poni
solet, quale est quod refert Cicero: 'quid huic abest nisi res et virtus?' aut
illud Afri 'homo in agendis causis optime vestitus': et in occurrendo, ut
Cicero audita falsa Vatini morte, cum obvium libertum ejus interrogasset
'rectene omnia?' dicenti 'recte' 'mortuus est!' inquit.
*
A título de nota, acho que com este excerpto atingi um recorde pessoal na
desproporção tradução/original.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
A Bibliotheca Ideal de Giordano Bruno
As obras completas do grande philósopho, hærético, mýstico, scientista do Renascimento Giordano Bruno estão disponíveis na sua totalidade online. Fora uma mão cheia (alguns diálogos, O espaço da besta triunfante, a obra Dos furores heróicos, ou Sobre o infinito, o universo, e os mundos), a grande maioria do corpus é extremamente difícil de encontrar em livro impresso, e as obras que existem (como as obras sobre Magia ou sobre Mnemónica) ascendem nas livrarias italianas a várias centenas de euros. O facto de uma página como esta poder existir, e publicar a totalidade das obras de alguém que ardeu na fogueira há não muito tempo atrás, é um triunfo para a Humanidade, e um testemunho do valor ou do potencial da instituição da Internet.
(clicar nos Opera Omnia, e daí estão no vernáculo e em latim)
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
«... crippled for life by a classical education ...»
Michael Baxandall foi um dos grandes historiadores de arte do século XX. O Instituto Warburg disponibilizou hoje algumas transcrições do Getty de entrevistas pessoais realizadas nos anos 80: Aqui.
[BAXANDALL]
[One of the teachers] who was very importat to me was a man called Harold Mason, partly because he himself was an ex-classicist [*Michael Baxandall tinha também ele completado um semestre em Clássicas em Cambridge]. I think he was patient and tender with me because of this — I needed a lot of teaching. Leavis, on the other hand, said at the end of my first term that I'd been crippled for life by a classical education, which may be true I think in some ways.
[SMITH]
What did Leavis mean by that?
[BAXANDALL]
That I had a bad, "philological" sense of language.
[SMITH]
Exactly the thing that a classical training is supposed to provide you with.
[BAXANDALL]
Yes. But I think he was getting at the man he was reporting to, who was head of classics at Downing. It was sort of a joke, but only half a joke.
[14-15]
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Os Gregos enquanto Intérpretes
Os Gregos enquanto Intérpretes. — Quando falamos dos Gregos, estamos na verdade a falar involuntariamente do Hoje e do Ontem: a história deles, tão sobejamente conhecida, é na realidade um espelho em branco que reflecte sempre alguma coisa que não estava lá antes. Nós usamos a liberdade que temos para falar sobre eles para nos podermos calar a respeito de outros — de modo que deixamos que cada um deles sussurre algo no ouvido do leitor que for capaz de tirar sentido das suas palavras. Os gregos transmitem assim aos modernos o acesso a muito que é difícil de transmitir e de reflectir.
Nietzsche. Humano Demasiado Humano [218]. Tradução minha.
Die Griechen als Dolmetscher. — Wenn wir von den Griechen reden, reden wir unwillkürlich zugleich von Heute und Gestern: ihre allbekannte Geschichte ist ein blanker Spiegel, der immer Etwas wiederstrahlt, das nicht im Spiegel selbst ist. Wir benützen die Freiheit, von ihnen zu reden, um von Anderen schweigen zu dürfen, damit jene selber dem sinnenden Leser Etwas ins Ohr sagen. So erleichtern die Griechen dem modernen Menschen das Mittheilen von mancherlei schwer Mittheilbaren und Bedenklichen.
sábado, 3 de agosto de 2013
Sangue
A tradição está morta: cabe-nos agora a nós despertar a Vida do passado. Sabemos que as sombras só falam depois de terem bebido sangue, e que os espíritos que invocamos nos exigem que lhes demos os nossos corações a beber. Fazemo-lo de boa vontade. Porém quando eles nos respondem há algo de nós que entra neles, algo deslocado que tem necessariamente que sair para que juntamente saia também a Verdade, essa deusa austera.
Ulrich von Willamowitz. Tradução minha.
»Die Überlieferung ist tot: unsere Aufgabe ist es, das vergangene Leben zu erwecken. Wir wissen es, daß die Schatten erst reden, wenn sie Blut getrunken haben, und die Geister, die wir rufen, fordern unser Herzblut. Das geben wir gern. Aber wenn sie uns dann Rede stehen, so ist etwas von uns in sie hineingekommen, etwas Fremdes, das wieder hinaus muß, um der Wahrheit willen hinaus muß. Denn sie ist eine strenge Göttin.«
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Arte antiga — As seis lições de Salvatore Settis [italiano]
- Tracce del classico intorno a noi
- Riscoperta dell'arte greca
- Arte classica, libertà, rivoluzioni: la lezione di Winckelmann
- Dalle rovine al museo: l'arte classica risorge nel Rinascimento
- Perchè i Greci hanno inventato l'idea di "classico"
- L'arte classica, l'Europa e le altre culture
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