quarta-feira, 31 de julho de 2013

Acerba Crítica ao Latim Vivo

juntamente com uma vera declaração de amor à língua com as razões certas para a aprender
por Luigi Miraglia.


sábado, 27 de julho de 2013

Julianus Imperator

In the first months of his reign Julian courted the Christians with assurances of toleration and an ostentatious regard for the deceased emperor. But a man with a strong faith in what he believed to be the only true religion was not likely to do much to advance the cause of those he considered ungodly. For Julian the ungodly were the Christians. The asceticism and inflexibility of Julian's style of life were integral to his practice of paganism. Under Constantius luxury had grown up in the Arian court and spread among the clergy and citizens of the Christian world. Bishops grew fat from the revenue of ecclesiastical property and spent in cultivated reading the leisure to which they were entitled by civic immunities. At Syrian Antioch a largely Christian city passed its time in the excitement of the theatre and chariot-racing. There was nothing romantic or colourful about the paganism which Julian proposed to establish in the place of the religion of Constantine. Its austerity and the fanatical zeal of its advocate portended the end of the way of live which had not only replaced the old paganism but actually absorbed its joie de vivre. The deadly earnestness of Julian was manifest and unwelcome.

G.W. BowersockJulian the Apostate. Harvard University Press (1978).

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Hino a Diana (Catulo)


Diānæ sumus in fide
puellæ et puerī integrī:
Diānam puerī integrī
puellæque canāmus.

Ō Lātōnia, māximī
magna prōgeniēs Jovis,
quam māter prope Dēliam
dēposīvit olīvam,

montium domina ut forēs
silvārumque virentium
saltuumque reconditōrum
amniumque sonantum:

tū Lucīna dolentibus
Jūnō dicta puerperīs,
tū potēns Trivia et nothō es
dicta lūmine Lūna;

tū cursū, dea, mēnstruō
mētiēns iter annuum,
rūstica agricolæ bonīs
tēcta frūgibus explēs.

Sīs quōcumque tibī placet
sancta nōmine, Rōmulīque,
antīquē ut solita es, bonā
sōspitēs ope gentem.

Catullo 34.



em Diana está nossa fé 
rapazes e raparigas · 
de Diana é a pura voz 
que puros ofertamos ·

Latónia, grande fruto 
do portentoso Júpiter, 
tua mãe poisou-te junto 
da oliveira em Delos 

para dominares os montes 
as florestas verdejantes 
as clareiras recônditas 
as ribeiras soantes · 

chamam-te Juno Lucina 
as grávidas dolorosas · 
chamam-te Lua de má luz 
e Trívia potente · 

cada mês o teu caminho, 
Deusa, que no ano segues, 
enche as casas camponesas 
de mais fartas benesses · 

com o nome que te agradar 
serás sancta · aos Romanos, 
como sempre fizeste, dá 
tua mão benfazeja.

Tradução minha.*

PS: Também estou na gravação!



domingo, 21 de julho de 2013

Novidades Editoriais Classica Digitalia

(informação recebida pela Origem da Comédia)

O Conselho Editorial dos Classica Digitalia – braço editorial do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da UC  tem o gosto de anunciar 2 novas publicações, de parceria com a Imprensa da Universidade de Coimbra, a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade Federal de Goiãs.

Todos os volumes dos Classica Digitalia são editados em formato tradicional de papel e também na biblioteca digital. O eBook correspondente (cujo endereço direto é dado nesta mensagem) encontra-se disponível em acesso livre. O preço indicado diz respeito ao volume impresso.

NOVIDADES EDITORAIS


Série “Humanitas Supplementum” (Estudos)
Fábio Cerqueira, Ana Teresa Gonçalves, Edalaura Medeiros & José Luís Brandão, Saberes e poderes no mundo antigo. Vol. I – Dos saberes (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, Classica Digitalia, 2013). 282 p.

PVP:  29 € / Estudantes:  23 €


Fábio Cerqueira, Ana Teresa Gonçalves, Edalaura Medeiros & Delfim Leão, Saberes e poderes no mundo antigo. Vol. II – Dos poderes (Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, Classica Digitalia, 2013). 336 p.

PVP:  29 € / Estudantes:  23 €

Em agosto, não serão lançados novos livros, pelo que nos despedimos até setembro, com votos de excelentes férias.

 Delfim Leão
(Diretor Técnico dos Classica Digitalia)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Um Rei no Céu e na Terra

Alexandre mais uma vez caiu no desespero. Não desejava governar a não ser enquanto rei da Europa, da Ália, da Lýbia, e de qualquer ilha outra que pudesse ainda existir no meio do Oceano. Sofria do mal oposto àquele que Homero narra sobre Aquiles nos infernos, que preferia viver enquanto servo
de um homem miserável sem posses
que ser rei de todos os mortos destruídos.
E além disso creio até que Alexandre preferiria até mesmo morrer e ser rei dum terço dos mortos do que  tornar-se num deus e viver para todo o sempre, se não se tornasse também rei de todos os deuses restantes.

Dio Chrysóstomos. Περὶ Βασιλείας δ· (De Regno IV) — 49/50. Tradução minha.

Ὁ οὖν Ἀλέξανδρος πάλιν ἐλυπεῖτο καὶ ἤχθετο. Οὐδὲ γὰρ ζῆν ἐβούλετο, εἰ μὴ βασιλεὺς εἴη τῆς Εὐρώπης καὶ τῆς Ἀσίας καὶ τῆς Λιβύης καὶ εἴ πού τίς ἐστι νῆσος ἐν τῷ Ὠκεανῷ κειμένη. Ἐπεπόνθει γὰρ τοὐναντίον ἤ φησιν Ὅμηρος τὸν Ἀχιλλέα νεκρὸν πεπονθέναι. Ἐκεῖνος μὲν γὰρ ἔλεγεν ὅτι ζῶν βούλοιτο θητεύειν
ἀνδρὶ παρ' ἀκλήρῳ ᾧ μὴ βίοτος πολὺς εἴη,
ἢ πᾶσιν νεκύεσσι καταφθιμένοισιν ἀνάσσειν
ὁ δὲ Ἀλέξανδρος δοκεῖ μοι ἑλέσθαι ἂν καὶ τοῦ τρίτου μέρος τῶν νεκρῶν ἄρχειν ἀποθανὼν ἢ ζῆν τὸν ἅπαντα χρόνον θεὸς γενόμενος μόνον, εἰ μὴ βασιλεὺς γένοιτο τῶν ἄλλων θεῶν.


(A este propósito, lembrar também a passagem do Theages de Platão lembrada por Nietzsche nos fragmentos para a Vontade de Poder,
Εὐξαίμην μὲν ἂν οἶμαι ἔγωγε τύραννος γενέσθαι, μάλιστα μὲν πάντων ἀνθρώπων, εἰ δὲ μή, ὡς πλείστων· καὶ σύ γ' ἂν οἶμαι καὶ οἱ ἄλλοι πάντες ἄνθρωποι – ἔτι δέ γε ἴσως μᾶλλον θεὸς γενέσθαι – ἀλλ' οὐ τούτου ἔλεγον ἐπιθυμεῖν. 
Aquilo que eu mais desejaria era tornar-me rei de toda a raça humana, e se assim não pudesse ser, de tantos quantos possível. E o mesmo desejarias tu, desejariam todos os que vivem — e até mesmo ser deus — mas eu não disse que queria isso. 
 PlatãoTheages 125e8-126a4. Tradução minha.)

sábado, 22 de junho de 2013

Hanc augusta dedit libris Collimbria sedem

Hanc augusta dedit libris Collimbria sedem
Ut caput exornet bibliotheca suum
Coimbra está em alta. Depois de termos tido a oportunidade o passado fim-de-semana para ouvir a Nona do Beethoven para comemorar os 500 anos da Bibliotheca, temos hoje a notícia de que a Universidade, Alta e Sofia foram pronunciadas património da humanidade pela UNESCO. Como um advena que foi pela cidade e universidade humanamente recebido,
Parabéns & obrigado!

A augusta Coimbra concedeu aos livros esta morada
Para que a bibliotheca fosse uma coroa à sua cabeça.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

entretanto em Itália

O passo de tradução que calhou no exame de Latim realizado hoje nos liceus italianos.

Sed nunc genera ipsa lectionum, quae præcipue convenire intendentibus ut oratores fiant existimem, persequor. Igitur, ut Aratus ab Jove incipiendum putat, ita nos rite cœpturi ab Homero videmur. Hic enim, quem ad modum ex Oceano dicit ipse amnium fontiumque cursus initium capere, omnibus eloquentiæ partibus exemplum et ortum dedit. hunc nemo in magnis rebus sublimitate, in parvis proprietate superaverit. Idem lætus ac pressus, jucundus et gravis, tum copia tum brevitate mirabilis, nec poetica modo sed oratoria virtute eminentissimus. Nam ut de laudibus exhortationibus consolationibus taceam, nonne vel nonus liber, quo missa ad Achillem legatio continetur, vel in primo inter duces illa contentio vel dictæ in secundo sententiæ omnis litium atque consiliorum explicant artes? Adfectus quidem vel illos mites vel hos concitatos nemo erit tam indoctus qui non in sua potestate hunc auctorem habuisse fateatur. Age vero, non utriusque operis ingressu in paucissimis versibus legem prohoemiorum non dico servavit, sed constituit? Nam et benivolum auditorem invocatione dearum quas praesidere vatibus creditum est et intentum proposita rerum magnitudine et docilem summa celeriter comprensa facit. Narrare vero quis brevius quam qui mortem nuntiat Patrocli, quis significantius potest quam qui curetum Ætolorumque prœlium exponit?

Quintiliani Istitutio oratoria, X 1, 45-48

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Do Humanismo às Humanidades

As philology became value-free and pedagogy became pragmatic, the larger value of both enterprises was called into question. Why study the ancient world if not to became more virtuous? But a training in virtue now seemed to be one quality that neither scholars nor teachers could offer. Since Montaigne — one of the first to offer these criticisms in a cogent form — the claim that the liberal arts would produce 'new men', men of an enhanced virtuous disposition, has often been repeated; and new generations of believers in the ideals of early humanism have tried to show that some new form of literary education could achieve this goal. For all their brilliance, and for all their formative influence upon practitioners of the liberal arts, neither Wilhelm von Humboldt nor Lionel Trilling, neither F.R. Leavis nor G. Gentile has had an impact on anything but a small segment of élite education in the West, or satisfied more than a handful of critics with the intellectual centrality of their enterprise. Like them, we watch as our most gifted students master the techniques and methods of textual analysis, the command of ancient and modern languages (which they can transpose effectively to new and developing disciplines), but in the main discard that over-arching framework of 'civilised values' by which teachers of the humanities continue to set store. Whether we like it or not, we still live with the dilemma of late humanism: we too can only live in hope, and practise the humanities.

Anthony Grafton & Lisa Jardine. From Humanism to the Humanities. Duckworth (1986).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Celebração da Primavera — Richard Strauss



Das ist des Frühlings traurige Lust!
Die blühenden Mädchen, die wilde Schar,
Sie stürmen dahin mit flatterndem Haar
Und Jammergeheul und entblößter Brust:
"Adonis! Adonis!"

Es sinkt die Nacht. Bei Fackelschein
Sie suchen hin und her im Wald,
Der angstverwirret widerhallt
Vom Weinen und Lachen und Schluchzen und Schreien:
"Adonis! Adonis!"

Das wunderschöne Jünglingsbild,
Es liegt am Boden blaß und tot,
Das Blut färbt alle Blumen rot,
Und Klagelaut die Luft erfüllt:
"Adonis! Adonis!"

Texto de Heinrich Heine.
É este o triste prazer da Primavera!
As raparigas em flor* em manadas selvagens
Precipitam-se de cabelos desgrenhados
E com o peito exposto lamentam
«Adónis! Adónis

A noite cai. À luz de archotes
Procuram-no em toda a floresta,
O eco pavorosamente repetido
Entre choros e risos e gritos e suspiros
«Adónis! Adónis

A figura magnífica do jovem
Deitada no chão pálida e morta;
O sangue tinge as flores de vermelho,
E inunda o vento o lamento de
«Adónis! Adónis!»

Tradução minha

*Consta-me que estas blühenden Mädchen foram quem deu o título ao volume II da Recherche.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Bom dia



Classical sculptures hilariously dressed on modern days outfits, pelo fotógrafo Léo Caillard (retocadas digitalmente por Alexis Persani), no seu projecto Street Stone. Embora isto pudesse recair sobre a etiqueta "humor" é interessante que Léo Caillard nos diga que o seu objectivo era criar uma imagem da junção de dois mundos tão diferentes.